A microaposentadoria tem sido vinculado à Geração Z (nascidos entre 1990 e 2010), mas a ideia tem mais tempo. A origem do termo, na verdade, vem do livro The 4-Hour Workweek, de Timothy Ferriss, publicado em 2007. Numa tradução livre, o título do best seller – pois foi um sucesso na época – seria trabalhe 4 horas por semana.
De acordo com o jornal The Guardian, o conceito foi apropriado pelos mais jovens, mas é uma iniciativa aparentada do velho conhecido ano sabático. Diferentemente do ano sabático, no entanto, quem adere à microaposentadoria faz planejamento cíclicos. Por exemplo: a cada três anos de trabalho, passam um ano viajando. Isso até o final de suas vidas.
Em resumo, a microaposentaria seria um estilo de vida. E, com esse estilo, os profissionais podem combater o esgotamento físico e mental, tirando um tempo para focar em si mesmos. É o caso de quem para durante seis meses para se entregar a projetos pessoais, enquanto está com saúde e energia.
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Estamos falando do oposto, que é esperar até os 60 ou 70 anos, como na aposentaria tradicional, para viajar ou se investir em novos projetos muito mais cedo.
E vale a pena destacar, como faz a reportagem do The Guardian, que a microaposentaria não envolve somente viagens e sim iniciativas pessoais, que podem variar desde novos hobbies até trabalhos voluntários.
Mudança de mentalidade em busca do equilíbrio
A história de Tim Ferris explica bem desse estilo de vida. Também serve para ilustrar como o conceito mudou desde 2007. Na época, Ferris era um ativo participante da comunidade de startups do Vale do Sicílio, e teve um momento em que a realidade pesou, quando passava férias na Itália, mais exatamente em Florença.
Embora estivesse numa das capitais da Renascença, ele passava mais de dez horas por dia enfurnado num cibercafé, como detalha a revista New Yorker, na sugestiva matéria “Revisitando a semana de trabalho de 4 horas”.
Ao perceber que sua empresa não teria o sucesso de outras startups e que poderia passar a vida preso a uma rotina estafante, Ferris decidiu concentrar-se nos clientes mais rentáveis. Adicionalmente, ele adotou uma espécie de terceirização de sua operação, coordenando remotamente a equipe de parceiros.
A decisão rendeu uma agenda simplificada e um roteiro de viagem em países como a Argentina, onde o dólar supervalorizado permitiu luxos, incluindo aulas intensivas de espanhol. A experimentação foi consolidada no seu livro famoso, onde mostrou a insustentabilidade da vida de muitos profissionais como ele.
Mais do que isso, Ferris indicava como atingir o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, algo que soa como música para as novas gerações e explica o porquê da microaposentaria estar na moda.
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Com o benefício do tempo, a visão do criador do termo mudou. Se antes ele estava preocupado em buscar “doses mínimas efetivas”, em 2021 ele já admitia uma postura pragmática, focada na otimização da saúde e do condicionamento físico.
Depois da pandemia e do estabelecimento do trabalho híbrido, as abordagens mais recentes falam dos benefícios da microaposentaria e de roteiros para colocar o conceito literalmente na rua.
Na lista da revista Forbes, os ganhos incluem:
- redução de burnouts: ao ter a oportunidade de se envolver em atividades de autocuidado, dedicar-se a hobbies e recarregar suas baterias mentais e físicas, os microaposentados reduzem a possibilidade de passar por burnout e melhoram o bem-estar geral.
- Melhoria do desenvolvimento de habilidades e crescimento profissional: as pausas são oportunidades valiosas para desenvolvimento profissional e de habilidades. Isso torna, inclusive, os profissionais mais ativos e valiosos para sua organização.
- Aumento da lealdade e retenção: ao permitir que os funcionários façam essas pequenas pausas, as organizações podem promover um senso mais forte de comprometimento e valorização da força de trabalho.
Do lado das corporações, a estratégia de abraçar estruturas de trabalho mais flexíveis pode tirar o melhor partido das microaposentadorias, como destaca um artigo do LinkedIn.
Para alcançar resultados de maior retenção e de aumento de produtividade, os especialistas sugerem cargos ou papéis em projetos baseados em atuação part-time, além de políticas flexíveis de afastamento.
Os programas desenhados especialmente para combinar desenvolvimento de carreira com os interesses dos colaboradores também devem fazer parte das iniciativas.
Com os pés no chão, os profissionais também precisam fazer seu planejamento. Nesse caso, a cartilha envolve cinco pontos:
- Preparação financeira: economize pelo menos 6 a 12 meses de despesas.
- Defina uma meta: persiga uma paixão, desenvolva uma habilidade ou explore um novo setor.
- Tenha um plano de retorno: cultive contatos profissionais e mantenha-se informado sobre as tendências do setor.
- Considere uma renda extra: um trabalho de meio período pode ajudar a sustentar sua pausa e adicionar estrutura.
- Esteja preparado para desafios: procurar emprego após uma pausa na carreira pode ser difícil, então prepare uma narrativa forte para potenciais empregadores.
Dúvidas mais comuns
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Microaposentadoria é um estilo de vida que consiste em fazer pausas cíclicas no trabalho para dedicar tempo a projetos pessoais, viagens ou hobbies, ao invés de esperar até a aposentadoria tradicional para aproveitar a vida. A ideia foi popularizada pelo livro "The 4-Hour Workweek", de Timothy Ferriss, em 2007.
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Na prática, a microaposentadoria envolve planejamento para alternar períodos de trabalho com pausas prolongadas, como passar um ano viajando a cada três anos de trabalho. Esse modelo permite combater o esgotamento físico e mental, promovendo equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
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Os benefícios incluem redução do burnout, melhoria do bem-estar geral, desenvolvimento de habilidades durante as pausas, crescimento profissional e maior energia para se dedicar a novos projetos ou hobbies, além de promover um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal.
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Empresas que adotam políticas flexíveis de afastamento e cargos part-time podem aumentar a retenção e lealdade dos funcionários, além de melhorar a produtividade. Programas que combinam desenvolvimento de carreira com interesses pessoais dos colaboradores também são recomendados para apoiar essa prática.
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É importante preparar financeiramente, economizando de 6 a 12 meses de despesas, definir metas claras, manter contatos profissionais e atualizar-se sobre o mercado, considerar uma renda extra para sustentar a pausa e estar preparado para desafios na reinserção profissional após o período de afastamento.