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– A COP30, em Belém, destaca a importância do multilateralismo na luta contra as mudanças climáticas, reunindo cerca de 50 mil participantes de diferentes setores, como governos, empresas e sociedade civil, em meio a um cenário global desafiador, marcado por conflitos e negacionismo climático.

– O embaixador Rubens Ricupero enfatiza que o financiamento climático precisa ser diversificado, já que os países não conseguem prover recursos significativos, e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) mostram a necessidade de mais colaboração internacional.

– Iniciativas integradoras como o acordo entre os governadores da Califórnia e do Pará, além de projetos de cidades inteligentes e ações do setor privado, demonstram o potencial de soluções colaborativas para enfrentar os desafios climáticos.

Resumo supervisionado por jornalista.

A COP30 ainda não terminou, mas a primeira semana de discussões já antecipa uma lição: ninguém faz nada sozinho. Em um mundo polarizado, marcado por guerras e conflitos, não é mais possível o planeta esperar que apenas os governos nacionais ajam. O multilateralismo se impõe, sendo necessário integrar iniciativas não só de nações, mas de cidades, empresas, Ongs, representantes da sociedade civil, pesquisadores, academia e líderes ambientais locais. Assim, a COP30 reúne em Belém cerca de 50 mil participantes, entre países, líderes políticos, diplomatas, cientistas, ativistas e representantes do setor privado.

Em comparação com a Rio92, na década de 90, uma espécie de “mãe” da COP30, o mundo e o clima político estão mais desafiadores. O planeta enfrenta pelo menos dois grandes conflitos: a guerra na Ucrânia e o embate entre Israel e Gaza. Soma-se a isso o negacionismo climático de líderes como o presidente dos EUA, Donald Trump, o que dificulta as negociações ambientais globais.

O dinheiro não virá mais apenas de países

O cenário convida à promoção de ações visando integrar diversos setores da sociedade, como defendeu o embaixador Rubens Ricupero, que liderou as negociações de financiamento da Rio92 e é um dos maiores conhecedores de política climática internacional, conforme veiculado em outra reportagem do Globo.

“Tivemos alguns avanços após a Rio92, como o Acordo de Paris, de 2015, mas o modelo precisa ser renovado. O dinheiro não virá mais de países, mas de fontes multilaterais e do mercado. Hoje, esperar que os países façam aportes significativos é inviável”, disse.

Embaixador Rubens Ricupero
Rubens Ricupero (Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil)

A prova de que os governos nacionais não conseguem fazer tudo sozinhos está na contabilidade das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), apresentadas pelos países signatários do Acordo de Paris, em 2015. Até agora, foram 106 NDCs apresentadas, pouco mais da metade dos 195 signatários do Acordo. As NDCs representam um compromisso de cada país para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Momento é esforço conjunto

E há muitos representantes da sociedade civil que defendem a integração de forças, como Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú e cofundador da Concertação para a Amazônia, em matéria publicada em O Globo. “Essa participação era quase inexistente na Rio92, mas amadureceu muito de lá para cá. A Rio92 teve como marca uma participação inédita da sociedade civil. Na COP30, veremos o mesmo ocorrer com o empresariado”, disse.

Seguindo o raciocínio de Waack, o conceito de integrar está começando a caminhar. Uma iniciativa fechada na COP30 mostrou como a união de governos locais é relevante. O governador da Califórnia (EUA), Gavin Newsom, e o governador do Pará, Helder Barbalho, firmaram um acordo para aprimorar a prevenção a incêndios florestais. Isto impulsionará o Vale Bioamazônico – polo de ciência e tecnologia que une startups, pesquisadores e indígenas – com conexão em pesquisas com o Vale do Silício. As lições aprendidas com grandes incêndios na Califórnia e o histórico de queimadas na Amazônia vão aprimorar a prevenção das florestas nos dois territórios, conforme matéria veiculada na Agência Pará.

Foco em cidades inteligentes

Em outra iniciativa, a TechZone, evento realizado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, apresentou painéis e palestras com foco em “Cidades Inteligentes e Sustentáveis”. Segundo a Agência Pará, um dos painéis expôs o projeto ‘Smart City Canaã dos Carajás’, uma iniciativa de cidade inteligente no interior do Pará que busca melhorar a qualidade de vida da população por meio de tecnologia e inovação.

Foto: Bruno Cecim/ Agência Pará

A proposta inclui infraestrutura de TI, como um datacenter para apoiar a gestão urbana inteligente. Também incentiva a participação da comunidade e a educação tecnológica, com cursos e oficinas. A prefeitura de Canaã dos Carajás e a Universidade Federal do Pará (UFPA) são parceiras na iniciativa.

Em outra contribuição da sociedade civil, o Painel Científico para a Amazônia (SPA, na sigla em inglês) divulgou na COP30 o ‘Relatório de Avaliação da Amazônia 2025’, com informações sobre como o crime organizado atua na região, gerando morte, poluição e mudanças climáticas. Coordenado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (UN SDSN), o SPA é composto por cientistas, líderes indígenas e representantes da sociedade civil.

