A desigualdade no Brasil tem cor e gênero, segundo o pesquisador Ricardo Henriques, que acaba de assumir como professor associado especial da Fundação Dom Cabral (FDC). Com vasto currículo no meio acadêmico e fundacional – ele é diretor superintendente do Instituto Unibanco – Henriques foi professor da Universidade Federal Fluminense por mais de 30 anos e exerceu vários cargos públicos, inclusive como secretário federal e estadual. Para ele, especialista em políticas públicas, a mulher negra ocupa o extremo da distribuição de renda no país e, quando se fala em educação, o homem negro é – percentualmente – o que menos conclui os 12 anos de ensino fundamental e médio.
Segundo Henriques, a aplicação de políticas públicas no Brasil é complexa e deve levar em consideração as desigualdades regionais e de renda, raça e educação. Ele destaca que a desigualdade social voltou a crescer no país depois de 2015.
A pobreza extrema, por exemplo, que tinha caído de 16% para 4% nas últimas décadas, voltou a subir, chegando a índices de 6%. Os dados são pré-pandemia, ou seja, a situação pode ter piorado ainda mais.
O padrão de renda mensal média também mostra diferenças regionais, com o Norte e o Nordeste abaixo das médias das demais áreas. Além de regional, a desigualdade se mostra maior em termos de raça e gênero.
Desigualdades têm raça e gênero
Henriques, com a experiência na UFF e no Instituto Unibanco, além das posições como gestor público nas três esferas de governo, destaca que as diferenças de renda por raça e gênero evidenciam fatores históricos do Brasil, como o racismo estrutural.
Essas diferenças, segundo ele, deveriam pautar as políticas públicas. Enquanto o branco, com formação superior completa, tem uma renda média mensal de R$ 7 mil reais e apenas 5% de taxa de desemprego, a mulher negra, com formação em ensino médio incompleto, enfrenta outra realidade: renda média de R$ 1 mil e taxa de desemprego de 30%.
O recorte educacional não é menos perverso em termos de desigualdades. No Brasil, cerca de 54% dos alunos que ingressaram no ensino fundamental terminam os 12 anos de formação (incluindo o ensino médio) com no máximo um ano de atraso. No Chile, por exemplo, o percentual é de 87%. De cada 100 alunos brasileiros, 66 concluem a formação básica de ensino fundamental e médio.
As meninas brancas se saem melhores, com um índice de 88%, enquanto os meninos negros têm os piores resultados: apenas 53, de cada 100, termina o ciclo. Mesmo os alunos mais ricos do Brasil têm índices internacionais que muitas vezes não atingem o padrão dos alunos mais pobres de países desenvolvidos, como a Coreia do Sul.
Dúvidas mais comuns
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A desigualdade social no Brasil é extrema, marcada por uma concentração massiva de renda e riqueza nas mãos de poucos, enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades para suprir necessidades básicas. Essa desigualdade tem raízes históricas, como a colonização e a escravidão, e é agravada pelo racismo estrutural, falta de acesso à educação, saúde e saneamento, além de disparidades regionais e de gênero.
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No Brasil, a desigualdade de renda é evidente entre grupos raciais e de gênero. Por exemplo, um branco com formação superior completa tem uma renda média mensal de cerca de R$ 7 mil e baixa taxa de desemprego, enquanto uma mulher negra com ensino médio incompleto tem renda média de R$ 1 mil e taxa de desemprego de 30%. Essas diferenças refletem o racismo estrutural e a exclusão histórica.
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A desigualdade educacional no Brasil é significativa, com apenas cerca de 54% dos alunos que ingressam no ensino fundamental concluindo os 12 anos de ensino básico com até um ano de atraso. Meninas brancas têm melhores índices de conclusão (88%), enquanto meninos negros apresentam os piores resultados (53%). Essa disparidade limita as oportunidades de formação e emprego para os grupos mais vulneráveis.
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A desigualdade no Brasil tem cor e gênero porque fatores históricos, como o racismo estrutural e a exclusão social, afetam desproporcionalmente negros e mulheres. A mulher negra, por exemplo, está no extremo inferior da distribuição de renda e enfrenta altas taxas de desemprego, enquanto homens negros têm menor taxa de conclusão escolar, evidenciando que raça e gênero são determinantes fundamentais das desigualdades.
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As desigualdades regionais no Brasil são marcantes, com o Norte e o Nordeste apresentando renda média mensal e Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) inferiores às demais regiões. Essas disparidades refletem diferenças no acesso a serviços públicos, infraestrutura e oportunidades econômicas, contribuindo para a persistência da pobreza e exclusão social nessas áreas.
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Para enfrentar as desigualdades no Brasil, as políticas públicas devem considerar as diferenças regionais, raciais, de gênero e educacionais. É fundamental implementar ações que combatam o racismo estrutural, promovam a inclusão social e melhorem o acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento. Programas como o Bolsa Família ajudaram a reduzir a pobreza extrema, mas é necessário um esforço contínuo e mais eficaz.
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A desigualdade social no Brasil está associada a altos índices de violência, insegurança alimentar e favelização. Milhões de pessoas enfrentam fome ou insegurança alimentar, além de acesso precário a serviços básicos como saúde e saneamento. Essas condições dificultam a mobilidade social e perpetuam ciclos de pobreza e exclusão.