• Lídia Abdalla lidera o Grupo Sabin desde 2014, promovendo expansão geográfica, inovação tecnológica e um modelo de gestão baseado em inclusão e diversidade.
  • A cultura inclusiva do Sabin, com 77% de mulheres no quadro e políticas de equidade, fortalece a inovação e a competitividade no setor de medicina diagnóstica.
  • O investimento contínuo em diversidade, genômica e bem-estar dos colaboradores garante crescimento sustentável e acesso ampliado a serviços de saúde de qualidade.
Resumo supervisionado por jornalista.

Lídia Abdalla construiu a trajetória profissional dentro do Grupo Sabin, onde começou como trainee e, ao longo de 25 anos, assumiu desafios em diferentes áreas até se tornar presidente executiva: cargo que ocupa desde 2014. Sob a sua liderança, a empresa expandiu atuação para 14 estados e ampliou os serviços, incorporando novas tecnologias e fortalecendo o atendimento humanizado. Em um setor altamente regulado e competitivo, ela conduz a organização com foco em inovação e, para isso, tem na inclusão e diversidade as bases para um crescimento sustentável.

Em entrevista para o Seja Relevante e para a série de podcasts FDC Legacy Talks, Lídia fala sobre os desafios da gestão na pandemia, o avanço da genômica na medicina diagnóstica e o compromisso do Sabin com a inclusão e o bem-estar dos colaboradores. Ela detalha ainda a sua visão de “liderança pelo exemplo” e compartilha aprendizados que reforçam a necessidade de investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento. 

A sua trajetória no Grupo Sabin é um exemplo de crescimento profissional com respeito à equidade. Como foi esse caminho até a presidência?

Foto: Divulgação/ Sabin

Ingressei no Sabin em 1999 como trainee, quando éramos um dos maiores laboratórios de Brasília [mas apenas com atuação regional]. Sempre tive interesse por medicina laboratorial e gestão. Ao longo dos anos, fui assumindo novos desafios, passando pela coordenação da área técnica, supply chain e atendimento. Em 2003, tornei-me gerente técnica. Em 2007, com a expansão da empresa, liderei processos de certificação e investimentos em qualidade e, em 2009, assumi a superintendência técnica, com responsabilidade também sobre a área de tecnologia.

No ano seguinte, o setor de saúde estava vivendo um momento importante de fusões e aquisições, impactando o cenário competitivo. Esse foi um ponto de inflexão em nossa história. Nossas sócias fundadoras decidiram que não queriam vender o negócio e decidimos estruturar um plano de crescimento e expansão geográfica. Em 2014, eu assumi a presidência do Grupo, com a missão de suceder as fundadoras e também de diversificar o negócio, integrando novos serviços ao nosso portfólio como diagnóstico por imagem e atenção primária. Para se ter uma ideia da mudança de porte da empresa, em 1999 o Sabin tinha 90 colaboradores e 10 unidades. Hoje, atuamos em 14 estados e no Distrito Federal, 78 cidades no Brasil, com 358 unidades e mais de 7 mil colaboradores.

Atualmente, diversidade e inclusão estão postas como uma estratégia do Sabin e a sua trajetória, como liderança feminina, parece um retrato disso…

A diversidade sempre esteve na essência do Sabin, fundado por duas mulheres e com forte presença feminina na liderança. Hoje, 77% do nosso quadro de colaboradores e 74% da liderança são mulheres. O que diferencia o Sabin é que a cultura de inclusão não foi criada por pressão externa, mas sim na forma como gerimos a empresa. Também pela empresa ter sido fundada por mulheres e por termos mulheres na liderança, sempre tivemos um olhar atento à equidade. Isso se reflete em ações concretas. 

Mas há interseccionalidade?

Sim. Além da forte presença feminina, buscamos diversidade em todos os pilares, étnico-racial, orientação sexual e geracional. Temos políticas que garantem que oportunidades de crescimento estejam disponíveis para todos, independentemente de gênero ou qualquer outra característica. Isso é feito por meio de um modelo de gestão participativo, que valoriza a escuta ativa e a construção conjunta. Queremos que nossos colaboradores se sintam representados e incluídos e, para isso, investimos em treinamentos, mentorias e programas de desenvolvimento que incentivam a equidade. Enfim, somos prova de que a inclusão acontece de forma natural quando criamos um ambiente no qual as pessoas podem ser autênticas e têm espaço para crescer.

Algumas empresas têm reduzido investimentos e políticas de diversidade globalmente. Qual é a sua avaliação a respeito?

