• A conexão emocional entre equipes e líderes é essencial para aumentar o engajamento e melhorar resultados financeiros nas empresas, segundo estudos recentes.
  • A falta de engajamento gera perdas anuais de R$ 77 bilhões no Brasil, causadas por turnover elevado e presenteísmo, impactando diretamente a produtividade e o crescimento empresarial.
  • A liderança moderna deve atuar como mentor, usando tecnologia para liberar tempo e focar em desenvolver o potencial humano, promovendo segurança psicológica e fidelização dos talentos.
Resumo supervisionado por jornalista.

A necessidade de conexão entre pessoas é fundamental para o sucesso das empresas no cenário atual de incertezas econômicas e rápidas mudanças tecnológicas. Organizações que conseguem administrar as altas demandas de mercado, ao mesmo tempo em que priorizam o crescimento e a criatividade de seus colaboradores, tendem a alcançar melhores resultados financeiros e criar mais valor para os clientes, stakeholders e sociedade.

Na contramão deste conceito, corporações que não põem o ser humano no centro de suas iniciativas vêm registrando perdas de R$ 77 bilhões ao ano (o que equivale a 0,66% do PIB), decorrentes da falta de engajamento dos funcionários, que mesmo estando presentes física ou remotamente, estão mentalmente desconectados de suas tarefas.

Segundo o relatório Tendências de Capital Humano 2025, da Deloitte, a conexão entre lideranças e equipes não é apenas mais uma questão de cultura, mas uma estratégia de negócio essencial para transformar tensões em triunfos e garantir a sustentabilidade humana e empresarial em um mundo sem fronteiras. O estudo destaca que a liderança moderna não deve focar apenas resultados financeiros de curto prazo, o que seria agir meramente como um “algoritmo”, nem focar exclusivamente o bem-estar humano, o que seria interpretado apenas como “tutela”. A boa gestão surge da conexão, da integração desses dois pilares, onde o foco no elemento humano é o que desbloqueia e sustenta o desempenho organizacional em longo prazo.

O estudo também mostra que organizações que conseguem navegar por tensões de mercado e priorizam o crescimento e a imaginação de seus colaboradores, promovendo boa conexão, tendem a ter 1,8 vezes mais chances de reportar melhores resultados financeiros e serem 1,4 vezes mais propensas a criar valor amplo para clientes, comunidade e sociedade.

O líder deixa de ser controlador para atuar como mentor

Gestora e funcionário formando uma conexão no ambiente de trabalho, simbolizando colaboração e relacionamento profissional.
Foto: Dragana Gordic / Shutterstock / Modificada com IA

Já um relatório da Randstad, empresa de recursos humanos, com análises para 2026, diz que as lideranças precisam entender que “o futuro é humano e automatizado”. O estudo sustenta que a tecnologia não substituiu os líderes, mas transformou radicalmente o conceito de liderança.

Com a maturidade da inteligência artificial e a automação total das tarefas administrativas, o “gestor de tarefas” tornou-se uma figura do passado. Hoje, o tempo que antes era consumido por relatórios e controle de processos foi libertado para aquilo que é verdadeiramente humano: a conexão, a estratégia e o propósito.

“Este novo paradigma exige uma transição corajosa do líder, que passa do papel de controlador para mentor. Já não basta dominar o ‘como’ o trabalho é feito, uma vez que os algoritmos já garantem essa eficiência. O verdadeiro desafio reside em inspirar o ‘porquê’. A liderança na era da automação exige uma mudança profunda de mindset, no qual o sucesso de um gestor deixa de ser medido pela sua capacidade de supervisão e passa a ser avaliado pela sua habilidade de desbloquear o potencial criativo e emocional das suas equipes”, explica o relatório.

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Seguindo o conceito de “liderança humanizada”, a Randstad destaca que “o líder de 2026 deve usar a tecnologia para ganhar tempo e usar esse tempo para ouvir, estar presente e construir uma cultura de confiança que nenhum algoritmo consegue replicar”. A transição de “chefe” para “mentor” e facilitador de conexão entre seres humanos e empresas é, talvez, a mudança mais profunda da liderança na era da automação. O líder moderno compreende que o seu gabinete (físico ou virtual) deixou de ser um centro de controle de tarefas para se tornar um espaço de desenvolvimento humano.

O papel do líder passou a ser o de “desbloqueador” de potencial. Quando as tarefas repetitivas são entregues à máquina, o que sobra é inovação, criatividade e resolução de problemas complexos. A mentoria organizacional na cultura da empresa gera impactos como:

  • aumento do engajamento, pois o colaborador sente que a sua carreira está evoluindo, não apenas a sua lista de tarefas;
  • segurança psicológica, já que cria-se um ambiente onde o erro é uma oportunidade de mentoria e não de punição;
  • fidelização do talento: em 2026, as pessoas não vão se despedir das empresas, mas despedir-se de líderes que não as ajudam a evoluir.

