As viagens corporativas podem ser bastante estressantes e há razões de sobra para isso: desde a necessidade de se programar para a burocracia nos aeroportos até os processos lentos de reembolso de despesas. Além disso, em muitos casos, os profissionais estão se deslocando para resolver problemas com clientes ou mesmo representar seu empregador em algum evento técnico.

Mas esse cenário complicado pode ter outra configuração e ser uma iniciativa que aumenta a retenção dos colaboradores, reduz o estresse e, ao mesmo tempo, aumenta a produtividade. Estamos falando da “blended travel”, que mistura as atividades de trabalho, com uma extensão – antes ou depois – de lazer. 

Internacionalmente, os entendidos no assunto criaram um termo específico para facilitar o entendimento desse novo modelo de trabalho híbrido, o bleisure, que mistura as palavras em inglês para negócios (business) e lazer (leisure). 

O especialista Bryan Robinson, autor pioneiro de estudos sobre filhos de workaholics e efeitos do trabalho no casamento, listou quatro razões que explicam porque as empresas devem apostar no bleisure como estratégia. A lista inclui: aumento da conexão social; rotinas mais saudáveis; equilíbrio entre trabalho e vida pessoal; e imersão na natureza.

Falando de outra forma, os profissionais podem usar a viagem combinada como uma oportunidade para construção de relacionamentos, valorizando a conexão presencial. A combinação de lazer e trabalho também oferece a chance de vivenciar rituais diferentes e reenergizantes. 

É o caso de estender a viagem de trabalho da semana para um fim de semana em locais ligados a experiências ecológicas. Aliás, a dica de Robinson é que as empresas se atentem para a hospedagem de seus profissionais em locais com design biofílico, conceito que conecta os viajantes à natureza, onde a arquitetura funciona como elemento relaxante. 

Pode parecer luxo, mas uma pesquisa atenta indica que os hotéis tradicionais costumam ser mais caros do que pousadas aconchegantes. Muitas delas, aliás, possuem os recursos básicos como acesso à internet, mas ao mesmo tempo são mais acolhedoras.

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Sobre equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, Robinson destaca a pesquisa da YouGov, empresa global de pesquisa de mercado e análise de dados. 

O levantamento da companhia indica que quase metade dos viajantes norte-americanos e do Reino Unido praticam atividades físicas durante viagens de trabalho. Quatro em cada dez, por outro lado, têm a tendência de dormir melhor nessas ocasiões. 

A imersão na natureza, já citada como uma grande vantagem, pode ser um elemento para escapar do estresse. Nesse sentido, nada melhor do que passar dias de descanso ao ar livre depois de permanecer em áreas fechadas de eventos a trabalho. 

66% dos viajantes corporativos já colocaram a blended travel em prática

blended travel
Foto: Mediaphotos/ Adobe Stock

Mais do que razões, as estatísticas indicam que a “blended travel” é séria. A rede global de hotelaria IHG Hotels & Resorts traz os números: 43% dos entrevistados numa pesquisa citada pela empresa já fizeram uma viagem combinada com trabalho. Um em cada quatro pesquisados deve fazer pelo menos mais uma viagem desse tipo nos próximos doze meses. 

Outro levantamento confirma que a tendência é interessante. Dados da YouGov mostram que 66% dos viajantes corporativos já misturam suas viagens a trabalho com alguma extensão de lazer. Trata-se de um aumento de 55% em relação a 2022. 

Mais da metade (55%) indicam que viajar é um benefício do trabalho remoto e que essa flexibilidade é tão importante quanto um alto salário.

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