As pressões por velocidade, adaptação contínua e eficiência operacional ampliaram a busca das empresas por treinamentos curtos, certificações rápidas e conteúdos de microlearning.

Embora esse movimento responda a demandas urgentes do mercado, é preciso olhar para além dessa ênfase exclusiva em capacitações imediatistas que podem deixar de lado um componente essencial para a sustentabilidade dos negócios: o desenvolvimento profundo e de longo prazo.

Quando organizações apostam em formações extensas, como programas avançados, especializações intensivas ou projetos de pesquisa aplicada, o impacto se traduz em inovação, engajamento e maior permanência dos talentos.

Essa busca por soluções ágeis criou um paradoxo. Enquanto as empresas tentam responder a desafios emergentes com formações pontuais, deixam em segundo plano iniciativas que poderiam ampliar a visão sistêmica de seus profissionais e fortalecer sua capacidade de liderar transformações.

O LinkedIn Workforce Learning Report 2023 aponta que 94% dos colaboradores permaneceriam mais tempo em empresas que investem em seu desenvolvimento. O dado reforça que programas mais extensos, que envolvem pesquisa, mentoria e prática reflexiva, sinalizam ao profissional um compromisso genuíno da organização com seu crescimento.

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Esse tipo de investimento tende a gerar efeitos mais amplos: melhora o engajamento, consolida a cultura de aprendizagem e fortalece o sentimento de pertencimento — fatores cada vez mais centrais na competição por talentos qualificados.

Dados recentes levantados com alunos de doutorado da Fundação Dom Cabral revelam o potencial transformador das formações aprofundadas. Segundo o levantamento*:

  • 82% dos doutorandos aplicaram novas metodologias em suas empresas;
  • 74% levaram discussões da tese para dentro da organização;
  • 94% passaram a orientar e desenvolver outros profissionais.

Os números mostram que o aprendizado não se restringe ao indivíduo. Ele se multiplica na organização, gerando novas práticas, revisão de processos, estímulo à inovação e uma cultura mais colaborativa.

Esse efeito multiplicador acontece porque programas de longa duração criam espaço para investigação, reflexão e integração entre teoria e prática – elementos fundamentais para a solução de problemas complexos. “O que eu venho aprendendo mudou a minha tomada de decisão. Hoje ela é muito mais fundamentada, baseada em dados e fatos. Procuro, inclusive, com muito mais intensidade, o fundamento teórico para aquela tomada de decisão”, ressalta Andréa Arantes, gerente jurídica da Comgás e doutoranda na FDC.

Ao analisar essa experiência de alunos de mestrado e doutorado profissional, Paula Simões, diretora de Strictu Senso e MBA da FDC, destaca a crescente aplicabilidade dessas formações no ambiente corporativo. Segundo ela, o mercado tem exigido líderes que consigam navegar em cenários incertos e propor soluções originais, o que demanda processos educacionais mais profundos.

“Programas de longa duração favorecem esse movimento ao estimular pensamento crítico, visão de futuro e compreensão sistêmica das organizações. Para profissionais em posições estratégicas, esse tipo de formação amplia a capacidade de tomar decisões fundamentadas e de gerar transformações estruturais – competências essenciais em organizações que buscam inovar de forma consistente”, pontua a executiva.

O debate sobre a relevância das formações de longo prazo recoloca no centro da agenda corporativa uma questão fundamental: o equilíbrio entre velocidade das demandas do presente com a construção de capacidades para o futuro. Isso porque apostar em jornadas educacionais mais profundas abre espaço para inovação, retenção e construção de valor sustentável, não apenas para os profissionais, mas para toda a organização.

*Dados de pesquisa realizada com alunos das duas turmas do Doutorado em andamento.

Dúvidas mais comuns

Formações de longo prazo são programas educacionais extensos, como especializações intensivas, mestrados, doutorados ou projetos de pesquisa aplicada, que promovem um desenvolvimento profundo e sustentável dos profissionais, indo além de treinamentos rápidos ou microlearning.

As empresas investem em formações de longo prazo para colher resultados em inovação, retenção de talentos e fortalecimento da cultura organizacional. Esses programas ampliam a visão sistêmica dos profissionais, estimulam o pensamento crítico e aumentam o engajamento e o sentimento de pertencimento.

Formações de longo prazo proporcionam aos colaboradores maior capacidade de tomada de decisão fundamentada, desenvolvimento de novas metodologias, orientação de outros profissionais e uma visão mais ampla e crítica do ambiente corporativo, favorecendo a liderança e a inovação.

Essas formações geram um efeito multiplicador na organização, promovendo a aplicação de novos conhecimentos, revisão de processos, estímulo à inovação e fortalecimento de uma cultura colaborativa e de aprendizagem contínua, o que contribui para a sustentabilidade e competitividade do negócio.

O paradoxo é que, enquanto as empresas buscam responder rapidamente a demandas emergentes com treinamentos pontuais e imediatistas, acabam deixando de lado iniciativas de formação profunda que poderiam ampliar a capacidade dos profissionais de liderar transformações e inovar de forma consistente.

O relatório aponta que 94% dos colaboradores permaneceriam mais tempo em empresas que investem em seu desenvolvimento, especialmente em programas mais extensos que envolvem pesquisa, mentoria e prática reflexiva, demonstrando o compromisso genuíno da organização com o crescimento profissional.

Os quatro pilares do lifelong learning são: aprender a conhecer (buscar conhecimento de forma significativa), aprender a fazer (praticar o que se aprende), aprender a conviver (desenvolver habilidades sociais e colaboração) e aprender a ser (cultivar o desenvolvimento pessoal e autonomia).

Os principais tipos de treinamento corporativo são: Integração (Onboarding) para novos funcionários, Treinamento Técnico (Hard Skills) para habilidades específicas, Treinamento Comportamental (Soft Skills) para habilidades interpessoais, e Desenvolvimento de Liderança para capacitar gestores. Outros tipos incluem treinamentos motivacionais, de equipe e corporativos focados em cultura organizacional.