Síndrome da impostora é um termo para exemplificar a situação de mulheres que assumem cargos de liderança e se sentem desqualificadas para a missão. A CEO da farmacêutica Mertz Aesthetics no Brasil, Giovana Pacini, combate esse viés e tem se empenhado a identificar e apoiar as mulheres líderes nesse embate.
Ela, já como uma executiva de sucesso, sentiu a situação em 2020 e precisou da ajuda profissional de um coaching para identificar que sofria apenas de uma insegurança sem sentido, pois estava plenamente qualificada para o cargo que assumia. “Senti muito desconforto em assumir esta cadeira [a atual, de CEO]. Já tinha experiência em marketing e vendas, mas eu tinha de entender e organizar diversas áreas para as quais não tinha expertise, como finanças, supply chain e assuntos regulatórios”. “Então, eu pensei: ‘não sou capaz’. Fizeram a proposta para a pessoa errada. Vou ser uma farsa”, revelou a executiva, em programa veiculado pelo Valor, em parceria com a CBN.

Capacidade para assumir o cargo
Após as seções de coach, a decisão de assumir a posição levou a executiva a perceber que podia encarar não só aquele, mas qualquer outro desafio no mundo corporativo. Desde então, ela passou a recomendar a todas as mulheres que passarem por processo semelhante que procurem ajuda. Afinal, tanto quanto os homens, há mulheres que precisam assumir o seu papel de líder.
Além disso, segundo a executiva, há estudos mostrando que, historicamente, os homens entram muito mais seguros em reuniões, discussões e entrevistas, e isso tende a intimidar as mulheres. “Muitas vezes, as mulheres sabem mais do que os homens, mas supõem que não sabem o suficiente [síndrome de impostora]. Com os homens, acontece o contrário”, avaliou.
Mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança no Brasil

No Brasil, as mulheres ocupam 38% dos cargos de liderança, segundo uma pesquisa da consultoria global Grant Thornton, publicada na Forbes. Dado o recorte do último Censo Demográfico do IBGE, divulgado em 2022 e no qual as mulheres são 51,5% da população brasileira, fica evidente a disparidade proporcional entre homens e mulheres nas lideranças corporativas.
Em termos mundiais, o recorte é semelhante, com 100 mulheres para cada 94,2 homens. Uma pesquisa divulgada pela plataforma de recrutamento InfoJobs mostra que a síndrome de impostora também está presente no recorte global, sendo que 73,7% das mulheres sentem que precisam ser mais qualificadas do que os homens para assumir cargos de liderança.
Outra pesquisa, esta feita pela Universidade da Geórgia, identificou que 70% das executivas entrevistadas se sentiam uma fraude no trabalho. Além disso, a síndrome de impostora abala a confiança de 75% das mulheres no mercado, de acordo com um outro estudo, feito em 2020, pela KPMG. Entre as 700 executivas entrevistadas, 56% temiam que as pessoas ao seu redor não acreditassem que elas eram tão capazes quanto o esperado.
Sindrome de impostora teve origem em pesquisas americanas
Segundo a matéria da Forbes citada no início deste texto, o termo síndrome da impostora foi criado em 1978 pelas psicólogas norte-americanas Pauline Clance e Suzanne Imes, da Universidade Estadual da Geórgia. Suas pesquisas, com 150 mulheres, mostraram que quanto mais bem-sucedidas, mais inseguras elas se sentiam.
Naquela época, o mercado de trabalho era ainda mais masculino e, só a partir da década de 1970, a presença das mulheres começou a ser intensificada nos ambientes corporativos, em linha com as transformações econômicas, sociais e culturais. A expansão da economia, a industrialização e a crescente urbanização favoreceram essa entrada, assim como os movimentos feministas, a queda da taxa de fecundidade e o maior acesso à educação.
Dúvidas mais comuns
-
-
A síndrome da impostora é um fenômeno psicológico em que a pessoa, apesar de suas conquistas e qualificações, sente-se insegura e incapaz, acreditando ser uma fraude e que não merece o sucesso alcançado. É comum entre mulheres em cargos de liderança, que duvidam de sua capacidade mesmo diante de evidências contrárias.
-
-
Os sintomas incluem dúvida constante sobre as próprias habilidades, atribuição do sucesso à sorte, perfeccionismo extremo, medo de críticas e fracasso, autossabotagem, esforço excessivo para compensar a suposta incompetência, dificuldade em aceitar elogios, comparação constante com os outros e exaustão física e mental (burnout).
-
-
Muitas mulheres líderes sentem que precisam ser mais qualificadas do que os homens para assumir cargos de liderança, o que abala sua confiança e pode levar a inseguranças e medo de não serem reconhecidas como capazes. Isso pode limitar sua atuação e crescimento profissional, apesar de terem competência comprovada.
-
-
O termo foi criado em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, da Universidade Estadual da Geórgia, a partir de pesquisas que mostraram que mulheres bem-sucedidas frequentemente se sentiam inseguras e como se fossem fraudes, especialmente em um contexto de mercado de trabalho predominantemente masculino.
-
-
Para superar a síndrome da impostora, recomenda-se cultivar o pensamento positivo, investir em autoconhecimento, desenvolver habilidades comportamentais como autoconfiança e comunicação, evitar comparações com os outros, encarar desafios e aceitar fracassos como aprendizado, além de ser gentil consigo mesmo e buscar ajuda profissional quando necessário.
-
-
No Brasil, as mulheres ocupam cerca de 38% dos cargos de liderança, apesar de representarem 51,5% da população. Essa disparidade mostra que ainda há um caminho a ser percorrido para a igualdade de gênero nas posições de comando nas empresas.
-
-
Historicamente, o mercado de trabalho foi dominado por homens, e as mulheres enfrentam barreiras culturais e sociais que reforçam inseguranças. Estudos indicam que homens tendem a entrar mais seguros em reuniões e entrevistas, enquanto mulheres, mesmo com conhecimento, duvidam de sua capacidade, o que alimenta a síndrome da impostora.