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Investimentos de Corporate Venture Capitals ganham maturidade no Brasil

Pesquisa constata que 73% dos CVCs no país foram criados nos últimos quatro anos

corporate venture capitals © - Shutterstock
por Redação 5 de julho, 2024
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Os investimentos de Corporate Venture Capitals (CVCs) em empresas brasileiras seguem uma tendência de maturidade, conforme sinaliza a terceira edição da pesquisa feita pela ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital), em parceria com a ApexBrasil e Global Corporate Venturing. Também apoiaram a pesquisa o EloGroup e a Fundação Dom Cabral (FDC) e Wayra.

O levantamento mostra que 73% dos CVCs no Brasil – ou três em cada quatro – foram criados nos últimos quatro anos, o que indica uma curva ascendente. “Se olharmos para o tamanho do Brasil e para a cultura empreendedora que temos, é muito possível projetarmos um cenário de crescimento dos CVCs no nosso país, principalmente à medida em que este número maior de iniciativas, criado entre 2020 e 2023, começar a ter os primeiros resultados”, diz analisa Priscila Rodrigues, presidente da ABVCAP.

Segundo ela, assim como no Venture Capital tradicional, o CVC não vai dar retornos instantâneos, sejam de soluções e tecnologia para empresas, sejam financeiros. “A maturação é necessária e faz parte do processo”, analisou.          

Principais setores da economia

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Segundo a pesquisa, além de serviços financeiros (57,1%) e TI (51,4%), os setores de energia (42,8%), transporte e mobilidade (37,1%), agtechs e foodtechs (37,1%), indústria (31,4%) e plataformas para o varejo (28,5%) aparecem com relevância entre os investimentos feitos pelos Corporate Venture Capitals. Esses dados seguem tendência com o ramo de atividade das empresas que originaram os CVCs, a maioria de serviços financeiros, indústria, energia e TI.

A nova pesquisa também mostra que 53% dos CVCs têm fundos de até R$ 250 milhões, enquanto 34% ficam na faixa dos R$ 251 milhões a R$ 500 milhões. O estudo teve respostas de 39 empresas de diferentes portes e segmentos que têm unidades de CVC.

Apesar de um segmento novo, que ainda está sendo testado, já é possível perceber mudanças nas prioridades dos Corporate Venture Capitals entre um ano e outro. Em 2022, na pesquisa anterior, 29% responderam que o apoio a negócios já existentes era uma prioridade alta. Agora, nos dados de 2023, este percentual saltou para 43%.

Maioria dos CVCs tem sede no Brasil

A pesquisa também mostra que 91% dos Corporate Venture Capitals que atuam no Brasil tem sede no próprio país. Já quando se analisa a sede da empresa que originou o CVC: 81% ficam no Brasil, 11% na Europa, 5% nos Estados Unidos e 2% na Ásia.

Segundo a gerente de Investimentos da ApexBrasil, Helena Bonna Brandão, de uma forma geral, a agência observa que a atuação dos CVCs tem sido fundamental para viabilizar liquidez de mercado nos estágios mais iniciais.

Ao longo dos últimos anos, globalmente, os CVCs respondem por cerca de 14% das transações (‘deals’) anuais na indústria de venture capital. Aqui no Brasil, em estudo adicional do GCV com dados próprios e do Pitchbook em 2023, os Corporates foram responsáveis por 36% dos ‘deals’. “Isso mostra a relevância do segmento emergente no país para o desenvolvimento do ecossistema de inovação e apoio aos empreendedores”, comenta Helena Brandão.

Apoio a empreendedores

De acordo com a gerente da ApexBrasil, esse ecossistema segue evoluindo desde 2015, quando a agência começou a disseminar o modelo de CVC e atrair players internacionais para o mercado.

“Os primeiros fundos de maior vulto começaram a se tornar uma realidade no país. Além disso, chama a atenção o fato de que parcela considerável dos CVCs já adota a prática de reservar recursos para aportes subsequentes. Todavia, quase 20% ainda não adotam a boa prática, o que mostra espaço para aprimoramento”, observa Helena Brandão.

Até seis investimentos por ano

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Os dados também mostram que 67% dos CVCs levam, em média, de um a três meses para fechar uma negociação e que 90% pretendem fazer até seis investimentos a cada ano. Em termos de veículo de investimento, o FIP (Fundo de Investimento em Participações) é preponderante em 63% dos CVCs.

“Esses números são uma informação muito valiosa por servir como referência para que corporações possam avaliar a maturidade das suas práticas de CVC frente ao mercado”, diz Jaime Frenkel, diretor-executivo da EloGroup. “Por exemplo, empresas cujo processo de avaliação é demasiadamente lento arriscam deixar de participar de ‘deals’ relevantes”, acrescenta.

Cenário pós-pandemia

De maneira geral, durante a pandemia de Covid-19, observou-se um aumento significativo na adoção da prática dos CVCs por empresas. Esse crescimento foi principalmente sustentado pela disponibilidade de recursos que já estavam alocados para financiar o início dessas práticas.

No entanto, ao final de 2023, essa prática começou a sentir os efeitos do cenário pós-pandêmico, caracterizado pelo aumento das taxas de juros, conflitos geopolíticos e a adoção em massa de tecnologias de inteligência artificial.

‌O cenário macroeconômico, marcado pelo pico das taxas de juros no Brasil em 2022 e 2023, influenciou o direcionamento dos investimentos corporativos em startups para obtenção de retornos em curto prazo, com o objetivo de apoiar negócios já existentes. Paralelamente, observou-se uma preocupação crescente dos gestores de CVC em relação ao retorno financeiro, conforme indicam as respostas coletadas em 2022.

Maturidade nas tecnologias

‌Além disso, houve uma redução de 34% no número de respondentes que informaram que a preparação para futuras disrupções é a prioridade em seus investimentos em CVC, o que reflete uma visão de curto prazo por parte dos gestores. Esse fenômeno pode estar relacionado ao avanço na maturidade das tecnologias de inteligência artificial, que possibilitam o surgimento de novas soluções e negócios em prazos mais curtos e médios.

‌Por fim, a prática de CVC no Brasil demonstrou ganhar maturidade, devido à maior adoção de mecanismos de gestão, como, por exemplo, o uso mais frequente de métricas de desempenho financeiro e metas de desempenho similares às de outros investimentos de capital de risco.




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