• Empresas precisam reconhecer as mudanças climáticas como um risco econômico crítico que exige transformação rápida em seus modelos de negócios e governança.
  • Eventos climáticos extremos crescentes e a pressão de clientes e investidores têm impulsionado a adoção mais séria de agendas ESG, apesar do histórico de greenwashing.
  • Escolas de negócio devem ampliar a formação executiva sobre clima para preparar líderes capazes de implementar estratégias eficazes alinhadas à agenda climática nacional e internacional.
Resumo supervisionado por jornalista.

O mundo corporativo precisa entender que as mudanças climáticas afetam não só a situação do planeta, mas também seus próprios negócios. As últimas versões do relatório do Fórum Econômico Mundial identificaram que as mudanças climáticas representam um dos cinco riscos mais importantes para a economia global. Ainda assim, as ações para mitigar este risco são insuficientes e os números mostram que o aquecimento global vem aumentando. Diante de uma espécie de ‘negacionismo climático’ verificado nas empresas, as escolas de negócio têm um papel cada vez mais relevante para levar os executivos a ampliarem seus conhecimentos sobre o assunto.

As observações acima foram feitas no artigo ‘Mudanças Climáticas: preparando líderes e organizações para as ações’, publicado na última edição da Revista DOM, da Fundação Dom Cabral (FDC). O artigo é assinado por Viviane Barreto de Azevedo Lamego, diretora de Relações Internacionais da FDC; e Virgílio Viana, vice-presidente de conhecimento e aprendizagem da FDC com foco na Amazônia.

Exemplos de eventos climáticos

mudancas climaticas

Alguns exemplos de eventos climáticos extremos são ondas de calor, enchentes e estiagens prolongadas que vêm sendo registradas em diversos países. Eventos climáticos no Brasil incluem a maior seca da história no Amazonas e a enchente que assolou mais de 95% do Rio Grande do Sul. A mudança climática exige que as empresas avaliem e adotem novas práticas. O mundo corporativo deve estar preparado para transformar seus modelos de negócios e de governança, bem como modelos mentais e culturas de forma efetiva e rápida.

“As empresas precisam entender como suas entradas e saídas, e os mercados para seus produtos e para financiamento são afetados por um clima em mudança. A discussão de clima e seus impactos não é uma discussão isolada da sustentabilidade, mas um tema de estratégia, na qual ela pode ser uma oportunidade ou uma ameaça ao futuro da empresa. Indústrias como as de seguros, inclusive, já estão discutindo o tema, o que impactará os negócios”, alerta o artigo.

‘Greenwashing’ e ESG verdadeiro

mudancas climaticas

Apesar da gravidade do tema, num primeiro momento, muitas empresas reagiram com o ‘greenwashing’, ou ações de maquiagem do problema. Mas, diante da pressão de clientes, investidores e colaboradores, muitas dessas empresas passaram a adotar com mais seriedade ações de agenda ESG (Environment, Social and Government).

Embora não ainda seja ideal, o Brasil vem desempenhando papel relevante nas discussões internacionais sobre o clima. Na última COP (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas), em Dubai, a delegação brasileira foi a maior de todos os tempos. Mas não é apenas com o amadurecimento orgânico neste tema que o Brasil irá se preparar para a COP 30, em Belém, em 2025. O Brasil e suas empresas serão cobrados sobre o seu engajamento na agenda climática. Falta pouco tempo e a necessidade desta evolução se torna cada vez mais urgente.

O papel das escolas de negócios

O tema mudanças climáticas é complexo e demanda transformações em sistemas de produção, transição energética, conscientização da sociedade, formas de financiamento, riscos, dentre diversas questões. As escolas de negócios precisam contribuir para que os executivos ampliem seu entendimento sobre como a liderança de um time ou organização pode contribuir para a transformação. Grande parte dos executivos brasileiros não tem muita clareza sobre quais ações devem liderar para alinhar suas organizações à agenda climática. Em geral, no Brasil, os programas de educação formal e executiva passam de forma superficial pelo assunto. Na maior parte dos casos, a formação dos executivos sobre a agenda climática é fruto de palestras em eventos e leituras sobre o tema.  Por isso, a compreensão sobre o assunto ainda é restrita a apenas uma pequena parte do mundo corporativo.

Com missão alinhada à proposta pela rede de escolas de negócios europeias para a liderança climática (Business Schools for Climate Leadership), a FDC apresenta propostas de ação na agenda climática na dimensão de Prosperidade Ambiental, da Iniciativa Imagine Brasil. A Imagine Brasil tem o propósito de contribuir diretamente para a prosperidade sustentável e inclusiva do país, integrando lideranças do mercado, da sociedade civil e do setor público para este fim. A iniciativa busca mobilizar e inspirar agentes de diferentes segmentos da sociedade brasileira para influenciar, desenvolver e implementar políticas públicas, preceitos e práticas empresariais transformadoras.

Seis programas prioritários

Para concretizar as ideias, a iniciativa Imagine Brasil – Prosperidade Ambiental sugeriu que a implementação de uma estratégia nacional deva incluir seis programas prioritários, todos contando com ações dos setores público, privado e terceiro setor:

  • Programa de redução do desmatamento e degradação ambiental;
  • Programa de redução da poluição do ar;
  • Programa de descarbonização da economia e redução de emissões;
  • Programa de despoluição das águas;
  • Programa de fortalecimento da gestão ambiental;
  • Programa de fomento à economia verde.

Dúvidas mais comuns

As mudanças climáticas podem afetar as empresas ao alterar a disponibilidade de recursos como água e energia, modificar padrões de demanda, interromper cadeias de suprimentos, aumentar custos e causar atrasos na produção, impactando diretamente a operação e a sustentabilidade dos negócios.

As empresas têm um papel fundamental no combate às mudanças climáticas, pois suas operações contribuem significativamente para a emissão de gases poluentes. Adotar ações para reduzir essas emissões é essencial para construir um futuro mais sustentável e garantir a continuidade dos negócios diante dos riscos climáticos.

'Greenwashing' refere-se a ações superficiais ou de maquiagem que algumas empresas adotam para aparentar preocupação ambiental sem efetivamente reduzir seu impacto. Com a pressão de clientes, investidores e colaboradores, muitas empresas passaram a implementar ações reais de ESG (Environmental, Social and Governance), buscando integrar práticas sustentáveis de forma séria e efetiva.

As escolas de negócios têm um papel importante em ampliar o conhecimento dos executivos sobre mudanças climáticas, preparando-os para liderar transformações em modelos de negócios, governança e cultura organizacional. Elas ajudam a formar líderes capazes de alinhar suas organizações à agenda climática e promover ações efetivas contra os riscos ambientais.

Eventos climáticos extremos que afetam empresas incluem ondas de calor, enchentes e estiagens prolongadas. No Brasil, exemplos recentes são a maior seca da história no Amazonas e enchentes que atingiram mais de 95% do Rio Grande do Sul, evidenciando a urgência de adaptação e mitigação no setor corporativo.

A estratégia nacional deve incluir seis programas prioritários: redução do desmatamento e degradação ambiental; redução da poluição do ar; descarbonização da economia e redução de emissões; despoluição das águas; fortalecimento da gestão ambiental; e fomento à economia verde. Esses programas envolvem ações coordenadas dos setores público, privado e terceiro setor.