Acionistas e/ou herdeiros de empresas familiares enfrentam o desafio de identificar o modelo de Ecossistema de Governança Corporativa (EGC) mais adequado à sua realidade, considerando sua cultura empresarial e as características próprias dos núcleos familiares envolvidos.

Em geral, o desejo dos controladores é dotar a companhia de uma estrutura que permita:

  1. conceituar um EGC, de forma que a estratégia reflita os diversos propósitos e visões dos núcleos controladores, norteando os negócios no longo prazo;
  2. elaborar um Mapa de Prioridades, identificando os possíveis caminhos estratégicos e atribuindo papéis e responsabilidades claras a acionistas, herdeiros e gestores;
  3. estabelecer premissas e acordos que garantam a perpetuidade do negócio, assegurando um processo sucessório pacífico;
  4. promover o alinhamento societário e o compartilhamento das regras decisórias entre os núcleos familiares, notadamente sobre as possibilidades de futuro dos negócios;
  5. alinhar as expectativas dos núcleos familiares e sistematizar os papéis dos agentes do EGC e as competências dos respectivos órgãos que o compõem.

Em negócios familiares maduros, os acionistas frequentemente se preocupam com a formação das lideranças executivas e com a preparação dos membros do núcleo familiar para o futuro desejado.

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O debate aberto sobre o tema entre as partes interessadas estimula esses membros a compreenderem, de forma ativa, a jornada do EGC — conforme ilustrado no gráfico a seguir.

O quadro apresenta, de forma concreta, o desafio de construir o envolvimento geracional e instrumentos que eventualmente estarão presentes na jornada do ESG.

Os representantes das diferentes gerações dos núcleos familiares encontram, na abordagem de que governança é um ecossistema, instrumentos concretos que os auxiliem a tomar decisões em três frentes fundamentais:

  1. resolução das questões de liderança dos núcleos familiares e sua representação nas questões relacionadas aos rumos do negócio;
  2. direcionamento estratégico frente ao desafio da perpetuidade organizacional;
  3. criação de mecanismos eficazes para a condução do dia a dia empresarial.

A identificação do momento adequado para a construção conjunta da jornada do EGC é um elemento de grande valor. Um bom grau de maturidade é demonstrado quando se estabelecem as regras de deliberação sobre os interesses dos núcleos familiares no momento oportuno.

A construção conjunta da jornada do EGC permite que os envolvidos reflitam não apenas sobre o futuro dos negócios, mas também sobre o futuro de cada núcleo e de seus membros familiares. Isso desenvolve uma “linha mestra” de conduta e avaliação, que orientará a forma de ver e negociar suas aspirações, compromissos mútuos e responsabilidades.

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A necessidade de organizar os núcleos familiares demanda que alguns documentos sejam elaborados, tais como Protocolo de Família, Código de Conduta dos membros da Família e outros instrumentos que reforcem o alinhamento, a transparência e o compromisso entre gerações.

O EGC estabelece também em seu escopo de influência o regramento das três esferas que fazem parte do encadeamento de solução de temas importantes.

Assim, a construção de um EGC em empresas familiares não é sinônimo de definição de normas, mas um exercício de diálogo e alinhamento entre as gerações. É fator de sucesso envolver os núcleos familiares nas discussões de longo prazo do negócio e da própria sustentabilidade familiar.

Por Artur Neves – Professor do Programa de Desenvolvimento de Conselheiros (PDC) da Fundação Dom Cabral (FDC)

Dúvidas mais comuns

Um Ecossistema de Governança Corporativa (EGC) em empresas familiares é uma estrutura que busca alinhar a estratégia da empresa com os propósitos e visões dos núcleos familiares controladores, promovendo a perpetuidade do negócio por meio do diálogo e do alinhamento entre gerações.

Os principais objetivos incluem conceituar um modelo que reflita os interesses dos núcleos familiares, elaborar um mapa de prioridades estratégicas, definir papéis e responsabilidades claras, garantir um processo sucessório pacífico, e promover o alinhamento societário e decisório entre as gerações.

O EGC cria mecanismos para o alinhamento das expectativas familiares, sistematiza papéis e competências dos agentes envolvidos, e estabelece regras de deliberação que asseguram a continuidade do negócio e a preparação das futuras lideranças, promovendo a sustentabilidade a longo prazo.

Documentos como o Protocolo de Família e o Código de Conduta dos membros da família são essenciais para reforçar o alinhamento, a transparência e o compromisso entre as gerações, facilitando a governança e a convivência harmoniosa no ambiente empresarial.

Porque a governança corporativa envolve um exercício contínuo de diálogo, alinhamento e construção conjunta entre as gerações familiares, focando na sustentabilidade do negócio e da família, e não apenas na definição rígida de regras e normas.

Os pilares fundamentais são Transparência, Equidade, Prestação de Contas (Accountability) e Responsabilidade Corporativa, que juntos promovem confiança, alinham interesses e garantem a sustentabilidade da organização.

O diálogo aberto estimula o entendimento ativo da jornada do EGC, permite que as gerações reflitam sobre o futuro dos negócios e da família, e ajuda a construir uma linha mestra de conduta que orienta a negociação de aspirações, compromissos e responsabilidades mútuas.