• A alta demanda de trabalho, conflitos com chefia e falta de autonomia são as principais causas do burnout entre profissionais brasileiros, segundo pesquisa com 208 empresas.
  • Análise de 185 mil atestados médicos entre 2022 e 2024 mostra que doenças mentais, incluindo burnout, são a segunda maior causa de afastamento, com média de 8,1 dias.
  • Empresas brasileiras estão investindo em prevenção ao burnout com ações como incentivo a exercícios, cultura empática e treinamento de liderança, alinhadas à futura mudança da NR-01.
Resumo supervisionado por jornalista.

Duas pesquisas realizadas pela consultoria Mercer Marsh Benefícios traçam um quadro importante para entender a saúde física e mental dos profissionais brasileiros. A primeira delas mapeou as raízes do burnout entre os trabalhadores no Brasil, reforçando o papel do excesso de trabalho como principal causa de problema.

Além dele – geralmente apontado como fonte recorrente do esgotamento mental – o levantamento destaca o conflito com os chefes como segunda causa do burnout. Detalhe: dos entrevistados para a pesquisa, realizada junto a 208 empresas, 42% estão em cargos de gerência ou acima.

O segundo levantamento da consultoria foi feito com base em afastamentos do trabalho e envolveu a análise de 185 mil atestados médicos, emitidos entre 2022 e 2024. As questões relacionadas às doenças mentais ocuparam o segundo lugar entre os afastamentos, respondendo por um total médio de 8,1 dias.

Esse tipo de recesso de trabalho só é superado pelos afastamentos ocasionados por doenças oncológicas, cuja média é de 37,4 dias.

Ouvidos pelo jornal Valor Econômico, especialistas argumentaram que os dois estudos indicam a necessidade de integração entre as áreas de recursos humanos e de saúde e segurança do trabalho nas corporações. A iniciativa seria fundamental para reforçar as políticas de cuidado nas empresas.

Com a maior integração, as empresas também poderão estar melhor preparadas para a mudança da NR-01, norma regulamentadora que trata de gerenciamento de riscos ocupacionais e que deve passar por mudanças de conduta a partir de maio de 2025.

A NR-01 inclui a gestão de riscos psicossociais, como assédio moral e sexual e deve refletir, de forma mais acentuada, a preocupação com as questões de saúde mental no ambiente de trabalho.

Medidas adotadas pelas empresas para combater o burnout

Sobre o burnout, a pesquisa da Mercer mostra, ainda, que 37% das empresas avaliadas realizam algum tipo de acompanhamento do problema. Já o número de empregados que passa por algum tipo de ação de prevenção é de 70% nas empresas que estão monitorando a doença, como ela é classificada desde 2022, pela OMS.   

No caso das empresas com perfil mais ativo no encaminhamento do burnout, duas ações são relevantes, empatando em termos de adoção: primeiro o incentivo à prática de exercícios físicos e à alimentação saudável, citado por 71% das companhias.

A cultura organizacional voltada para empatia, escuta ativa e comunicação não-violenta é a segunda medida mais adotada, sendo considerada por 70% das empresas como ações efetivas no combate ao burnout.

O treinamento e a capacitação da liderança e o estabelecimento de canais de atendimento psicológico empatam com 66% de adoção nas empresas analisadas pelas pesquisas da Mercer.

Em tempo: o Brasil seria o segundo país no mundo com mais casos de burnout, com 3 em cada dez profissionais passando pelos sintomas.

Os dados são da International Stress Management Association (Isma) e da Associação Nacional da Medicina do Trabalho (Anamt). Com isso, só perdemos para o Japão, onde 70% dos profissionais seriam afetados pela doença. 

Dúvidas mais comuns

As principais causas do burnout no Brasil são a alta demanda de trabalho, conflitos com a chefia e a falta de autonomia para concluir tarefas, conforme pesquisa realizada com 208 empresas.

O diagnóstico da síndrome de burnout é feito por profissionais especialistas, como psiquiatras e psicólogos, após uma análise clínica detalhada do paciente para identificar os sintomas e orientar o tratamento adequado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o burnout apresenta três dimensões principais: exaustão emocional e física, despersonalização (distanciamento ou cinismo em relação ao trabalho) e redução da eficácia profissional, que evoluem em fases desde o cansaço inicial até o colapso físico e mental.

Entre as medidas adotadas pelas empresas estão o incentivo à prática de exercícios físicos e alimentação saudável, a promoção de uma cultura organizacional baseada em empatia, escuta ativa e comunicação não-violenta, além do treinamento da liderança e a oferta de canais de atendimento psicológico.

Doenças mentais são a segunda maior causa de afastamentos no trabalho no Brasil, com uma média de 8,1 dias de afastamento, ficando atrás apenas das doenças oncológicas, que têm uma média de 37,4 dias.

A mudança na NR-01, prevista para maio de 2025, reforça a gestão de riscos psicossociais, incluindo assédio moral e sexual, e destaca a importância da saúde mental no ambiente de trabalho, exigindo maior integração entre recursos humanos e saúde e segurança do trabalho nas empresas.

Sim, o Brasil é o segundo país com mais casos de burnout no mundo, com cerca de 3 em cada 10 profissionais apresentando sintomas, ficando atrás apenas do Japão, onde 70% dos trabalhadores são afetados.