A gestão empresarial com dois CEOs no comando tem vários exemplos internacionais bem-sucedidos, como os casos da Netflix e da Salesforce. Os chamados co-CEOs também começam a ser uma realidade no Brasil, e três exemplos recentes indicam os benefícios do modelo.

O primeiro deles envolve uma singularidade adicional: as duas co-CEOs da fintech ACG – Liliane Josua Czarny e Adriana Katalan – também são irmãs. Elas defendem que um dos ingredientes do sucesso da gestão compartilhada é exatamente a convivência prévia. No caso delas, essa etapa envolveu mais de 20 anos vivendo na mesma casa, quando ambas eram solteiras.

Especializada em pacotes de benefícios para funcionários de outras empresas, a fintech movimentou R$ 4,7 bilhões em transações durante 2024. Em menos de um ano, a empresa também dobrou o número de colaboradores, comprovando o acerto da coliderança, na avaliação das CEOs.

Operando desde 2021 nessa configuração, elas destacam a comunicação direta como uma ferramenta importante, além da proximidade para a tomada de decisões. Outra dica da dupla é sempre finalizar as demandas que precisam da etapa de fechamento.

Divisão de atividades é um desafio

Foto: My Ocean Production/ Shutterstock

O segundo exemplo de co-CEOs é o da incorporadora Tishman Speyer, focada no mercado de alto padrão. Assim como na ACG, a coliderança envolve duas executivas – Leila Jacy e Haaillih Bittar –-que dividem o comando das operações desde 2022. O maior desafio, segundo elas, é a divisão de atividades.

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No caso da incorporadora, os papéis são claros: Leila cuida da área de negócios, enquanto Haaillih responde pela gestão das áreas financeira, jurídica e de RH. Detalhe: ambas também têm um relacionamento profissional que supera dez anos.

A dupla masculina Lindolfo Paiva e Johannes Castellano, co-CEOs da rede de franquias de doces Mr.Cheney, é mais um exemplo brasileiro. O compartilhamento acontece desde 2022 e um dos conselhos da dupla é que os CEOs não devem se preocupar em pensar exatamente da mesma maneira.

O sucesso dos casos brasileiros de cogestão, descritos na reportagem do jornal Valor, também tem comprovação internacional, segundo Paulo Almeida, diretor do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Pessoas e Liderança da Fundação Dom Cabral (FDC).

De acordo com ele, empresas com coliderança afinada em alto nível têm um desempenho 6% superior no EBIDTA, ou seja, no resultado de lucro antes da aplicação de impostos, depreciação e amortização. Ele acrescenta ainda que esse modelo tem ganhado impulso quando envolve cenários de sucessões familiares, fusões ou ainda de transformação digital.

Almeida ressalta que a alternativa de cogestão é uma opção ousada de escolha organizacional, e um dos seus principais desafios é deixar bem claro o papel de cada co-CEO na corporação.

Dúvidas mais comuns

Um co-CEO é um modelo de liderança compartilhada em que duas pessoas dividem o papel de Chief Executive Officer (CEO), ou seja, a liderança máxima da empresa é exercida por dois gestores simultaneamente, permitindo uma gestão colaborativa e complementar.

A coliderança com co-CEOs pode trazer benefícios como maior comunicação direta, decisões mais ágeis e um desempenho financeiro superior, como evidenciado por um aumento médio de 6% no EBIDTA em empresas que adotam esse modelo bem afinado.

Um dos principais desafios é a definição clara dos papéis e responsabilidades de cada co-CEO para evitar sobreposição e conflitos. Além disso, a divisão de atividades deve ser bem estruturada para garantir eficiência na gestão compartilhada.

O modelo de co-CEOs tem ganhado impulso especialmente em cenários de sucessões familiares, fusões de empresas e processos de transformação digital, onde a complexidade da gestão pode se beneficiar da liderança compartilhada.

A convivência prévia, como no caso das co-CEOs da fintech ACG que são irmãs e viveram juntas por mais de 20 anos, pode fortalecer a comunicação e a confiança, facilitando a tomada de decisões e o alinhamento estratégico na gestão compartilhada.

Empresas brasileiras como a fintech ACG, a incorporadora Tishman Speyer e a rede de franquias Mr.Cheney têm adotado o modelo de co-CEOs, destacando a importância da comunicação, divisão clara de responsabilidades e respeito às diferenças de pensamento entre os líderes.

O CEO (Chief Executive Officer) é o principal executivo da empresa, responsável pela liderança geral. O CCO (Chief Commercial Officer) foca nas estratégias comerciais e vendas, enquanto o COO (Chief Operating Officer) supervisiona as operações diárias da empresa, estando hierarquicamente abaixo do CEO.