- Altos vencimentos de CEOs são contestados por funcionários e sociedade, que defendem vincular salários executivos aos dos trabalhadores para reduzir desigualdades salariais.
- Estudo do High Pay Centre revela que 55% dos funcionários do Reino Unido apoiam limitar salários de CEOs e 70% exigem maior transparência sobre remunerações elevadas nas empresas.
- Empresas incorporam bônus por desempenho ESG e ações na remuneração dos CEOs, refletindo a crescente demanda por responsabilidade social e sustentabilidade corporativa.
Assumir o cargo de CEO em uma empresa, com altas remunerações e benefícios, pode ser a posição dos sonhos de muitos trabalhadores e executivos. Mas o outro lado da moeda é que os elevados vencimentos de CEOs começaram a ser contestados por funcionários, economistas e a sociedade em geral, que visam aproximar os rendimentos destes líderes aos dos demais empregados das empresas. Estas contestações foram descobertas por estudo recente do High Pay Centre, uma think tank focada em desigualdade econômica. E, embora o estudo não contemple este aspecto, além dos salários, é crescente o número de CEOs que recebem bônus devido ao desempenho ESG da empresa e ao comportamento de suas ações, criando um descompasso de vencimentos que também poderia ser questionado pelos trabalhadores.
A preocupação com a desigualdade de renda e disparidades salariais em relação aos CEOs vem sendo alvo de discussões nos últimos anos. Segundo matéria publicada no site CEO Today, o estudo do High Pay Centre levantou que a maioria dos funcionários do Reino Unido apoia a limitação dos salários dos executivos. De acordo com a pesquisa, 55% dos colaboradores entrevistados acreditam que a remuneração dos executivos deve estar vinculada aos salários dos trabalhadores, garantindo que os mais bem pagos não avancem muito.
Demanda por transparência salarial
Segundo o estudo, há também uma forte demanda por maior transparência salarial, com 70% dos entrevistados defendendo que as empresas divulguem quantos funcionários ganham mais de £ 150.000 (cerca de R$ 1.130 milhão) por ano. De acordo com a pesquisa, 51% dos funcionários apoiam a presença de representantes dos trabalhadores nos conselhos das empresas, a fim de influenciar as decisões salariais e controlar o vencimento de CEOs. Do total, 22% acham que os ganhos de um CEO devem ser limitados a uma a cinco vezes o salário de trabalhadores de nível inferior. Já 19% são a favor de um limite de cinco a 10 vezes. E 13% defendem que a equiparação seja de 10 a 20 vezes.
Prós e contras da restrição de vencimentos dos CEOs
O High Pay Centre argumenta que limitar os salários dos líderes a um múltiplo dos ganhos dos trabalhadores ainda proporcionaria uma remuneração generosa a esta camada e reduziria as desigualdades extremas causadas pelos altos vencimentos de CEOs. Mas quais seriam os benefícios e desvantagens para as empresas e a sociedade, ao limitar os vencimentos de CEOs? A matéria lista os prós e contras da restrição de salários.
Benefícios potenciais:
- reduzir a desigualdade salarial, garantindo uma distribuição mais justa da riqueza;
- aumentar o moral entre os funcionários que sentem que as disparidades salariais são excessivas;
- incentivar o crescimento inclusivo, no qual todos os trabalhadores se beneficiam do sucesso da empresa;
- aumentar a confiança do público, fazendo com que as empresas pareçam mais éticas e responsáveis.
Desvantagens potenciais:
- perda dos melhores talentos para empresas sem restrições salariais;
- risco de desencorajar o crescimento dos negócios, reduzindo o incentivo ao desempenho;
- levar as empresas a encontrar brechas, como aumentar os bônus ou opções de ações em vez de salário.
Empresas que controlaram os rendimentos dos CEOs
Algumas empresas experimentaram políticas de mudança de remuneração. Na Gravity Payments (EUA), o CEO Dan Price reduziu voluntariamente seu próprio salário para US$ 70.000 e aumentou o salário mínimo dos funcionários para o mesmo valor. Embora controverso, isso levou ao aumento da produtividade e da satisfação dos funcionários. Já a John Lewis Partnership (Reino Unido), como uma empresa de propriedade dos empregados, opera com uma estrutura salarial mais equilibrada, garantindo que a remuneração dos executivos não supere excessivamente os salários dos trabalhadores.
O estudo do High Pay Centre conclui que, embora um limite máximo seja difícil de aplicar, maior transparência e políticas de remuneração mais justas podem ser boas soluções. Permitir a representação dos trabalhadores nos conselhos e garantir que os CEOs sejam recompensados por seu desempenho de longo prazo, em vez de salários excessivos, pode ser um modelo. Uma conclusão é clara: os funcionários querem estruturas de remuneração mais justas e as empresas devem se adaptar a essas demandas crescentes.
Bônus por desempenho ESG e pelas ações

Um outro aspecto vem dominando a política de remuneração dos CEOs: a criação de bônus por desempenho ESG (Meio ambiente, Social e Governança) e pelos lucros gerados pelas ações das companhias. Pesquisa do The Conference Board (organização que fornece informações econômicas e insights para líderes empresariais), “Linking Executive Compensation to ESG Performance”, conclui que vincular parte da remuneração dos executivos aos princípios ESG se tornou uma prática dominante. A pesquisa indica que a porcentagem de empresas do S&P 500 que adotaram medidas de desempenho ESG aumentou de 66% em 2020 para 73% em 2021.
De acordo com a pesquisa, veiculada no site da Forbes, dois fatores motivadores para incorporar medidas ESG na remuneração dos CEOs são enfatizar aos investidores a prioridade que uma empresa atribui às suas iniciativas ESG e apoiar a satisfação dos compromissos ESG da organização. Outra matéria, exibida no site da Revista Nós, que trata de responsabilidade social corporativa, mostra que já em 2019 um estudo da consultoria Mercer apontava que 51% das empresas incluíam – ou estavam considerando incluir – métricas ESG em seus planos de incentivos executivos.
Exemplos de empresas que fornecem bônus ESG
A matéria da Revista Nós cita vários exemplos de associação da remuneração dos executivos às práticas ESG e ações. O McDonald’s Corp anunciou que irá vincular os bônus de executivos a novas metas de diversidade da empresa. Na Volkswagen, a remuneração dos executivos inclui bônus, salário fixo e plano de incentivos de longo prazo vinculado ao desempenho do preço das ações. A Vivo se mobiliza para posicionar a sustentabilidade como estratégia de negócio. Em 2019, a empresa vinculou 15% do salário variável dos executivos aos indicadores de confiança dos clientes e sustentabilidade.