Assim como uma pessoa ambidestra pode comandar suas duas mãos com a mesma habilidade, a empresa ambidestra é aquela que tem a capacidade de manter um equilíbrio entre inovar e, ao mesmo tempo, não perder o foco de seu negócio.

Uma pergunta atual é como as corporações podem ser ambidestras em tempos de transformação digital.

Na área de saúde, o relatório Transformação digital e ambidestria: como e se adotar uma estratégia ambidestra favorece a implementação da transformação digital nos hospitais públicos e privados no Brasil? é um bom ponto de partida para responder.

Segundo Ricardo Ferreira Gazoli, autor do estudo e professor convidado (e aluno do mestrado) da Fundação Dom Cabral (FDC), a resposta é sim: a ambidestria facilita a adoção da transformação digital. Ele entrevistou 20 executivos de hospitais públicos e privados no Brasil, sendo que 16 dos profissionais ouvidos responderam positivamente ao questionamento do estudo, que foi orientado pelo professor Paulo Renato de Souza.

Gazoli defende que essa estratégia é vista como um elemento crítico para a vantagem competitiva sustentável, pois permite às organizações perceber e aproveitar oportunidades, reconfigurar ativos e lidar com as complexidades inerentes à inovação.

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Dito isso, a ambidestria, no universo analisado pelo consultor, precisa considerar cinco pontos, listados a seguir.

1. Equilíbrio entre eficiência e inovação

Profissional de saúde anota informações em um tablet em ambiente clínico, destacando a importância da tecnologia na medicina moderna.
Foto: Hparatlala/ Shutterstock

A ambidestria ajuda a resolver o paradoxo de ter que gerenciar simultaneamente as atividades comerciais estabelecidas e as rápidas mudanças trazidas por novas iniciativas digitais. As organizações que conseguem equilibrar essa tensão tendem a alcançar um desempenho superior.

2. Aceleração da mudança

A adoção de uma estratégia ambidestra pode acelerar significativamente diversos aspectos da transformação digital hospitais, incluindo a adoção de novas tecnologias, melhorias nos processos e nos cuidados ao paciente e na mudança cultural.

3. Implementação estratégica e estrutural

Profissionais de saúde conversando em corredor de hospital, incluindo enfermeira com tablet e médico com estetoscópio, ambiente moderno de pronta-escola.
Foto: Monkey Business Images/ Shutterstock

Para que a transformação digital seja bem-sucedida, é necessário adotar uma estratégia ambidestra claramente definida, pois isso equipa melhor as organizações para a adaptação e a inovação. Isso envolve desde equipes a processos.

4. Cultura, liderança e engajamento dos colaboradores

O sucesso da ambidestria na transformação digital depende fortemente da presença de líderes com mentalidade ambidestra e um desejo generalizado de inovação. Também é fundamental que haja uma boa comunicação dos líderes para garantir que os colaboradores entendam os objetivos e a importância de seu trabalho. É necessário capacitar os colaboradores e eliminar a resistência à tecnologia.

5. Fomento à inovação

A estratégia ambidestra facilita a busca por diversas formas de inovar dentro do ecossistema de saúde, entre elas a possibilidade de que os hospitais desenvolvam processos internamente ou lancem mão de parceiros externos. Embora o uso seja baixo, a ambidestria encoraja o entendimento e aproveitamento de mecanismos de incentivo, como a Lei do Bem, a Lei da Informática e a FINEP, que oferecem benefícios fiscais ou financiamento para projetos de pesquisa, desenvolvimento e otimização de processos hospitalares.

Dúvidas mais comuns

Ambidestria organizacional é a capacidade de uma empresa equilibrar a inovação com a manutenção do foco em seu negócio principal, permitindo que ela gerencie simultaneamente atividades estabelecidas e mudanças rápidas trazidas pela transformação digital.

A ambidestria facilita a transformação digital em hospitais ao permitir que eles acelerem a adoção de novas tecnologias, melhorem processos e cuidados ao paciente, e promovam mudanças culturais necessárias para a inovação.

Os cinco pontos essenciais são: equilíbrio entre eficiência e inovação; aceleração da mudança; implementação estratégica e estrutural; cultura, liderança e engajamento dos colaboradores; e fomento à inovação, incluindo o uso de incentivos fiscais e parcerias externas.

A liderança é crucial porque líderes com mentalidade ambidestra promovem a inovação, comunicam claramente os objetivos e engajam os colaboradores, ajudando a eliminar resistências e capacitando-os para o uso de novas tecnologias.

Os três pilares básicos da transformação digital são processos, pessoas e tecnologias, que juntos sustentam a implementação eficaz de mudanças digitais nas organizações.

Exemplos incluem o uso de big data, gestão automatizada, gestão de documentos online, assinatura digital, inteligência artificial na gestão, internet das coisas e melhorias na experiência do usuário.

A transformação digital impulsiona o desenvolvimento econômico e social, criando oportunidades em áreas antes negligenciadas ou marginalizadas, e promovendo o crescimento de comunidades inteiras por meio de iniciativas tecnológicas.