Indústria farmacêutica pode ser modelo para regulação da “superinteligência” artificial
17 de maio de 2026
A regulação da inteligência artificial geral deveria seguir o modelo da indústria farmacêutica, exigindo comprovação de controle sobre os produtos criados.
Max Tegmark destaca que a falta de fiscalização na IA pode concentrar poder em Big Techs, criando riscos sociais e econômicos significativos.
A supervisão rigorosa da IA é crucial para evitar cenários distópicos e garantir que a tecnologia beneficie a sociedade de forma ampla e segura.
Resumo supervisionado por jornalista.
A inteligência artificial geral ou “superinteligência” artificial é um divisor de águas, segundo Max Tegmark, professor do MIT. Para ele, no entanto, é necessária uma regulação similar à da indústria farmacêutica, que determina que os desenvolvedores de tecnologia comprovem que têm controle sobre os produtos que criam.
Tegmark, autor do best seller “Vida 3.0: O ser humano na era da inteligência artificial”, destacou particularmente as normas da Federal Drug Administration (FDA), instituição dos Estados Unidos que controla a aprovação de medicação.
Para explicar melhor: ainda em teoria, a inteligência artificial geral teria a capacidade de usar o conhecimento de forma mais abstrata. Ou seja, ela aproxima ainda mais os computadores dos humanos. Isso abriria a possibilidade de criação, também, de uma espécie de “divindade digital” e de concentração de poder em poucas mãos.
Big Techs e a inteligência artificial geral
A assimetria de poder pode ser exemplificada, segundo Tegmark, pelas Big Techs, cujos executivos não foram eleitos democraticamente, mas concentram decisões que podem afetar toda a sociedade. Em um de seus exemplos, o pesquisador lembrou que não existe uma fiscalização nessa área, como acontece, por exemplo, na indústria de alimentos ou remédios.
Além disso, a inteligência artificial geral desenvolvida sem supervisão pode criar um cenário que mescla duas possibilidades bastante diferentes: uma distopia onde a obsolescência econômica cria profundas divisões sociais ou uma utopia, na qual as pessoas são livres para perseguir seus sonhos sem preocupações financeiras.
O ponto de vista do professor foi, inclusive, discutido no mais recente Fórum de Davos e, de acordo com reportagem da revista Exame, mostra a importância do assunto para a nata das finanças globais. Tegmark participou do evento paralelo “Colaboração na Era Inteligente”.
Em tempo: a supervisão da IA já vem sendo colocada em cheque há vários anos, com destaque para a iniciativa de 2023, na qual vários especialistas no mundo pediam por uma pausa no desenvolvimento da IA avançada. A pausa era simbólica, mas serviu como ponto de partida de reflexão sobre o tema.
Dúvidas mais comuns
A inteligência artificial geral (AGI) é um tipo de IA que possui inteligência semelhante à humana, capaz de executar qualquer tarefa intelectual que um ser humano pode realizar. Ela pode aprender, raciocinar e se adaptar a novas situações, aproximando os computadores das capacidades humanas.
A regulação da inteligência artificial geral é importante para garantir que os desenvolvedores tenham controle sobre as tecnologias que criam, evitando riscos como a concentração de poder em poucas mãos e possíveis impactos sociais negativos. Modelos regulatórios como o da indústria farmacêutica, que exige comprovação de segurança e eficácia, são sugeridos para a IA.
A indústria farmacêutica, por meio de órgãos como a FDA, exige que novos medicamentos passem por rigorosos testes e comprovações antes de serem aprovados para uso. Essa abordagem pode ser aplicada à inteligência artificial geral para garantir que tecnologias avançadas sejam desenvolvidas com supervisão, controle e segurança antes de serem liberadas ao público.
Sem supervisão adequada, a inteligência artificial geral pode criar cenários distópicos, como a obsolescência econômica que gera divisões sociais profundas, ou permitir a concentração excessiva de poder em empresas não eleitas democraticamente, como as Big Techs, afetando toda a sociedade sem fiscalização.
Existem quatro tipos principais de inteligência artificial: Máquinas Reativas, que não possuem memória e reagem a estímulos imediatos; Memória Limitada, que aprende com dados recentes para tomar decisões; Teoria da Mente, que está em desenvolvimento e entende emoções e intenções humanas; e Autoconsciente, um estágio hipotético onde a IA teria consciência de si mesma.
Max Tegmark, professor do MIT, defende que a inteligência artificial geral deve ser regulada de forma semelhante à indústria farmacêutica para garantir controle e segurança. Ele alerta para os riscos da concentração de poder e destaca a importância de supervisão para evitar consequências sociais negativas.
Em 2023, vários especialistas pediram uma pausa simbólica no desenvolvimento da inteligência artificial avançada para refletir sobre os riscos e a necessidade de regulamentação. Essa iniciativa destacou a importância do debate sobre a supervisão da IA e a responsabilidade dos desenvolvedores.
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