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Desafios estruturantes mantêm o Brasil patinando em competitividade global

País caiu no ranking IMD e está na 62ª posição, de um total de 67 nações. Para mudar este cenário, a educação tem papel relevante

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por Redação 21 de junho, 2024
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O Brasil caiu mais uma vez no Ranking Mundial de Competitividade organizado pelo International Institute for Management Development (IMD), passando a ocupar a 62ª posição (era 60º colocado na edição passada), de um grupo de 67 países. 

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E mais: se não atacar os desafios estruturantes que possui, o Brasil poderá continuar patinando entre os últimos colocados. A avaliação é de Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC). A FDC é parceira do IMD para a realização do estudo, que acontece desde 1989. 

Segundo ele, os gestores públicos e a iniciativa privada devem “escutar” o que o relatório do IMD pontua. O recado, na avaliação do professor, é claro. 

“Ou paramos para pensar em projetos estruturantes, independente do viés ideológico, ou vamos continuar falando as mesmas coisas nos próximos anos”, ressaltou ele, em encontro de apresentação do ranking para a imprensa. 

Tadeu colocou seu ponto de vista a partir da análise do posicionamento do Brasil nos quatro fatores em que o relatório está dividido – Performance Econômica, Eficiência Governamental, Eficiência Empresarial e Infraestrutura. No total, são 336 indicadores, com base em dados nacionais e internacionais. 

Subsídios governamentais

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Entre os pontos positivos, ele destaca a Performance Econômica, fator com um quadro de crescimento de longo prazo do emprego, além do investimento direto. O PIB real per capita também tem evoluído, já com o desconto de questões como inflação e juros. 

Para sustentar o cenário positivo, o país precisa prestar atenção na formação bruta de capital fixa. “Quando se olha esse índice real em relação ao PIB, temos um problema”, alerta. “Significa que só estamos fazendo investimentos em setores produtivos e com potencial de crescimento”, completa.

Na área de Eficiência Governamental, Tadeu chama a atenção para os subsídios governamentais – colocado como um dos cinco destaques positivos do país. 

Independente do posicionamento a favor do subsídio para setores de interesse, ele lembrou que esses incentivos existem em todos os lugares do mundo e são particularmente importantes para a inovação, como acontece nos Estados Unidos. 

“O que temos que avaliar é a qualidade do gasto público e o quanto que ele gera de benefícios para setores importantes”, resume. 

Além dos subsídios governamentais, do crescimento em longo prazo do emprego e do crescimento do PIB real per capita, o Brasil tem outros dois pontos a seu favor: o fluxo de investimento direto estrangeiro – apesar dos juros altos – e a matriz com forte presença de energias renováveis. 

Educação precisa melhorar 

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Os pontos a serem melhorados, por sua vez, reforçam questões nas quais o país patina e confirmam a avaliação do professor da FDC. Em três deles, o Brasil ocupa a última posição entre os 67 países analisados: educação em gestão, habilidades linguísticas e dívida corporativa.

Nos outros dois pontos de urgente melhoria, o Brasil é o penúltimo colocado. São eles: habilidades financeiras e na educação (básica, secundária e universitária). 

De acordo com o relatório do IMD, o país tem a necessidade de investir em educação executiva, com programas específicos e focados em habilidades fundamentais para profissionais de alto nível dentro das organizações. 

“Esse tipo de formação é fundamental para se manter atualizado e relevante no mercado de trabalho, enfrentando um ambiente cada vez mais competitivo”, pontua o documento. 

O desafio da educação é ainda maior e o Brasil poderia começar a mudar esse quadro com a ampliação, por exemplo, dos programas de educação profissional e técnica, preparando os alunos para o mercado de trabalho com habilidades práticas e teóricas. 

Investimentos na infraestrutura das escolas e, principalmente, na formação dos professores, são outras iniciativas apontadas pelo estudo. 

Como contraponto, tanto a Suíça quanto Singapura, que ocupam a melhor posição nesse ranking, têm políticas de ensino padrão com alta qualidade para os níveis básico e médio, além da grande difusão da formação universitária. 

Dívida corporativa 

A falta de habilidades linguísticas, por sua vez,  é acompanhada por outra lacuna, que é o ensino de matemática, ciências e tecnologias, internacionalmente conhecidas pela sigla STEM. “Falta um plano estratégico claro para a educação, casado com os interesses de crescimento do país”, argumenta Tadeu. 

Apesar de liderar a inclusão financeira na América Latina – 84% dos adultos têm acesso a contas bancárias – o país também precisa melhorar neste quesito. Em maio de 2024, 79% das famílias brasileiras estavam endividadas, o que é o maior índice desde novembro de 2022. 

A dívida corporativa, por fim, fecha o quinteto. Na explicação dos especialistas, isso acontece por dois motivos. Primeiro, pela qualidade dessa dívida, que é mais baixa em comparação com outras economias, devido a condições econômicas mais voláteis. 

O segundo fator é que as empresas brasileiras recorrem a ofertas públicas para financiamentos, o que acaba não permitindo o desenvolvimento do mercado de dívida corporativa.

O resumo apontado pelo estudo mostra um Brasil com sérios problemas na jornada para melhorar a competitividade. A solução, de forma bem resumida, envolve ações coordenadas de gestão pública e parcerias com o setor privado, que podem ser encontradas na leitura completa do estudo. 




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