Segundo o relatório, o crime organizado atua em muitas frentes na Amazônia: garimpo ilegal; grilagem de terras; exploração ilegal de madeira; tráfico de drogas, armas, pessoas e animais; e exploração de trabalho análogo à escravidão.

Juan Carlos Garzón, um dos autores do estudo, afirmou que cerca de 40% da cocaína mundial atravessam a Região Amazônica, que foi transformada em corredor global do narcotráfico. O garimpo ilegal ocupa mais de 2,6 mil km² na Amazônia brasileira e isso significa que 77% das áreas de garimpo ativas em 2022 operavam fora da lei e movimentaram até US$ 2,8 bilhões em ouro sem controle fiscal.

Integração da academia, Ongs e sociedade

Representantes da Fundação Dom Cabral (FDC) participam de outro exemplo de ação integratória na COP30. Eles embarcaram no ‘Banzeiro da Esperança’, embarcação fluvial que viajou de Manaus a Belém, transportando pesquisadores, Ongs e lideranças indígenas. A expedição foi idealizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e pela Virada Sustentável. O objetivo foi usar a viagem para finalizar a Carta da Amazônia, documento com propostas para adaptação climática, conservação e socio-bioeconomia, que foi entregue às autoridades brasileiras na Conferência.

Banzeiro da Esperança
Foto: Lucas Bonny

Vanja Abdallah, gerente de Novos Negócios da FDC, foi uma das que embarcaram na expedição, visando coordenar uma ação fluvial do programa ‘O Líder da Floresta’, que ajuda a formar lideranças amazônicas. Em matéria do Valor Econômico, ela explicou que a carta vai sendo escrita ao ritmo das águas do rio Amazonas, captando as necessidades de quilombolas, ribeirinhos e indígenas a bordo.

Pesquisadores a bordo do ‘Banzeiro’ vão calcular as emissões de carbono da viagem. Depois da travessia, a ideia é plantar sistemas agroflorestais para compensar os gases de efeito estufa. A produção agrícola, no médio prazo, será destinada à merenda escolar, segundo Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS e professor da FDC.

A escola de negócios busca atuar promovendo uma articulação intersetorial. Na COP30, a instituição está participando de ações com importantes parceiros, visando aumentar a colaboração de todas as partes e engajar governos, setor privado, sociedade civil e comunidades locais, o que é necessário para frear as mudanças climáticas.

Segundo Paulo Guerra, diretor de Programas de Gestão Pública da FDC e representante da escola no projeto, “os desafios climáticos são complexos e não é possível que apenas uma pessoa, empresa, ONG ou governo sozinho irá resolver. E é aí que a Fundação Dom Cabral pode contribuir, conectando o setor público, o privado e o terceiro setor”, explicou Guerra.

O avanço de iniciativas por atores não estatais é crucial, pois as Cidades (Governos Subnacionais) concentram mais de 55% da população mundial e 75% das emissões globais de CO₂. O setor privado, por sua vez, é indispensável para impulsionar a transição climática como protagonista da inovação.

Setor privado mostra força na Conferência

O setor privado apresentou na COP30 várias iniciativas em prol do combate às mudanças climáticas. Antes mesmo do evento no Pará, durante a Semana do Clima de Nova York, em setembro, a coalizão empresarial Sustainable Business COP (SB COP) entregou ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, um documento com prioridades do setor privado para a agenda climática. Esta coalizão de peso reúne organizações de 60 países e 31 milhões de empresas, responsáveis por 77% do PIB mundial.

SB COP
Foto: Rafa Neddermeyer/ COP30 Brasil Amazônia/ PR

O grupo, de setores como energia, bioeconomia, alimentos, construção, finanças e saúde, defende que o setor privado seja responsável por 30% a 40% da redução das emissões globais até 2030. Conforme publicado pela CNN Brasil, o texto entregue a Lago apresenta cinco metas: acelerar a transição energética; destravar financiamento climático; garantir transição justa; tornar cadeias produtivas mais sustentáveis; e promover a convergência dos mercados de carbono.

Em terras nacionais, foi a vez de o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) se manifestar. O CEBDS participa da COP30 com 75 empresas associadas, em sua maior delegação já levada à Conferência. O Conselho lançou o Brasil de Soluções, plataforma que reúne projetos e tecnologias desenvolvidos por empresas nacionais voltadas à descarbonização e à transição justa.

“O setor empresarial chega à COP30 comprometido com soluções climáticas ambiciosas e escaláveis. Estamos em uma transição da era das promessas para a era da implementação”, afirmou Marina Grossi, presidente do CEBDS e enviada especial do setor empresarial para a COP30, em matéria veiculada no Monitor Mercantil.

