Por mais que o medo de perder o emprego devido às novas tecnologias, como inteligência artificial (IA), pareça ser algo exclusivo de jovens do mercado de trabalho, profissionais que ocupam cargos de liderança também estão receosos. Nestes casos, a recomendação é a mesma: abrace as ferramentas tecnológicas, incorpore-as no fluxo de trabalho e faça o melhor proveito delas. A estratégia, aliás, é utilizada por CEOs de big techs, como é o caso do CEO da Microsoft, Satya Nadella.

Uma pesquisa encomendada pela Dataiku, realizada pela Harris Poll, identificou que 74% dos CEOs dizem que seus empregos estão em risco. O número é ainda maior quando observado o contexto estadunidense, alcançando 79%. Nesse sentido, em publicação no Linkedin, Nadella compartilhou cinco sugestões de uso da IA para adicionar uma nova camada de inteligência no cotidiano do trabalho.

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Os cinco passos de Nadella 

	
Mulher de óculos e blazer vermelho trabalha com um notebook na mesa, simbolizando a parceria entre IA e humanos na inovação tecnológica.
Foto: (JLco) Julia Amaral/ Adobe Stock

O CEO da Microsoft tornou público como utiliza o GPT-5 integrado ao Microsoft 365 Copilot em sua rotina diária. Em vez de tratar a IA como ameaça, ele a incorporou como um assistente estratégico. Segundo ele, os comandos, que podem ser aplicados por qualquer profissional, permitem otimizar tempo, organizar tarefas e melhorar a tomada de decisão. Confira como:

  1. Preparação de reuniões personalizadas: a IA antecipa os pontos que provavelmente serão discutidos com base no histórico de interações, ajudando a chegar melhor preparado. Prompt: “com base nas minhas interações anteriores com [/pessoa], indique-me cinco pontos que provavelmente serão prioritários na nossa próxima reunião”.
  2. Relatórios de projetos inteligentes: o sistema sintetiza informações de e-mails, reuniões e conversas para entregar uma visão clara de KPIs, riscos e movimentações competitivas. Prompt: “elabore uma atualização do projeto com base nos e-mails, conversas e todas as reuniões em [/série]: KPIs vs. metas, ganhos/perdas, riscos, movimentos competitivos, além de perguntas e respostas provavelmente difíceis”.
  3. Avaliação de progresso com previsões: ao checar o andamento de lançamentos ou pilotos, a IA oferece até mesmo uma estimativa de probabilidade de sucesso. Prompt: “estamos no caminho certo para o lançamento do [Produto] em novembro? Verifique o progresso da engenharia, os resultados do programa-piloto e os riscos. Dê-me uma probabilidade”.
  4. Mapeamento do uso do tempo: analisando agenda e correspondências, a ferramenta classifica os projetos mais demandantes e calcula o tempo dedicado a cada um. Prompt: “revise minha agenda e meus e-mails do mês passado e crie de 5 a 7 categorias para os projetos nos quais passo mais tempo, com a porcentagem de tempo gasto e breves descrições”.
  5. Preparação rápida para encontros: a partir de e-mails e registros de reuniões anteriores, a IA fornece resumos estratégicos para alinhar expectativas com equipes e gestores. Prompt: “revise [/selecione e-mail] + prepare-me para a próxima reunião em [/série], com base em discussões anteriores com o gerente e a equipe”.

Da ambição à execução

O estudo da Dataiku, no entanto, revela um cenário paradoxal no que diz respeito à aplicação da IA nas empresas. Se por um lado 63% dos CEOs relatam que o conselho administrativo exige resultados de IA, por outro ainda enfrentam dilemas de governança e regulamentação.

A pesquisa mostra, ainda, que a inteligência artificial já deixou de ser apenas uma promessa para se tornar um hábito. Executivos relatam usar a tecnologia em decisões reais quase três vezes por mês, número que chega a 41 vezes anuais no Reino Unido. Ainda assim, a confiança plena na governança não acompanha esse ritmo, visto que 94% dos líderes suspeitam que seus funcionários utilizam IA paralela sem supervisão, o que gera riscos de segurança e compliance. Além disso, 37% dos CEOs admitiram ter adiado projetos por causa da incerteza regulatória.

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Outro ponto destacado é o papel da liderança, no qual o envolvimento direto com a tecnologia cresceu significativamente. 83% dos executivos afirmam participar ativamente das iniciativas de IA em suas companhias. Esse engajamento reflete a percepção de que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma pauta técnica para se consolidar como “um imperativo estratégico no mais alto nível de liderança”. 

O desafio, no entanto, é transformar ambição em execução. Para isso, o estudo revela insights acerca do papel dos CEOs na aplicação eficiente da tecnologia. As principais contribuições passam pelo uso específico e personalizado da IA; consolidação da governança por meio de políticas e conformidade; priorização de projetos com ROI (retorno sobre investimento, na sigla em inglês) claro; elaboração de um plano estratégico;  e desenvolvimento de uma agenda de IA.

Dúvidas mais comuns

Os CEOs estão adotando a inteligência artificial como uma aliada estratégica, incorporando-a em suas rotinas para otimizar tempo, organizar tarefas e melhorar a tomada de decisão, ao invés de vê-la como uma ameaça ao emprego.

Satya Nadella recomenda usar a IA para preparar reuniões personalizadas, gerar relatórios inteligentes de projetos, avaliar o progresso com previsões, mapear o uso do tempo e preparar rapidamente encontros com resumos estratégicos.

Uma pesquisa revelou que 74% dos CEOs acreditam que seus empregos estão em risco devido à inteligência artificial, com esse percentual chegando a 79% nos Estados Unidos.

Os principais desafios incluem dilemas de governança, regulamentação incerta, riscos de segurança e compliance devido ao uso não supervisionado da IA pelos funcionários, além do adiamento de projetos por incertezas regulatórias.

83% dos executivos afirmam participar ativamente das iniciativas de IA, refletindo a percepção de que a inteligência artificial é um imperativo estratégico no mais alto nível de liderança.

As recomendações incluem o uso específico e personalizado da IA, consolidação da governança com políticas claras, priorização de projetos com retorno sobre investimento definido, elaboração de um plano estratégico e desenvolvimento de uma agenda de IA.

Algumas das IAs mais famosas incluem ElevenLabs, Whisper da OpenAI, Google TTS, Lovo, Murfs.ai, Listnr, NaturalReaders e PlayHT, que são plataformas reconhecidas para conversão de texto em áudio e outras aplicações.