- A ambidestria empresarial, que combina inovação contínua e operações eficientes, gera mais lucro, crescimento e relevância para as organizações em ambientes voláteis.
- Estudos da McKinsey e He e Wong mostram que empresas ambidestras têm taxas de crescimento até três vezes maiores e superam concorrentes em receitas e lucros.
- A adoção da ambidestria exige mentalidades exploradoras e foco estratégico de conselhos e lideranças para garantir sustentabilidade e vantagem competitiva a longo prazo.
Em um mundo corporativo cada vez mais dinâmico, volátil e sujeito a rápidas mudanças tecnológicas, a chamada ambidestria empresarial – conceito que significa cuidar do presente, ao mesmo tempo em que se constrói o futuro da organização – se destaca como uma estratégia essencial para garantir a longevidade e a relevância das empresas.
Além de garantir o crescimento e a competitividade, a ambidestria também pode significar mais lucro no curto, médio e longo prazos. O ganho financeiro é consequência da capacidade das empresas ambidestras de manter operações eficientes, enquanto buscam inovar continuamente.
Artigo veiculado pela CNN Brasil mostra que, segundo a consultoria McKinsey, as empresas que são líderes em transformação digital apresentam taxas de crescimento três vezes superiores às demais. A lógica é que “quem sabe inovar e operar ao mesmo tempo consegue faturar mais”. O texto acrescenta que estudo realizado pela empresa de consultoria He e Wong demonstrou que empresas que praticam a ambidestria superam seus concorrentes em termos de receitas e lucros. A combinação de “exploração e explotação” permite que essas empresas desenvolvam novos produtos enquanto refinam os existentes.
Não basta sobreviver, é preciso prosperar
O artigo da CNN Brasil é assinado por Edu Paraske, especialista em Inovação e criador do canal do YouTube Elefante Limonada, focado em inovação, empreendedorismo e criatividade, com reflexões sobre gestão, cultura organizacional e comportamento. Paraske destaca que a ambidestria corporativa vem emergindo como uma estratégia vital para garantir que as organizações não apenas sobrevivam, mas prosperem.
Mas nem todas as empresas conseguem promover a ambidestria. O especialista cita outra pesquisa da McKinsey, que apontou que 70% das iniciativas de transformação falham, muitas vezes devido à “falta de alinhamento entre inovação e operações existentes”.
Quais são os benefícios da ambidestria

Para estimular as empresas a serem bem-sucedidas na busca da ambidestria, Paraske listou os benefícios desse conceito para a saúde financeira das corporações.
- A receita cresce: quem sabe inovar e operar ao mesmo tempo consegue faturar e crescer mais. Isso se deve à capacidade dessas organizações de inovar continuamente, enquanto mantêm operações eficientes.
- Os custos diminuem: ambidestria não é só criatividade, é eficiência. Um estudo realizado pela Gartner revelou que 53% das empresas buscam melhorar a experiência do cliente e aumentar a receita por meio da inovação, o que se reflete na eficiência dos processos.
- Há vantagem competitiva: organizações ambidestras conseguem se destacar em mercados saturados. Elas não apenas mantêm sua posição, mas se adaptam rapidamente às mudanças nas demandas dos consumidores, como demonstrado pelo sucesso do Google, Apple e Facebook, que começaram como startups em garagens.
- Aumento da inovação: organizações ambidestras são mais inovadoras. Um estudo da consultoria He e Wong mostrou que empresas praticantes da ambidestria superam seus concorrentes em termos de receitas e lucros.
- Melhoria na eficiência operacional: a capacidade de manter operações eficientes enquanto se busca inovação é um dos principais benefícios da ambidestria corporativa. Empresas como a Magazine Luiza exemplificam essa abordagem, ao integrar suas operações físicas com plataformas digitais.
- Resiliência em ambientes turbulentos: a ambidestria corporativa confere resiliência às organizações em tempos de crise. Durante a pandemia de COVID-19, empresas que conseguiram rapidamente adaptar suas operações foram as que já possuíam estruturas ambidestras.
Capacidade antecipatória deve ser promovida
A ambidestria empresarial é um dos conceitos abordados e detalhados pelo programa da Fundação Dom Cabral (FDC) “Foresight, Tech & IA na Sala do Conselho”, que capacita conselheiros, CEOs e C-Levels a compreender e liderar essas transformações, conectando tecnologias, ética e estratégia para promover crescimento sustentável, geração de valor e perenidade organizacional.
Gustavo Donato, Vice-Presidente de Conhecimento e Aprendizagem da Fundação Dom Cabral (FDC) e integrante de organizações como o Conselho Global do Grupo Stefanini, defendeu que Conselhos e altas lideranças podem aprimorar a capacidade antecipatória das empresas e promover destaque em um cenário de transformações.
“De uma perspectiva estratégica e de geração de valor, Conselhos e demais instâncias da governança corporativa e do C-Level devem contar com mentalidades ambidestras, exploradoras, curiosas e que incorporem de forma consistente as abordagens de foresight estratégico na construção de cenários”, defende Donato. “Ser ambidestro significa combinar foco na entrega de resultados positivos no curto prazo, com iniciativas que geram posição competitiva no médio e no longo prazos”, acrescenta o professor.
Conselhos precisam olhar para o futuro
Mas, segundo Donato, muitas organizações enfrentam dificuldade para se tornar ambidestras, pois falta “olhar para o futuro”:
“É natural que o ser humano olhe mais para o curto prazo, mas isso não é bom na arquitetura de governança do Conselho. O Conselho de Administração é responsável por zelar pela geração de valor de longo prazo, pela longevidade próspera da organização. Existe uma tendência de altas lideranças e conselheiros entrarem muito no operacional, deixando de olhar a big picture. Não estou dizendo que não precisamos cuidar do core business de curto prazo; ele é vital para gerar fluxo de caixa e margem. Mas a ambidestria é justamente combinar os dois”, afirmou o professor, em entrevista ao Seja Relevante.
Muitas empresas não alcançam a ambidestria

Segundo texto publicado no site da consultoria de gestão internacional Arthur D. Little, as empresas podem ser definidas como ambidestras “quando resolvem continuamente o dilema entre serem rápidas e criativas e também escaláveis e produtivas”. A consultoria também afirmou que nem todas as organizações conseguem alcançar a ambidestria. As empresas ambidestras estabelecem um equilíbrio caracterizado por forte ênfase em ambas as dimensões. “Mas a grande maioria das empresas se concentra em apenas uma das dimensões”, afirmou a consultoria.
Segundo a D. Little, empresas com foco em velocidade e criatividade possuem capacidades que permitem “antecipação, inovação e adaptação”. Isso se traduz em atributos corporativos como perspicácia e visão de futuro, inspiração e paixão, e aprendizado com os erros. Já as empresas que se destacam na dimensão de escala e produtividade demonstram forte capacidade em planejamento, otimização e controle.
A Amazon seria um ótimo exemplo de organização ambidestra, segundo a consultoria, por estar sempre em busca das ideias de negócios inovadores, atendendo às necessidades dos clientes antes mesmo que eles percebam que precisam delas. Essa abordagem é impulsionada por uma cultura bem estabelecida de invenção, curiosidade e foco na ação.