- Feedback analisa desempenho passado para corrigir falhas e reforçar acertos, enquanto feedforward orienta comportamentos futuros baseado em objetivos estratégicos a alcançar.
- Feedforward ganhou espaço nas empresas por acelerar desenvolvimento profissional, fortalecer competências comportamentais e estimular proatividade com caráter preventivo e estratégico.
- Comunicação Não Violenta integrada a essas práticas cria ambiente colaborativo onde elogios públicos replicam comportamentos positivos e feedback presencial com escuta ativa fortalece relações interpessoais.
O uso de ‘feedback’ e ‘feedforward’ tem se consolidado como uma das principais estratégias de liderança para melhorar o desempenho e fortalecer a comunicação nas organizações. Com o mundo corporativo cada vez mais orientado por resultados e desenvolvimento contínuo, essas práticas ajudam as empresas a alinhar expectativas, engajar equipes e impulsionar resultados.
Mesmo diante de múltiplas formas de interação no ambiente de trabalho, a comunicação ainda enfrenta ruídos e falhas. Nesse contexto, conceitos como a Comunicação Não Violenta (CNV) ganham espaço ao promover relações mais empáticas, claras e produtivas. Associados a ela, o ‘feedback’ (voltado à análise de ações passadas) e o ‘feedforward’ (com foco no desenvolvimento futuro), tornam-se ferramentas essenciais para a gestão de pessoas.
Os conceitos são abordados por Renata Vilhena, especialista em gestão pública e professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), em artigo apresentado no XIII Congresso Consad de Gestão Pública.
No documento, Renata descreve o feedback como um processo de comunicação em que uma pessoa recebe retorno sobre seu desempenho, comportamento ou compreensão diante de determinada situação. Seu propósito central é ajudar no desenvolvimento individual e profissional, permitindo reconhecer acertos, corrigir falhas e aprimorar competências. De modo geral, ele serve para reforçar comportamentos positivos, alertar sobre atitudes inadequadas, buscar pontos de melhoria e aprimorar resultados.
A autora destaca, ainda, que no processo de feedback, é importante focar em comportamentos, e não nas características individuais.
Já o feedforward é uma evolução ou variação do feedback tradicional. A principal diferença é que ele não se concentra no passado, mas no futuro. Enquanto o feedback analisa o que já ocorreu, o feedforward propõe um “olhar adiante”, identificando quais habilidades, competências e comportamentos precisam ser desenvolvidos para que o profissional alcance objetivos futuros.
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Como desenvolver comunicação assertiva com feedback
Além dos conceitos de ‘feedback’ e ‘feedforward’, o artigo sustenta que existem alguns hábitos para uma comunicação assertiva: como você se apresenta, ou seja, sua confiança, sua autenticidade, procurando ser você mesmo; ter uma coerência na fala, fazendo aquilo que você diz; sabendo se colocar no lugar do outro (empatia); trazendo para a comunicação a escuta e fazendo perguntas abertas, que demonstrem interesse; e, por fim, ter uma fala clara e objetiva, que não possibilite diversas interpretações.
Essas reflexões culminam com o conceito da Comunicação Não Violenta, desenvolvido pelo psicólogo Marshall B. Rosenberg (2015), que se baseia em estarmos conscientes das nossas necessidades e as dos outros, com a finalidade de falar sem machucar e ouvir sem se ofender. A prática propõe uma nova forma de se relacionar, com ferramentas úteis para superar os desafios que aparecem nas relações, causados pela forma que nos comunicamos, ou até mesmo pelo que deixamos de falar por medo do conflito.

Comunicação não violenta e feedback nas empresas
A CNV se baseia em quatro passos: observação, sentimento, necessidade e pedido. Após essas quatro etapas, o próximo passo é estar aberto ao diálogo e à negociação, promovendo a escuta ativa, dando abertura ao ‘feedback’ e ajustando, para que haja possibilidade de atendimento futuro do pedido, caso ele não possa ser executado de imediato.
O processo de feedback é uma ferramenta poderosa para o aprendizado e o crescimento contínuo, promovendo a reflexão e a autorregulação. Ele também pode melhorar a motivação e a produtividade, além de fortalecer as relações interpessoais, criando um ambiente de trabalho mais colaborativo e eficiente.
Elogios devem ser feitos em público

O espaço em que é realizado o ‘feedback’ é importante, diz o artigo. Elogios, por exemplo, devem ser feitos em público, pois todos que ouvirem o elogio entenderão o impacto positivo do comportamento e tentarão replicá-lo.
Alguns comportamentos do feedback também podem ser relevantes. Como exemplo, sentar-se frente a frente, permitindo um contato visual durante todo o tempo e evitar interrupções, com o celular no silencioso, ignorar os e-mails, mensagens e outras distrações.
O artigo cita ainda exemplos de ‘feedback’ importante uma reunião de trabalho na qual um dos colaboradores não se comportou bem. O líder deve conversar com o colaborador explicitando a reunião específica, detalhando data e horário da situação. É papel do líder deixar claro que o profissional não teve controle emocional e expor o impacto disso para a organização, mostrando que determinados comportamentos, para a equipe, podem gerar clima de falta de confiança e integração.
O que é feedforward e por que ele ganha espaço nas empresas
O ‘feedforward’, por sua vez, é um conceito mais recente no ambiente corporativo e tem como foco o desenvolvimento futuro. Diferente do ‘feedback’, que analisa o passado, o ‘feedforward’ propõe orientar ações e comportamentos com base em objetivos a serem alcançados.
Essa abordagem tem caráter preventivo e estratégico, ajudando profissionais a evoluírem de forma mais direcionada. Entre seus benefícios estão:
- aceleração do desenvolvimento profissional
- fortalecimento de competências comportamentais (soft skills)
- maior clareza sobre metas e expectativas
- estímulo à proatividade e à inovação
Segundo o artigo, o ‘feedforward’ é um processo preventivo, com foco no futuro e com uma orientação estratégica para melhoria do desempenho, diferente do ‘feedback’, que se caracteriza mais por uma resposta a uma ação do passado.
A prática pode ser incorporada em reuniões de acompanhamento, avaliações de desempenho e planos de desenvolvimento individual (PDI), tornando o processo contínuo e integrado à rotina da organização.
Para implementar o ‘feedforward’ de forma eficaz, é importante seguir alguns passos:
- Definir um objetivo claro (como desenvolver uma competência ou alcançar uma posição);
- Identificar habilidades necessárias para atingir esse objetivo;
- Oferecer recomendações práticas de desenvolvimento;
- Indicar comportamentos que devem ser mantidos, ajustados ou aprimorados.
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