- Especialistas brasileiros propuseram um modelo integrado para incentivar a agricultura regenerativa, combinando políticas públicas e padrões privados para acelerar a transição sustentável no agronegócio.
- O projeto inclui uma plataforma de dados integrada e um índice de sustentabilidade que medem e promovem a transparência e credibilidade das práticas agrícolas regenerativas no Brasil.
- A iniciativa visa reduzir emissões de gases de efeito estufa, aumentar a resiliência climática e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global.
A transição da agricultura convencional para a agricultura regenerativa exige desafios econômicos e ambientais. Para endereçar os problemas, um grupo de especialistas brasileiros apresentou um projeto inovador, que integra políticas públicas e padrões de negócios privados, acelerando a adoção de modelos sustentáveis no agronegócio.
O conceito foi apresentado no painel Agricultura regenerativa tropical – Um modelo sustentável, durante 62ª sessão da SBSTA – UNFCCC, principal fórum técnico das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, realizado em Bonn, na Alemanha.
Concebido pela FDC Agroambiental Global, da Fundação Dom Cabral (FDC), o projeto que incentiva a transição para a agricultura regenerativa inclui a modelagem de uma plataforma integrada de dados, a criação de um índice de sustentabilidade e a adoção de interoperabilidade de modelos e tecnologias de rastreabilidade.
A meta, segundo os especialistas, é fortalecer a credibilidade das iniciativas públicas e privadas, promover a transparência, criar incentivos financeiros e acelerar a transição para o modelo agrícola mais regenerativo e sustentável, além de conciliar a produção agrícola com a conservação ambiental.
O objetivo é tornar mais viáveis as iniciativas como o manejo sustentável do solo, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a restauração de áreas degradadas.
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Na avaliação dos especialistas da FDC Agroambiental Global, tanto a plataforma de integração dos dados quanto o índice de sustentabilidade – os dois principais destaques do projeto – trabalham em conjunto para promover uma visibilidade sem precedentes das práticas agrícolas no Brasil.
Na prática, a plataforma vai funcionar como um mapa detalhado e auditável, mostrando a jornada do produto, enquanto o índice atuará como um termômetro científico e imparcial, medindo a saúde e a sustentabilidade das práticas agrícolas.
As duas iniciativas também poderão integrar esforços atuais que buscam gerar modelos de negócio a partir da incorporação de tecnologias sustentáveis, como créditos de carbono, pagamento por serviços ambientais (PSA) e certificações de sustentabilidade.
Por serem fragmentadas, essas iniciativas reduzem a eficácia das ações e aumentam o risco do chamado greenwashing, uma prática que faz uma espécie de maquiagem em ações insustentáveis.
Entre os impactos esperados do projeto apresentado na Alemanha estão:
- redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e recuperação dos ciclos naturais;
- aumento da resiliência climática e da produtividade agrícola;
- criação de uma nova economia baseada em ativos ambientais e práticas sustentáveis;
- fortalecimento da competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global.
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Para os produtores rurais, os principais benefícios do novo modelo incluem a melhoria na saúde do solo e a redução da dependência de insumos químicos. Outro ganho é a maior resiliência climática, com menor risco de perdas devido a eventos extremos
Durante o painel na Alemanha, os professores Ludmila Rattis e Marcello Brito representaram a FDC. A elaboração do projeto apresentado no evento, por sua vez, contou com a colaboração de quatro instituições: o Woodwell Climate Research Center, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Centro de Pesquisa em Carbono na Agricultura Tropical (CCARBON) e o Projeto GALO.