Diversidade e inclusão não devem ser apenas uma tendência ou uma resposta à pressão social. São fatores que fortalecem as empresas e a economia. Um ambiente diverso incentiva a inovação, melhora a produtividade e gera impacto positivo na sociedade. No Sabin, continuamos investindo porque acreditamos que essa é uma responsabilidade e também uma vantagem competitiva. A diversidade não pode ser tratada como uma pauta secundária ou opcional. Empresas que reduzem investimentos nessa área perdem a oportunidade de construir um ambiente mais inovador e conectado à realidade dos seus clientes e colaboradores. No Sabin, entendemos que um time diverso reflete melhor a sociedade e traz soluções mais eficientes para o mercado.

Esse modo de atuação gera resultados?

Sim, pois investir em programas de diversidade e inclusão não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas também de competitividade. Equipes diversas resolvem problemas de forma mais criativa, conseguem se comunicar melhor com diferentes perfis de clientes e tornam o ambiente de trabalho mais colaborativo. É por isso que este compromisso faz parte do nosso DNA e seguimos firmes nesse propósito.

Falando em DNA, o Sabin vem expandindo a sua atuação laboratorial, como comentou no início desta entrevista, e uma das frentes que têm destacado é a genômica. Você pode explicar o conceito?

A genômica tem um papel essencial no futuro da medicina, permitindo diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados. Quando realizamos sequenciamentos genéticos, analisamos o DNA do paciente e comparamos com bancos de dados internacionais para identificar predisposições a doenças. Essa abordagem auxilia tanto na prevenção quanto no tratamento, especialmente em áreas como oncologia, onde a farmacogenômica permite indicar o medicamento mais eficaz para determinado tipo de tumor. Além disso, os dados genéticos ajudam a entender melhor a diversidade populacional, contribuindo para pesquisas e avanços científicos.

Então a genômica também está relacionada à diversidade…

Exato. A genômica tem forte relação com diversidade e inclusão, pois permite mapear características genéticas de diferentes populações, considerando etnia, gênero e predisposição a doenças. Além disso, contribui para diagnóstico de doenças raras e para que as famílias possam ter atitudes preventivas em relação à jornada de saúde ao longo dos diferentes ciclos de vida, bem como possam se preparar para os próprios desafios da inclusão, com os cuidados, tratamentos e, muitas vezes, limitações impostas por essas doenças no desenvolvimento das crianças. Com a genômica, integramos à prevenção e ao diagnóstico a medicina preditiva, que vai balizar o futuro da saúde.

Completamos há pouco cinco anos do decreto da pandemia, quando o setor de saúde foi bastante pressionado. Como foi gerir o Grupo Sabin nesse período?

A pandemia foi o maior desafio profissional da minha carreira. Desde o final de 2019, acompanhamos os primeiros casos de COVID-19 na China e iniciamos o desenvolvimento dos testes diagnósticos. Em janeiro de 2020, já tínhamos o teste validado e, pouco depois, diagnosticamos o primeiro caso no Distrito Federal. A gestão durante esse período exigiu decisões rápidas e difíceis, que foram desde garantir a segurança dos nossos profissionais até manter a sustentabilidade do negócio diante do aumento dos custos operacionais. Criamos um comitê de crise, investimos em tecnologia e ampliamos o suporte emocional aos colaboradores. Foi um período de aprendizado intenso, que reforçou a importância da confiança e da liderança pelo exemplo.

O que você classifica como “liderança pelo exemplo”?

Decidimos que a diretoria não trabalharia em home office. Estávamos fisicamente na empresa, garantindo que nossos profissionais na linha de frente se sentissem apoiados. A minha sala tem uma parede de vidro e eu via as pessoas passando e olhando. Muitos depois me disseram: “se a Dra. Lídia está ali, então está tudo bem”. Isso mostrou a importância da liderança presente, transmitindo segurança em um momento de incerteza.

A decisão de permanecer na empresa foi difícil, mas muito importante. Como eu poderia pedir que os colaboradores entrassem em hospitais e fossem às casas de pacientes se eu estivesse trabalhando de casa? Tomamos todas as medidas de segurança, mantendo distanciamento, uso de máscaras e higienização rigorosa, mas escolhemos estar presentes. A relação de confiança entre liderança e equipe se fortalece com atitudes concretas, e a pandemia reforçou esse aprendizado.

Você comentou sobre a tomada de decisões difíceis e também sobre gestão de custos. Pode dar mais detalhes?