Veja 10 iniciativas de peso de empresas na COP30

	
Empresa apresentando iniciativas sustentáveis.
Foto: lern/ Adobe Stock

Toyota

A Toyota disponibilizou na COP30 uma frota de 70 veículos híbridos flex, produzidos no Brasil e abastecidos com etanol, para o transporte das delegações internacionais. Segundo a empresa, a tecnologia híbrida flex pode reduzir em até 70% as emissões de CO2 em comparação com veículos à gasolina. “O Brasil tem uma experiência valiosa na integração de biocombustíveis e queremos compartilhar essa trajetória com o mundo”, afirmou Rafael Chang, CEO da Toyota para a América Latina e Caribe.

Fonte: Toyota Comunica

Siemens

A Siemens Brasil e a GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), agência alemã de cooperação internacional, divulgaram na COP30 a assinatura do Memorando de Entendimento Journey for Climate Action. O documento foca no avanço dos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), uso de hidrogênio verde, emprego de aço verde e a criação de data centers sustentáveis, além da promoção da inteligência artificial verde.

Fonte: Siemens

Schneider Electric

A Schneider Electric participa de painéis sobre energia limpa no espaço da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), na Zona Azul. Um relatório do Instituto de Pesquisa em Sustentabilidade da empresa, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços foi divulgado na COP30, destaca o potencial do Brasil para liderar a transformação industrial global, a partir da matriz energética limpa e do potencial do hidrogênio verde. Segundo o relatório, é preciso capacitar 450 mil profissionais no setor.

Fonte: Schneider Electric

PepsiCo

A PepsiCo participou de eventos prévios à COP30 e levou representantes à Conferência em Belém. A empresa divulgou o seu “pep+ (PepsiCo Positive)”, estratégia global de transformação, que orienta todas as áreas do negócio em direção a um modelo de crescimento sustentável. O plano reúne metas, como zerar emissões líquidas até 2040, ampliar o uso de energia renovável e expandir práticas agrícolas regenerativas.

Fonte: Pepsico Labs

L’Oréal Group

O Grupo L´Oréal exibiu na COP30 os avanços em vários programas voltados para o meio ambiente e sustentabilidade. A corporação disse estar avançando de forma consistente na redução das emissões de carbono, com metas validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi). Todas as unidades do grupo no Brasil operam com energia 100% renovável desde 2022,e é empregado biometano nas operações logísticas. A L´Oréal acredita que a transição para uma economia verde precisa ser inclusiva. Por isso destina 80 milhões de euros ao Fundo L’Oréal para Mulheres, em projetos que fortalecem mulheres em situação de vulnerabilidade.

Fonte: L´Oréal Group

Bayer Brazil

A companhia farmacêutica e produtora de insumos agrícolas divulgou a criação da Casa Bayer, em área histórica de Belém. As obras de restauração do imóvel, que tem 100 anos e também é conhecido como Casarão, otimizarão o espaço, onde há cursos de informática, redação, teatro e música, além de consultoria jurídica e assistência psicológica a alunos da rede pública e apoio a pessoas vulneráveis. No espaço também são organizados eventos ligados ao Círio de Nazaré.

Fonte: Bayer Brazil

EDP

A empresa de energia elétrica EDP levou para a COP30 seu projeto Microusina Solar Social, que beneficia 154 famílias da Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos, no estado de São Paulo, com créditos de energia solar. Os créditos são gerados pela Microusina Solar Social da EDP. O projeto já proporcionou economia de R$ 110 mil nas contas de energia da comunidade, além de melhorias na iluminação pública – as vielas da favela ganharam 30 postes de energia solar, o que facilita a circulação das famílias, que tinham dificuldade em se deslocar à noite devido à escuridão.

Fonte: Plurale In Site

Mapfre

A seguradora participa de diversos painéis na COP30, inclusive na Casa do Seguro, espaço da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), perto da Blue Zone. O painel ‘O papel dos seguros no mercado de carbono’, apresentou um novo modelo de seguro ambiental voltado à proteção de florestas e à integridade do mercado de carbono. A proposta visa oferecer garantia e credibilidade às transações de créditos de carbono e a projetos de reflorestamento não comercial.

Fonte: Sindiseg SC

JPMorgan

O conglomerado financeiro anunciou a meta de financiar US$ 2,5 trilhões em iniciativas que combatam a mudança climática e promovam desenvolvimento sustentável. O compromisso do banco nos próximos dez anos incluirá US$ 1 trilhão em financiamento para projetos com fontes de energia mais limpas.

Fonte: Exame

Microsoft

Bill Gates, cofundador da Microsoft, gerou polêmica ao publicar artigo no qual defende que, mais do que reduzir emissões, o foco do planeta deve estar em melhorar vidas e diminuir o sofrimento. Ele argumentou que a pobreza e as doenças são as principais ameaças e as mudanças climáticas, embora graves, são apenas parte desse desafio. As declarações geraram muitas críticas, mas, na prática, a Microsoft tem iniciativas voltadas para o meio ambiente. A big tech anunciou a expansão de um acordo firmado com a brasileira Re.green, voltado à remoção de CO2 da atmosfera e restauração de 33 mil hectares de áreas degradadas na Mata Atlântica e Amazônia.

Fontes: CNN Brasil e Exame