• A COP30 destaca que o setor privado pode lucrar significativamente ao investir em ações e soluções voltadas para a transição climática global.
  • Em 2024, investimentos em energia renovável ultrapassaram US$ 2 trilhões, gerando 35 milhões de empregos e impulsionando títulos verdes com juros menores no Brasil.
  • A conferência de Belém será uma plataforma para monitorar compromissos climáticos, incentivar ações empresariais e integrar o setor privado na economia sustentável futura.
Resumo supervisionado por jornalista.

O investimento em iniciativas em torno da transição climática poderá gerar ganhos não apenas para o planeta como um todo, mas também para as próprias empresas. O raciocínio foi exposto na sétima carta à comunidade brasileira e internacional da presidência da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que convoca o setor privado a participar ativamente dos compromissos que serão firmados no encontro, que poderá tornar-se “a maior plataforma mundial de soluções climáticas transformadoras, no qual as empresas, em conjunto com outros atores, poderão moldar a futura economia global”.

Em reportagem publicada no site do Valor Econômico, a carta, assinada pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou não apenas a importância da participação do setor privado na transição climática, como também as oportunidades que podem ser geradas por esses investimentos.

“A transição climática em curso é irreversível. E ela é a principal oportunidade de negócios do nosso tempo. A participação do setor privado é vital e a oportunidade é histórica”, defendeu o documento. A carta acrescentou que “os líderes empresariais que antecipam as mudanças radicais que se avizinham serão aqueles que irão prosperar, ao construir resiliência e aproveitar as oportunidades excepcionais que a transição oferece”.

Investimentos em energia limpa somam US$ 2 trilhões

O documento citou alguns exemplos do setor privado que estão prosperando à luz de iniciativas ligadas à transição climática. Com base em dados do relatório das Nações Unidas “Aproveitando o momento da oportunidade”, a carta destacou que apenas a geração de energia renovável representou mais de US$ 2 trilhões em investimentos globais em 2024, com 35 milhões de empregos em 2023. No caso do Brasil, o Tesouro Nacional, empresas e bancos emitiram mais de US$ 30 bilhões em títulos verdes até 2024, com taxas de juros mais baixas do que os títulos tradicionais. O documento acrescentou que o setor de energias renováveis já gerou mais de 1,5 milhão de empregos.

	
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, discute estratégias para setor privado lucrar com ações climáticas na conferência sobre mudanças climáticas.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30 (Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil)

A carta convocou o setor privado a se conectar à agenda de ação que está sendo promovida pela presidência da COP30. Em entrevista a jornalistas, André Corrêa do Lago disse que “os setores econômicos mais ativos nas negociações sempre foram os que sentem que vão perder mais”. Mas agora o jogo está virando, o cenário global começa a viver um novo momento em relação às ações que devem ser implementadas contra as mudanças climáticas.

“É uma nova fase de ação do setor privado, que até agora estava concentrado em pressionar seus governos para que não aceitassem, nas negociações climáticas, pontos que pudessem ser negativos para seus setores”, disse o presidente da COP30.

Países devem divulgar suas NDCs até o encontro

Embora estejamos a menos de dois meses da conferência, que acontecerá entre 10 e 21 de novembro, em Belém, a carta destacou a expectativa de que, nesse ínterim, muitos países terão divulgado seus novos compromissos climáticos para 2035, por meio das NDCs (“Nationally Determined Contributions” ou Contribuições Nacionalmente Determinadas). Os novos comprometimentos deverão se tornar instrumentos voltados para o futuro, orientando o desenvolvimento e proporcionando previsibilidade ao setor privado.

Ana Toni, CEO da COP30
Ana Toni, CEO da COP30 (Foto: Presidência da COP30)

Ana Toni, CEO da COP30, disse que as NDCs estão sendo feitas agora, com mais detalhes, neste terceiro ciclo desde o Acordo de Paris, firmado em 2015, “com planos setoriais e instrumentos econômicos mais específicos, para dar mais segurança ao setor privado”.

“As NDCs estão sendo vistas quase como planos de investimentos”, afirmou Toni.

Compromissos precisam ser monitorados

A sétima carta produzida pela COP30 também deu ênfase à necessidade de “monitoramento” de alianças e compromissos assumidos por empresas, governos e outras instituições. E assinalou que há mais de 400 declarações do gênero feitas nos últimos anos, mas nunca monitoradas. 

“Precisamos criar uma maneira de monitorar estes compromissos e dar credibilidade à implementação. Haverá um ganho entre desvincular o que é negociação de implementação”, afirmou Corrêa do Lago, defendendo que “o monitoramento deverá incentivar a ação”.

Outro ponto destacado no documento é tentar reverter a chamada dinâmica de “greenhushing” – movimento no qual empresas, em função de ameaças de governos (como é o caso dos EUA, sob Donald Trump), recuam em seus planos climáticos. Segundo a carta, alianças do setor financeiro e de seguros, por exemplo, vêm sendo desmontadas, assim como planos net zero de grandes bancos americanos. 

COP30 é “oportunidade de arregaçar as mangas”

Corrêa do Lago reconheceu os “desafios logísticos” enfrentados por quem planeja participar da COP30, que tornou-se alvo de intensa especulação imobiliária e hoteleira em Belém, o que sobrevalorizou o custo das hospedagens das delegações, levando várias delas a reduzir o tamanho das equipes enviadas. Mas o dirigente contrapôs que a conferência, longe de ser uma “feira de negócios”, representará uma oportunidade única de troca de ideias e práticas para enfrentar a crise do clima no planeta, e muitas soluções deverão ser apresentadas.

“Ir a Belém é uma oportunidade de arregaçar as mangas, ouvir, aprender e somar-se ao espírito colaborativo do Mutirão Global. Esses diálogos críticos devem acontecer não apenas onde é fácil, mas sobretudo onde mais importa”, defendeu o presidente da COP30.

Dúvidas mais comuns

A participação do setor privado na COP30 é vital, pois representa uma oportunidade histórica para as empresas prosperarem ao antecipar as mudanças da transição climática, construindo resiliência e aproveitando oportunidades de negócios ligadas à defesa do clima.

Investir em iniciativas de transição climática pode gerar ganhos financeiros para as empresas, além de benefícios ambientais. Exemplos incluem investimentos em energia renovável, que movimentaram mais de US$ 2 trilhões globalmente em 2024, e a emissão de títulos verdes no Brasil, que já somam mais de US$ 30 bilhões com taxas de juros mais baixas.

As NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) são compromissos climáticos que os países devem divulgar até a COP30, orientando o desenvolvimento e proporcionando previsibilidade ao setor privado. Elas estão sendo elaboradas com mais detalhes e planos setoriais para dar mais segurança e funcionam quase como planos de investimento.

O monitoramento dos compromissos é essencial para garantir credibilidade e incentivar a implementação efetiva das ações climáticas. Atualmente, existem mais de 400 declarações feitas por empresas e governos que ainda não foram monitoradas, o que dificulta avaliar o progresso real e a eficácia dessas iniciativas.

A COP30 enfrenta desafios como o aumento dos custos de hospedagem em Belém devido à especulação imobiliária, o que levou algumas delegações a reduzir suas equipes. Apesar disso, o evento é uma oportunidade única para troca de ideias e práticas colaborativas para enfrentar a crise climática, especialmente por ocorrer na Amazônia, região crucial para o clima global.