O custo operacional aumentou cerca de dez vezes, e havia risco de desabastecimento de EPIs, como máscaras e luvas. Organizamos o comitê de crise que se reunia várias vezes ao dia, pois as decisões mudavam a todo momento. Mantivemos apoio psicológico aos colaboradores por meio de telemedicina, pois muitas famílias ficaram sem renda, dependendo exclusivamente do salário de nossos profissionais. O período reforçou a importância da solidariedade e do foco nas pessoas. A confiança e o engajamento dos colaboradores foram fundamentais para atravessarmos a crise.

O cuidado com os colaboradores continua?

Sim. Hoje temos um programa estruturado de bem-estar que abrange saúde física, mental, financeira e social. Oferecemos programas de controle para doenças crônicas, suporte psicológico, atividades como ioga e dança, além de iniciativas que incluem as famílias dos colaboradores. Também promovemos ações voltadas para saúde financeira, ajudando nossos funcionários com planejamento e orientação. Esse olhar holístico garante maior engajamento e qualidade de vida para nossa equipe.

Qual legado da sua trajetória você destacaria?

A expansão do Sabin para novas regiões do Brasil. Hoje, temos serviços de saúde de qualidade não apenas para as capitais, mas também para cidades do interior. Isso nos permite ampliar o acesso à medicina diagnóstica, com o mesmo padrão de excelência, independentemente da localização. Além disso, a pandemia reforçou a minha visão sobre a importância do cuidado com as pessoas. O nosso legado é um modelo de gestão que valoriza as pessoas, a inclusão e o desenvolvimento humano. Construímos uma empresa que cresce sem perder sua essência e compromisso com a sociedade.

Que conselho você dá para mulheres que querem seguir carreiras de liderança?

Busquem inspiração em outras líderes, criem redes de apoio e invistam em autoconhecimento. Autoestima é essencial. As mulheres estão tão preparadas quanto os homens, mas muitas vezes duvidam de si mesmas. É preciso acreditar na própria capacidade e seguir em frente, independentemente dos desafios.

Para encerrar, que conteúdos te inspiraram e você recomenda?

Recentemente eu reli “A Mentalidade do Fundador”. É um livro que traz reflexões importantes sobre empreendedorismo. Também recomendo a série “Império da Dor”, que mostra a importância da liderança humanizada e ética nos negócios.

Confira a entrevista completa no YouTube e no Spotify:

Dúvidas mais comuns

Diversidade é a pluralidade de diferenças entre pessoas e coisas, abrangendo características como raça, etnia, gênero, orientação sexual, cultura, religião, idade, habilidades físicas/mentais e origens socioeconômicas. Ela cria uma riqueza de perspectivas, ideias e vivências em um grupo ou sociedade, sendo essencial para a inovação e compreensão mútua.

Os três tipos principais de diversidade são: Demográfica (gênero, raça, idade), Cognitiva (formas de pensar e resolver problemas) e de Experiência (experiências de vida, afinidades e habilidades). Além disso, há diversidade cultural, de gênero, racial, de habilidades e socioeconômica, que juntas moldam nossas identidades.

No Grupo Sabin, diversidade e inclusão são estratégias fundamentais. A empresa tem forte presença feminina na liderança e busca diversidade étnico-racial, orientação sexual e geracional. Políticas garantem oportunidades iguais para todos, com gestão participativa, treinamentos, mentorias e programas que incentivam a equidade, criando um ambiente onde as pessoas podem ser autênticas e crescer.

Investir em diversidade e inclusão fortalece as empresas e a economia, pois ambientes diversos incentivam a inovação, melhoram a produtividade e geram impacto positivo na sociedade. Equipes diversas resolvem problemas de forma mais criativa, comunicam-se melhor com diferentes clientes e tornam o ambiente de trabalho mais colaborativo, sendo uma vantagem competitiva.

A genômica está relacionada à diversidade porque permite mapear características genéticas de diferentes populações, considerando etnia, gênero e predisposição a doenças. Isso contribui para diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e avanços científicos, além de apoiar a medicina preditiva e a inclusão no cuidado com doenças raras.

Lídia Abdalla lidera pelo exemplo, valorizando a presença física e o apoio aos colaboradores, especialmente durante a pandemia. Sua trajetória no Sabin, de trainee a presidente, reflete o compromisso com a equidade e a inclusão, promovendo um ambiente onde a diversidade é natural e parte do DNA da empresa, com foco no desenvolvimento humano e crescimento sustentável.

Os quatro pilares para promover a diversidade são Diversidade (ter pessoas de diferentes origens), Equidade (garantir oportunidades justas ajustadas às necessidades individuais), Inclusão (criar um ambiente acolhedor onde todos possam participar plenamente) e Pertencimento (fazer com que cada indivíduo se sinta seguro, valorizado e parte integral da equipe).