Que todos nós desejamos trabalhar e ser felizes ao desempenharmos nossas funções, não tem nada de novo. A novidade é que, segundo pesquisas, o bem-estar e a felicidade no trabalho são capazes de aumentar a produtividade e o lucro das empresas. Esse foi o principal raciocínio desenvolvido pelo consultor Vinícius Kitahara no webinar “Felicidade Corporativa como Diferencial Estratégico”, veiculado na semana passada pelo FDC Signature, plataforma de educação executiva 100% digital da Fundação Dom Cabral.

Especialista no assunto, Katahara, professor convidado da FDC, defende que a felicidade dos funcionários torne-se uma missão dos líderes, pois ela combate grandes males do século, como depressão, ansiedade e solidão. Não sem motivo, os números apontam consequências profundas desse quadro.

Em 2024, o mercado global de saúde mental foi avaliado em US$ 448 bilhões. Devido à má saúde psíquica de funcionários, são 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano, com um prejuízo global de US$ 1 trilhão.

Para entender porque a felicidade corporativa é tão importante, Katahara recorre a um mantra repetido por Simon Sinek, palestrante motivacional britânico-americano: “100% dos colaboradores são pessoas e 100% dos clientes também. Se o líder não entende de pessoas, não entende de negócios”.

Colaboradores e clientes são pessoas

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford captou bem essa lógica. Após ouvir 1.636 empresas, a universidade concluiu que “quanto maior o índice de bem-estar em uma empresa, maior é sua lucratividade e melhor é o gráfico de ROI (Retorno Sobre o Investimento)”. Para Katahara, a maioria das empresas não tem um plano de ação para implantar felicidade no trabalho, mas o mundo corporativo precisa entender que investir neste sentimento é sinônimo de lucro.

Produtividade aumenta até 31%

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O consultor apresentou uma série de dados para corroborar este raciocínio. Segundo a revista Harvard Business Review (HBR), a felicidade corporativa pode elevar a produtividade em até 31%, além de favorecer o aumento da inovação em até 300%.

Já o Instituto Gallup aponta como consequência do bem-estar uma elevação na retenção de funcionários de até 44% e redução do turnover em 51%, enquanto a pesquisa Greenberg & Arakawa mostra que há até 125% de redução do burnout. E a Forbes sustenta que há 66% de redução nas ausências por doença. “A conclusão é que pessoas mais felizes ficam menos doentes, trocam menos de emprego e produzem mais. Então, a felicidade corporativa cuida das pessoas e das empresas”, traduz Kitahara .

Brasil pode exportar felicidade

O Brasil, que já foi considerado o país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), começa a dar bons passos em relação à busca da felicidade no trabalho, sendo pioneiro em diversas iniciativas para este objetivo. “No futuro, poderemos exportar felicidade”, comemora Katahara.

A Heineken, por exemplo, se tornou-se um case da consultoria ao implantar uma série de iniciativas para o bem-estar dos funcionários, criando até uma Diretoria da Felicidade.

Os investimentos da Heineken em pessoal parecem ter trazido grandes saltos de produtividade. Segundo Katahara, há três anos a Heineken Brasil estava em 16º lugar dentre os demais mercados mundiais da marca. Já em 2024, a empresa brasileira alçou o primeiro lugar mundial na operação e obtenção de melhores resultados dentre as representações da marca.

Leis começam a defender saúde mental

O consultor explica que o trabalho é baseado em quatro pilares: a felicidade do indivíduo; a felicidade do time; a felicidade da empresa; e a felicidade dos clientes. No Brasil, o conceito de felicidade também começa a aparecer na legislação.

A norma NR-1 aplicará multas a empresas com alto grau de burnout e outra lei dará certificação a companhias que protegem a saúde mental dos funcionários. Um outro exemplo governamental neste campo é do Butão, país que levou o assunto tão a sério que criou o Índice de Felicidade Interna Bruta (FIB). Segundo Katahara, a brasileira Gerdau começou a aplicar a metodologia do FIB. “Felicidade corporativa é um aspecto da governança e todo líder deveria levantar essa bandeira. É possível alinhar felicidade com bons resultados. Não é um ou outro. É um e outro”, defende Katahara.

O que gera boas conexões no trabalho?

felicidade no trabalho
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Mas o que será que traz felicidade a um colaborador? Segundo a Harvard, que aplica uma pesquisa contínua sobre o tema há 86 anos, ter relacionamentos de qualidade e confiança é o que mais gera satisfação do funcionário. Mas, de acordo com levantamentos da Vinning, os colaboradores têm em média apenas duas a três relações de confiança no trabalho. A empresa mapeou cinco formas de desenvolver boas conexões, dentre elas ações prosaicas:

  • 1º Lugar – Comer juntos. Almoçar ou jantar com colegas de trabalho eleva a qualidade das relações.
  • 2º. Lugar – Beber juntos. Não precisa ser álcool, pode ser um simples cafezinho ou uma xícara de chá.
  • 3º. Lugar – Aprender juntos. O ser humano gosta de estar perto de alguém que tem algo a ensinar. O funcionário precisa aprender no ambiente corporativo.
  • 4º Lugar – Divertir-se juntos. Um simples sorriso pode mudar relações pessoais e de trabalho.
  • 5º Lugar – Sofrer juntos. Pode ser doloroso, mas buscar juntos soluções para os problemas gera uma conexão profunda e verdadeira.

Comunicação com diferentes gerações

Outro aspecto abordado no webinar, a pedido de uma das ouvintes, foi a questão multigeracional presente em muitas empresas. Katahara comentou que muitas empresas reúnem quatro, até cinco gerações. Enquanto as gerações mais antigas priorizavam segurança e estabilidade, os mais novos estão focados em bem-estar e felicidade, até mais do que nos salários. Para o professor, as empresas precisam ter um “repertório ampliado” e adotar diversas linguagens para se comunicar com as várias gerações.

Dúvidas mais comuns

Felicidade no trabalho envolve a construção de um clima organizacional positivo, colaboração entre profissionais, infraestrutura adequada e estabilidade, além de contribuir para o bem-estar geral dos colaboradores e o sucesso da empresa.

Pesquisas mostram que a felicidade no trabalho pode aumentar a produtividade em até 31%, elevar a inovação em até 300%, melhorar a retenção de funcionários em 44% e reduzir o turnover em 51%, resultando em maior lucro para as empresas.

Além do aumento da produtividade, a felicidade corporativa reduz o burnout em até 125%, diminui as ausências por doença em 66% e contribui para um ambiente de trabalho mais saudável e engajado, beneficiando tanto colaboradores quanto a empresa.

A felicidade no trabalho é sustentada por quatro pilares: a felicidade do indivíduo, do time, da empresa e dos clientes, todos interligados para promover um ambiente corporativo saudável e produtivo.

Ter relacionamentos de qualidade e confiança é o que mais gera satisfação no trabalho. Atividades simples como comer, beber, aprender, divertir-se e enfrentar desafios juntos fortalecem essas conexões e aumentam a felicidade dos colaboradores.

Líderes que investem na felicidade dos colaboradores combatem problemas como depressão, ansiedade e solidão, além de melhorar a produtividade e os resultados da empresa, alinhando bem-estar com desempenho financeiro.

O Brasil tem sido pioneiro em iniciativas para promover a felicidade no trabalho, com empresas como a Heineken criando diretorias dedicadas ao bem-estar e leis que certificam companhias que protegem a saúde mental dos funcionários.