A presidente e sócia-fundadora da Brasilux, Kelly Diniz, conta que pretendia, inicialmente, seguir carreira como juíza. Formada em direito, ela alterou sua rota profissional ao fundar a indústria de tintas e resinas há 33 anos, ao lado do ex-marido e de outros sócios. Hoje, a companhia atua no mercado nacional e internacional.
Em entrevista à série FDC Legacy Talks, da Fundação Dom Cabral (FDC), a executiva detalhou sua transição de carreira, a necessidade de formação técnica para os negócios e a estratégia de operações para gerir um quadro de aproximadamente 750 colaboradores.
Formação contínua e ambidestria
Para assumir a administração e o planejamento estratégico da Brasilux desde o início das operações, Kelly investiu em estudos na área financeira e de governança. Atuou por anos como diretora financeira, partindo do controle de caixa da empresa até chegar à presidência.
Além do conhecimento técnico de mercado, ela é terapeuta profissional e realiza sessões de terapia pessoal há 31 anos.
Em seu depoimento, a executiva relata que o entendimento do comportamento humano fundamenta sua comunicação e tomada de decisão com as equipes.
Na gestão diária, a executiva adota o conceito de “ambidestria corporativa”. Ela divide seu foco entre a operação de curto prazo, com metas, orçamento e indicadores de resultado, com o planejamento futuro e adoção de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial.
Como parte do planejamento estratégico para os próximos anos, a Brasilux projeta a criação de um Conselho de Administração, o que permitirá a migração de Kelly da presidência operacional para uma posição consultiva
O processo de sucessão, no entanto, ainda não está definido. O único filho de Kelly atua em outro segmento empreendedor, deixando abertas opções de mercado, como uma fusão corporativa ou abertura de capital.
Para lidar com os desafios da posição de CEO, Kelly recorre a consultorias externas, mentores e grupos de executivos, como a própria FDC, buscando perspectivas fora de sua limitação de rotina.
Superação de gargalo logístico
Durante o processo de expansão da empresa, o crescimento do volume de vendas gerou um gargalo de armazenagem na planta original, localizada no município de Matão (SP). A falta de espaço elevou o prazo médio de entrega de mercadorias para 14 dias.
Para solucionar o problema e estabelecer uma meta de entrega de apenas dois dias, a gestão decidiu separar a fábrica da área de expedição. A empresa alugou um imóvel com 10 mil metros quadrados de área construída na cidade vizinha, Araraquara, instalando ali um novo Centro de Distribuição.
Os funcionários do antigo setor de expedição tiveram a opção de escolha: permanecer em Matão, realocados em outras funções, ou migrar para Araraquara, utilizando ônibus fretados fornecidos pela Brasilux.
A reestruturação logística exigiu novas contratações em ambos os municípios e evitou cortes no quadro de pessoal, segundo a executiva.
Comunicação direta e presença feminina

Para evitar o distanciamento entre a presidência e a linha de produção, a CEO da Brasilux instituiu reuniões periódicas de aproximação. Os encontros incluem cafés da manhã e rodadas de pizza noturnas, cobrindo os diferentes turnos da fábrica.
Guiadas pelo setor de Desenvolvimento Humano e Organizacional, as conversas permitem que os funcionários façam perguntas diretas à executiva e proponham soluções baseadas no dia a dia operacional.
Na área de diversidade, a Brasilux registra atualmente um índice de 25% de mulheres em seu quadro de funcionários. A presidente aponta que a taxa está acima da média do setor químico, mas ainda a considera baixa frente à proporção de 52% de mulheres na população do país.
O aumento dessas contratações, no entanto, encontra barreiras na baixa oferta de mão de obra feminina na região para áreas de tecnologia da informação e operações fabris diretas, impedindo a criação de vagas afirmativas exclusivas, sob o risco de não preenchimento.
Para as colaboradoras já contratadas, a empresa disponibiliza suporte psicológico e canais de denúncia focados em casos de violência doméstica. As práticas também atendem e antecipam as exigências estabelecidas pela Norma Regulamentadora 1 (NR 1), operando ativamente na identificação de problemas de bem-estar da equipe.
