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Como sobreviver ao layoff

Demissões foram verificadas em especial em empresas de tecnologia. Recolocação no mercado exige reativação de redes de contato, capacitação e inteligência comportamental, dizem especialistas

layoff © - Shutterstock
por Redação fevereiro 15, 2023
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A pandemia de Covid-19 abalou muitas economias e o período pós-pandemia ainda sofre as consequências. Uma delas é o chamado layoff, ou demissões em massa, que se verificaram em especial em empresas de tecnologia. Não há fórmula mágica para sobreviver aos layoffs, mas especialistas apontam alguns caminhos, que vão da requalificação profissional a iniciativas de empreendedorismo. 

Uma publicação do jornal Empresas e Negócios explica que, após um período de dois anos de contenção na economia mundial, com crescimentos próximos a zero nos PIBs de muitos países, além das instabilidades geradas pela guerra na Ucrânia, os juros subiram nos EUA, na Europa e no Brasil. Com isso, os investidores têm mais opções à disposição, com menores taxas de risco e com boa rentabilidade, o que reduziu novos investimentos em startups e em outras empresas de tecnologia.

Empresas de tecnologia reduzem quadros de colaboradores

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Empresas robustas, como Meta, Twitter, Microsoft, Netflix e Amazon estão reduzindo seus quadros de colaboradores. Só nos EUA, as big techs demitiram mais de 90 mil trabalhadores em 2022. Reportagem da Info Money, de janeiro de 2023, acrescenta ao rol de demissões empresas de transporte, saúde e mercado imobiliário, listando algumas das principais empresas afetadas:

  • Unico demitiu 4,4% dos funcionários;
  • Twitter cortou 50% da força de trabalho;
  • Meta, dona do Facebook, demitiu 11 mil funcionários;
  • Shopee demitiu 10% dos empregados;
  • HP demitiu cerca de 6 mil funcionários;
  • Loft demitiu mais de 310 empregados em terceira rodada de demissões;
  • Empresas de criptoativos como, Silvergate Capital, Amber Group, Swyftx, Bybit, entre outras, cortaram cerca de 28 mil pessoas;
  • Amazon confirmou demissão de 18 mil empregados;
  • Buser demitiu 30% de seus empregados;
  • Salesforce demitiu 10% e fechou escritórios;
  • Startup Alice demitiu mais de 100 pessoas;
  • Xiaomi cortou 10% de seus funcionários;
  • Sem números, XP confirmou demissões pontuais;
  • Nubank também promoveu cortes;
  • 99 fez segunda rodada de demissão;
  • CVC cortou 5% da sua força de trabalho.

Apesar das demissões, demanda continua alta

Artigo do engenheiro Luis Pacheco, porém, publicado na matéria do jornal Empresas e Negócios,  aponta que há luz no fim do túnel. Segundo ele, que tem pós-graduações em Marketing e Computação Aplicada à Educação e é mentor de startups, “a demanda por capital humano, com competências e habilidades especializadas, deve continuar em alta, justamente porque as empresas vão precisar se reinventar para se manter na concorrência”. 

“Os profissionais especializados provavelmente conseguirão recolocação rápida em outras empresas do mesmo setor ou com características semelhantes. No Brasil, com milhares de vagas abertas na área de tecnologia, é provável que os demitidos pelas big techs sejam absorvidos por outras empresas. A Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) aponta que serão criados cerca de 800 mil postos de trabalho, nos próximos cinco anos, no Brasil”, analisa Pacheco.

Demissões não foram motivadas por falhas

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A matéria da Info Money também traz raciocínio semelhante. Apesar de ser um momento complicado para os que saem em busca de uma nova oportunidade, recrutadores entendem que o profissional que foi demitido no contexto do layoff deve compreender que o cenário atual de desligamentos é diferente daquele em que o corte é motivado por falha de performance ou de comportamento.

 “A demissão é um mecanismo de oxigenação nas empresas, mas no volume que vem acontecendo entendemos que tem um sinal que envolve mais o momento das empresas do que as habilidades dos profissionais desligados”, avalia Márcio Gropillo, head de recrutamento e sócio sênior da Korn Ferry no Brasil, em comentário na Info Money.

Processo semelhante ao luto

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Para Barbara Cotrim, comunicadora, personal branding e mentora de marca pessoal, há pesquisas que apontam que, para algumas pessoas, o choque emocional de uma demissão é semelhante ao da perda de um ente querido. Portanto, seria importante encarar o layoff com aspectos de um processo de luto.  

“Processos assim trazem transtornos e dificuldades práticas, mas também trazem uma oportunidade ímpar de avaliarmos a rota da nossa vida e carreira de uma perspectiva muito potente”, diz a profissional que conta que, ela mesma já vivenciou um layoff e viu nele a oportunidade de criar um trabalho com mais significado, apoiando profissionais que desejam potencializar suas carreiras e negócios.

“A melhor postura é aquela que te ajuda a elaborar essa vivência, não estendendo seus prejuízos para além do fato em si. Alguns precisarão se recolher, outros terão a necessidade de dialogar para entender como seguir, mas, em todos os casos, o tempo será o maior ativo durante esta travessia e será capaz de ressignificar essa experiência lá na frente”, afirma Bárbara.

LinkedIn é aliado, mas com moderação

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“Redefinir o perfil no LinkedIn, comunicar suas forças e valores, seus diferenciais, revisitar a sua imagem e como se comunica com o mercado são imprescindíveis para potencializar as suas oportunidades para hoje e para o futuro do trabalho, onde não basta ter uma jornada de valor e ser um profissional competente, se não fizer isso a partir de uma comunicação clara e consistente”, diz a consultora. 

Mas é preciso evitar a ansiedade. “Muitos profissionais criam textos enormes no LinkedIn, agradecendo e marcando empresas e colegas, outros criam listas com os nomes dos impactados, e alguns até pedem para curtir em posts, na ânsia de torná-los virais. Não existe nenhum indício claro de que isso beneficie tais profissionais e a depender de como você usa esses recursos, a estratégia pode ser um tiro pela culatra”, alerta Bárbara. 

“A melhor maneira de cultivar seu networking é o bom e velho contato direto, que pode ser por telefone, mensagem, whatsapp, e-mail e até DM na rede social. Avise de sua disponibilidade e agradeça esforços em conjunto. Uma mensagem direta via LinkedIn para alguns ex-colegas e possíveis recrutadores de seu mercado pode aumentar as chances de uma recolocação futura”, ensina a personal branding.

Empreender é uma possibilidade

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Outra possibilidade, diz Bárbara, é empreender. Se a pessoa percebe algum espaço vazio em que pode oferecer uma solução, e sente que pode arriscar, colocar a mesma energia que dedicou ao seu trabalho CLT em um novo negócio pode lhe render novos e maiores frutos a médio e longo prazo. Se essa for uma opção, deve-se encarar como se estivesse contratando a si próprio. “Invista sua energia em criar as melhores condições para colocar seu negócio no mundo”, diz a consultora.




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