• A geração Z busca promoções rápidas, levando empresas a inflacionar cargos com títulos elevados sem aumento salarial real.
  • Em 2023, houve aumento de 53% em vagas de alto nível, com uso triplicado do termo "líder" e redução pela metade de "júnior" em anúncios de tecnologia.
  • Essa inflação de cargos cria desafios para recrutamento, pois termos como "sênior" mal aplicados reduzem candidatos qualificados em até 39%.
Resumo supervisionado por jornalista.

A consultoria internacional de recrutamento Robert Walters verificou uma tendência inusitada no mercado de trabalho, que ocorre, especialmente, dentre os funcionários da geração Z, nascidos após 1995. É a chamada inflação de cargos, na qual muitas empresas oferecem a seus colaboradores altas funções, porém sem impacto real no desenvolvimento profissional e na remuneração. Segundo a consultoria, houve um aumento de 53% no número de vagas de alto nível anunciadas em 2023 em relação ao ano anterior.

Mas, por que as empresas estão adotando este comportamento? De um lado, existe a expectativa dos profissionais da Geração Z de serem promovidos em espaços de tempo não muito longos. De outro, ao inflacionar os postos de trabalho, as empresas pretendem dar uma imagem de posição positiva e credibilidade perante os seus clientes e parceiros.

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Fenômeno da ‘titulitis’

geracao z promocao

“No passado, cargos como líder, diretor ou sócio exigiam anos de experiência e trabalho árduo. Mas isso agora parece estar mudando. É o que podemos chamar de ‘titulitis’ e é cada vez mais comum entre jovens profissionais da Geração Z”, afirma Ana Carolina Rezende, Manager do Departamento de Engenharia na Robert Walters Brasil.

O mercado estaria tão afetado pela inflação de cargos que, de acordo com uma análise feita pela empresa de recrutamento Datapeople, em mais de 2 milhões de anúncios no setor de tecnologia feitos desde 2019, os recrutadores triplicaram o uso da palavra “líder” para vagas voltadas para jovens profissionais. Ao mesmo tempo, o uso da palavra “júnior” foi reduzido pela metade.

Expectativas da Geração Z

As ambições da Geração Z no mercado de trabalho também contribuem para o fenômeno da inflação de cargos. Segundo a Robert Walters, mais da metade da geração Z espera ser promovida a cada 12 a 18 meses e, se isto não ocorrer, começará a procurar ativamente um novo emprego. E cinco em cada 10 representantes desta faixa etária aceitariam uma posição de maior responsabilidade, para a qual não estão totalmente qualificados. Muitas das empresas, sem condições financeiras para atender esta demanda, optam pela promoção, mesmo sem impacto na remuneração.

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Estes jovens, por sua vez, podem dar mais peso ao cargo e suas perspectivas do que os benefícios imediatos. “É comum que um profissional da Geração Z prefira um cargo de diretor de dados dentro de uma startup a ser analista de dados em uma Big 4. Além disso, é importante que as startups mostrem um organograma sênior ao procurar financiamento”, diz Ana Carolina.

Termo sênior afasta candidatos

Há ainda outro aspecto nesta tendência de inflação de cargos. Segundo o Datapeople, se o termo sênior for usado incorretamente nas ofertas de emprego, o número de candidatos pode diminuir em até 39%. Os candidatos menos experientes podem se sentir menos qualificados para o cargo, mesmo que possuam competências para ocupá-los. E, dependendo de como o termo sênior for exposto no anúncio, candidatos com vasta experiência também podem se sentir desencorajados, acreditando que o cargo busca alguém em um nível de experiência inferior ao seu.

Dúvidas mais comuns

Inflação de cargos é uma tendência no mercado de trabalho em que empresas promovem funcionários a cargos mais altos sem que haja um aumento real na remuneração ou no desenvolvimento profissional. Essa prática visa atender às expectativas dos colaboradores, especialmente da Geração Z, e melhorar a imagem da empresa perante clientes e parceiros.

A Geração Z tem a expectativa de ser promovida a cada 12 a 18 meses e, caso isso não ocorra, tende a procurar novas oportunidades de emprego. Além disso, muitos jovens profissionais valorizam mais o cargo e suas perspectivas do que os benefícios imediatos, aceitando até posições para as quais não estão totalmente qualificados.

'Titulitis' é o fenômeno em que cargos como líder, diretor ou sócio são oferecidos com mais facilidade e rapidez, mesmo para profissionais jovens e com pouca experiência, refletindo uma inflação de cargos. Esse fenômeno é cada vez mais comum entre a Geração Z, que busca títulos elevados rapidamente.

No setor de tecnologia, houve um aumento significativo no uso de termos como "líder" para vagas destinadas a jovens profissionais, enquanto o uso da palavra "júnior" diminuiu pela metade. Isso indica uma inflação de cargos, onde títulos mais altos são usados para atrair candidatos, mesmo que as responsabilidades e qualificações não correspondam ao cargo.

O uso incorreto do termo 'sênior' pode reduzir o número de candidatos em até 39%, pois profissionais menos experientes podem se sentir desencorajados a se candidatar, mesmo possuindo as competências necessárias. Além disso, candidatos muito experientes podem evitar a vaga por acreditarem que o cargo exige menos experiência do que a deles.