- EBITDA é um indicador financeiro que mede a eficiência operacional de uma empresa, mas não equivale à geração operacional de caixa.
- A depreciação e amortização são despesas não pagas em caixa, que aumentam o EBITDA, mas exigem reposição futura de ativos, impactando o fluxo de caixa real.
- Empresas devem monitorar detalhadamente o destino do EBITDA para identificar custos ou despesas ocultas e planejar a substituição de ativos, garantindo a saúde financeira.
Uma dúvida frequente das empresas é se o EBITDA é sinônimo de geração operacional de caixa. Porém, são análises distintas, eventualmente complementares.
O EBITDA (termo que vem do inglês “Earnings Before Interest, Tax, Depreciation and Amortization, ou Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) é um indicador financeiro que mede a eficiência operacional de uma empresa, mostrando seu potencial de geração de caixa a partir das atividades principais. Ele é usado para avaliar o desempenho de negócios, comparar empresas do mesmo setor, planejar investimentos e analisar a capacidade de pagamento de dívidas.
Conceito e como calcular o EBITDA

O artigo 187 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/76) apresenta o que deve constar em uma Demonstração de Resultados do Exercício (DRE):
Receita Bruta / Vendas Brutas
(-) Deduções, Abatimentos, Impostos sobre Vendas
(=) Receita Líquida
(-) Custos dos Produtos e Serviços Vendidos
(=) Lucro Bruto
(-) Despesas com Vendas
(-) Despesas financeiras (deduzidas das receitas financeiras)
(-) Despesas Gerais e Administrativas
(-) Outras Despesas Operacionais
(=) Lucro/Prejuízo Operacional
(-/+) Outras Receitas / Outras Despesas
(=) Resultado antes do Imposto de Renda/CSLL
(-) Imposto de Renda / CSLL
(=) Lucro/Prejuízo Líquido do Período
Ou seja, não há previsão na legislação sobre o EBITDA. A principal razão para isso é que a depreciação e a amortização estão contidas nos custos e nas despesas.
Assim, para que se chegue ao EBITDA é necessário separar estas duas contas. Feito isso, a DRE passa a ter a seguinte “cara”, com mais duas linhas e duas siglas (em negrito):
Receita Bruta / Vendas Brutas
(-) Deduções, Abatimentos, Impostos sobre Vendas
(=) Receita Líquida
(-) Custos dos Produtos e Serviços Vendidos
(=) Lucro Bruto
(-) Despesas com Vendas
(-) Despesas Gerais e Administrativas
(-) Outras Despesas Operacionais
(=) EBITDA
(-) Depreciação e Amortização
(=) Lucro/Prejuízo Operacional (EBIT)
(-) Despesas financeiras (deduzidas das receitas financeiras)
(-/+) Outras Receitas / Outras Despesas
(=) Resultado antes do Imposto de Renda/CSLL
(-) Imposto de Renda / CSLL
(=) Lucro/Prejuízo Líquido do Período
As definições destas duas variáveis são:
Depreciação: perda de valor de um ativo tangível (imobilizado) ao longo de sua vida útil, devido a desgaste, uso ou obsolescência.
Amortização: alocação do custo de um ativo intangível ao longo de sua vida útil, como um processo gradual de “desgaste”, semelhante à depreciação de ativos tangíveis. O exemplo mais “clássico” para a amortização é a patente, que perde seu valor durante a sua vigência (ou até quando torna-se domínio público).
Como entender o conceito na prática
O mais comum de acontecer na empresa é a depreciação. Muitas vezes apenas a questão fiscal/tributária (redução do Lucro Antes do Imposto de Renda – LAIR) é levada em consideração, mas estamos ao longo de mais de vinte anos insistindo no conceito de depreciação, que é a perda de valor econômico do ativo imobilizado, além da incompleta afirmação de que depreciação não tem efeito caixa – efetivamente nunca vimos um boleto com o cedente DEPRECIAÇÃO S/A, mas, outro lado, a RECEITA se transformará em caixa.
De acordo com o professor Clóvis Luís Padoveze, em sua obra A Maldição do EBITDA, “a maioria dos bens (e eventualmente direitos) sofrem um processo de perda de valor ou deterioração econômica, em razão do uso, desgaste ou obsolescência, levando, ao mesmo tempo, à perda do poder de produzir lucros futuros”. Padoveze afirma também que “essa perda de valor econômico (a depreciação) obriga as empresas a fazerem a reposição de bens (máquinas, equipamentos, instalações, veículos, móveis, entre outros), a qual é feita comprando novos bens, gerando saída de caixa”.
Para exemplificar, em uma transportadora de cargas cliente PAEX, fizemos uma comparação entre EBITDA e a efetiva geração de caixa da empresa, ilustrada na imagem a seguir:

Podemos observar que:
- a receita bruta foi integralmente recebida pela empresa;
- os impostos sobre vendas foram integralmente pagos;
- os custos dos serviços vendidos (combustíveis, peças e manutenções) efetivamente pagas;
- as despesas totais (aluguel, administrativo) também quitadas;
- importante observar que, como a empresa adquire os equipamentos com recursos próprios, não incorre em despesas financeiras;
- imposto de renda (IRPJ) e contribuição social (CSLL) também foram pagos.
A análise mostra que a depreciação teve lançamento na DRE, mas, como não foi paga, aumentou o caixa da empresa.
Assim, no final do período, o fluxo de caixa da empresa foi a soma do lucro líquido + EBITDA (R$ 254.098,66).
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Dicas práticas
O principal ensinamento é que EBITDA não é geração operacional de caixa. O conceito refere-se a uma métrica de eficiência operacional, que indicará o que poderá se refletir em caixa.
A principal dica é: rastreie com lupa o destino do dinheiro do EBITDA em sua empresa. Se está recebendo todas as vendas realizadas, incorrendo em todos os custos e despesas (estes com movimentação financeira), onde foi parar o dinheiro do EBITDA?
Ele pode estar “mascarando” algum custo, despesas ou tributo. Além disso, em algum momento futuro, o imobilizado terá que ser substituído.
* Eduardo Menicucci, do Centro de Inteligência de Médias Empresas da Fundação Dom Cabral