Engajamento dos trabalhadores brasileiros recuou

O outro lado da moeda do conceito de “liderança humanizada” está na pior consequência da falta de conexão entre humanos e empresas, o desengajamento. O estudo Engaja S/A, promovido pela Flash, plataforma de gestão de RH, entrevistou 5.397 profissionais em todo o país, entre junho e agosto de 2025. A terceira edição da pesquisa mostrou que o engajamento dos trabalhadores brasileiros recuou ao menor patamar desde o início da série histórica do estudo: apenas 39% dos profissionais se disseram engajados, o que representa uma queda de cinco pontos percentuais em relação a 2024.

Um dos achados relevantes da pesquisa foi a mensuração do custo econômico do desengajamento: a combinação de turnover e presenteísmo (estar presente no local de trabalho física ou remotamente, mas mentalmente desconectado) gera as já citadas perdas de R$ 77 bilhões por ano – sendo que R$ 71 bilhões resultam do elevado turnover, enquanto o presenteísmo representa cerca de R$ 6,3 bilhões. Metade dos profissionais desengajados relatou perder até duas horas de produtividade por dia por falta de motivação.

60% dos entrevistados pensam em pedir demissão

Mulher sorridente em entrevista de emprego, com um homem de costas em ambiente de escritório moderno.
Foto: StoryTime Studio / Shutterstock / Modificada com IA

De acordo com a pesquisa, em 2025, 60% dos pesquisados disseram ter pensado em pedir demissão com alguma frequência. A intenção se refletiu em ações: 64% candidataram-se a vagas e 42% participaram de entrevistas no período. Entre os engajados, só 8% relataram pensar frequentemente em sair. Dos 5.397 respondentes, 61% não têm ensino superior, 54% recebem entre 1 e 3 salários mínimos e 42% trabalham em micro, pequenas e médias empresas.

Medidas de descanso e equilíbrio mostraram associação positiva com engajamento: trabalhadores em modelo de semana de quatro dias alcançam 53% de engajamento (14 pontos acima da média). Em contraste, quem trabalha em escalas 6×1 e 12×36 registra engajamento mais baixo (40% e 36%, respectivamente) e índices elevados de ansiedade, insônia e fadiga — especialmente na 12×36, em que 23% relatam ansiedade diária. 

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Dúvidas mais comuns

Engajamento no trabalho refere-se ao nível de conexão emocional e mental que um colaborador tem com suas tarefas e com a organização. Um funcionário engajado está motivado, comprometido e sente que seu trabalho tem propósito, o que contribui para melhores resultados organizacionais.

A conexão emocional entre equipes e líderes é fundamental porque promove um ambiente de confiança, segurança psicológica e motivação, que são essenciais para o crescimento, criatividade e desempenho sustentável das organizações. Essa conexão ajuda a transformar tensões em oportunidades e a manter o engajamento dos colaboradores.

O desengajamento gera perdas anuais de R$ 77 bilhões no Brasil, equivalentes a 0,66% do PIB, devido ao turnover elevado e ao presenteísmo, onde funcionários estão fisicamente presentes, mas mentalmente desconectados. Isso resulta em queda de produtividade, aumento da rotatividade e perda de talentos.

A liderança moderna deve atuar como mentor, focando em desbloquear o potencial criativo e emocional das equipes, em vez de apenas controlar tarefas. Com a automação das funções administrativas, o líder deve usar o tempo liberado para construir conexões humanas, inspirar propósito e promover uma cultura de confiança.

Os quatro elementos principais do engajamento dos colaboradores são alinhamento, envolvimento, reconhecimento e desenvolvimento. Esses pilares ajudam a garantir que os funcionários se sintam valorizados, motivados e alinhados com os objetivos da empresa.

A tecnologia automatiza tarefas administrativas, liberando os líderes para focar no aspecto humano da gestão, como conexão, estratégia e propósito. Isso exige uma mudança de mindset, onde o líder deixa de ser um controlador para se tornar um mentor que inspira e desenvolve o potencial humano da equipe.

Práticas como oferecer modelos de trabalho equilibrados, como a semana de quatro dias, promover segurança psicológica, incentivar a mentoria e criar uma cultura de confiança são eficazes para aumentar o engajamento. Essas ações ajudam a reduzir o estresse, a ansiedade e a fadiga, melhorando a motivação e a produtividade.