Confira as indicações de leitura e séries de Kelly Diniz
Livros
- A revolta de Atlas, ficção filosófica recomendada pela executiva.
- A menina que roubava livros, citado como um título que impactou a história e desenvolvimento pessoal da CEO.
- Sapiens, obra de Yuval Noah Harari que aborda a história da humanidade.
Séries
- This is us, recomendada pelas reflexões geradas em torno das dinâmicas familiares e pela abordagem da diferença entre os conceitos de igualdade e equidade.
- Suits, produção televisiva sobre os bastidores de um escritório de advocacia, escolhida por remeter diretamente à formação jurídica de Kelly Diniz.
Confira a entrevista completa no YouTube e no Spotify:
Dúvidas mais comuns
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Ambidestria corporativa é o conceito de equilibrar simultaneamente a operação de curto prazo com o planejamento futuro. Kelly Diniz divide seu foco entre metas, orçamento e indicadores de resultado imediatos, enquanto investe em novas tecnologias e inteligência artificial para o futuro. Essa abordagem permite que a empresa mantenha sua competitividade operacional sem negligenciar a inovação estratégica necessária para o crescimento de longo prazo.
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Kelly Diniz utiliza seu conhecimento em comportamento humano, adquirido através de 31 anos de terapia pessoal e formação como terapeuta profissional, para fundamentar sua comunicação e tomada de decisão com as equipes. Esse entendimento permite que ela reconheça as necessidades individuais dos colaboradores e tome decisões mais humanizadas, criando um ambiente onde os funcionários se sentem ouvidos e valorizados, o que impacta positivamente nos resultados da empresa.
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Para evitar o distanciamento entre a presidência e a linha de produção, Kelly instituiu reuniões periódicas de aproximação, incluindo cafés da manhã e rodadas de pizza noturnas que cobrem diferentes turnos. Esses encontros, guiados pelo setor de Desenvolvimento Humano e Organizacional, permitem que funcionários façam perguntas diretas à executiva e proponham soluções baseadas no dia a dia operacional, fortalecendo a conexão entre liderança e equipe.
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Apesar de formada em Direito, Kelly investiu continuamente em estudos nas áreas financeira e de governança. Atuou como diretora financeira por anos, começando pelo controle de caixa até chegar à presidência, combinando conhecimento técnico de mercado com formação em comportamento humano. Essa trajetória demonstra a importância da formação contínua e da disposição em aprender novas competências para evoluir na carreira.
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A Brasilux projeta a criação de um Conselho de Administração que permitirá a migração de Kelly da presidência operacional para uma posição consultiva. O processo de sucessão ainda não está definido, deixando abertas opções como fusão corporativa ou abertura de capital. Essa transição reflete a ambidestria corporativa ao equilibrar a continuidade operacional com a preparação para novos modelos de gestão e crescimento futuro.
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Quando o crescimento de vendas gerou um gargalo de armazenagem em Matão, a empresa separou a fábrica da área de expedição, alugando um imóvel com 10 mil metros quadrados em Araraquara. Os funcionários tiveram a opção de permanecer em Matão em outras funções ou migrar para Araraquara com ônibus fretados fornecidos pela empresa. Essa solução exigiu novas contratações em ambos os municípios, mas evitou cortes no quadro de pessoal, reduzindo o prazo de entrega de 14 para 2 dias.
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A Brasilux registra atualmente 25% de mulheres em seu quadro de funcionários, acima da média do setor químico, mas ainda abaixo dos 52% de mulheres na população do país. Os principais desafios incluem a baixa oferta de mão de obra feminina na região para áreas de tecnologia da informação e operações fabris diretas. Para as colaboradoras contratadas, a empresa oferece suporte psicológico e canais de denúncia focados em violência doméstica, antecipando exigências da Norma Regulamentadora 1.
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Kelly recorre a consultorias externas, mentores e grupos de executivos, como a Fundação Dom Cabral, buscando perspectivas fora de sua limitação de rotina. Essa prática reconhece que nenhum líder possui todas as respostas e que a busca contínua por conhecimento e orientação externa é fundamental para tomar melhores decisões estratégicas e evitar vieses de pensamento.