- A contratação de profissionais brasileiros por empresas estrangeiras cresceu 53% em 2024, posicionando o Brasil como o 5º país com mais trabalhadores recrutados globalmente.
- O setor de tecnologia lidera as contratações internacionais, com destaque para engenheiros de software e aumento salarial de 4%, impulsionado por salários em dólar e valorização cambial.
- O crescimento das contratações globais exige domínio do inglês funcional, experiência sólida e cautela jurídica, enquanto São Paulo se consolida como hub estratégico para talentos globais.
O Brasil está se tornando um dos principais polos de mão de obra qualificada para o mundo, especialmente nas profissões ligadas à tecnologia. A constatação faz parte do Relatório Global de Contratações Internacionais 2024, elaborado pela Deel, empresa de tecnologia para Recursos Humanos e folha de pagamento.
Segundo a pesquisa, divulgada em 2025, a contratação de talentos brasileiros por empresas estrangeiras cresceu 53% no ano anterior. Além disso, o Brasil subiu uma posição no ranking global e agora ocupa o 5º lugar entre os países com o maior número de trabalhadores contratados por empresas internacionais.
Esse avanço reflete o crescente reconhecimento da qualidade da mão de obra brasileira no mercado global, impulsionado por setores como tecnologia e engenharia de software. Os Estados Unidos, a Suíça e o Reino Unido lideram a lista de países que mais buscam talentos brasileiros.
Para os trabalhadores brasileiros, entre os fatores que tornam essas contratações atrativas está a remuneração em moeda internacional. Em 2024, os salários pagos a brasileiros em dólar tiveram aumento de 4% e a valorização da moeda americana frente ao real tornou os ganhos vantajosos.
São Paulo torna-se hub de talentos globais

A capital paulista está entre os cinco maiores centros de contratação internacional no mundo, reforçando seu papel como hub de talentos globais. A área de tecnologia é uma das mais valorizadas, com engenheiros de software no topo da lista dos que tiveram aumentos salariais, com um crescimento de 4% nos vencimentos.
Outro dado que chama a atenção no estudo da Deel é o crescimento de 98% nas contratações de profissionais da Geração Z por empresas estrangeiras. A busca por jovens talentos está em alta, e companhias internacionais estão cada vez mais dispostas a oferecerem modelos de trabalho flexíveis, incentivos e programas de desenvolvimento profissional para atrair essa geração.
O movimento de internacionalização não se limita apenas à contratação de brasileiros por empresas estrangeiras. O estudo da Deel também revelou que o número de empresas brasileiras contratando talentos no exterior aumentou 24%, sendo que a busca de profissionais é maior em mercados estratégicos como EUA e Japão.
“As empresas brasileiras também estão adotando a contratação global. Não apenas porque isso capacita as companhias a explorar diversos grupos de talentos, mas porque promove inovação e crescimento”, afirmou Cristiano Soares, Head de Expansão Latam da Deel. Com um mercado de trabalho cada vez mais globalizado, o Brasil se firma como um dos grandes exportadores de talentos e, ao mesmo tempo, amplia sua capacidade de buscar especialistas internacionais. “O futuro do trabalho sem fronteiras está cada vez mais próximo da realidade brasileira”, acrescentou.
Brasileiros se destacam pela criatividade e capacidade de adaptação

Segundo reportagem da Forbes, o estudo da Deel analisou mais de 1 milhão de contratos firmados em 2024 por empresas estrangeiras e dados de 35 mil profissionais em mais de 150 países. De acordo com a matéria, entre as características que tornam o profissional brasileiro interessante para empresas estrangeiras estão criatividade, resiliência e adaptabilidade, somadas a um fuso horário estratégico que facilita a colaboração tanto com a Europa quanto com a costa oeste dos EUA.
“Além disso, o Brasil possui algumas das melhores universidades da América Latina, especialmente na área de tecnologia, o que torna os talentos brasileiros ainda mais atrativos para empresas globais”, explicou Cristiano Soares.
Contratados geralmente são PJ
Já reportagem do site G1 destacou que, na maioria dos casos, profissionais recebem em moeda internacional das empresas estrangeiras e atuam como pessoa jurídica (PJ). Segundo a matéria, especialistas apontam que comunicação em inglês e experiência sólida estão entre os principais requisitos. No mercado, esses profissionais são conhecidos como “global workers”, trabalhadores que prestam serviços remotamente para empresas estrangeiras, mantendo residência no Brasil e recebendo em moedas fortes, como dólar ou euro.
A matéria do G1 acrescentou que os EUA lideram a lista de países que mais contratam brasileiros e concentram 85% das vagas, segundo levantamento da TechFX, plataforma de câmbio voltada para profissionais. Dos 1.428 desenvolvedores brasileiros entrevistados e que atuam no exterior, 1.220 trabalhavam para organizações americanas, com salários médios de até US$ 110 mil anuais (cerca de R$ 577 mil por ano, pela cotação de câmbio de 10 de fevereiro de 2026). O estudo também destacou outros destinos: Canadá e Austrália empataram em segundo lugar, com 1,85%, seguidos pelo Reino Unido (1,85%), Argentina (1,55%), Portugal (1,16%), México (1%) e Alemanha (0,62%).
Tecnologia concentra maioria dos cargos
Ainda segundo a reportagem do G1, uma outra pesquisa da TechFX, feita com 1.433 brasileiros que atuam remotamente para empresas internacionais, mostrou uma forte concentração em tecnologia. Do total, 1.251 profissionais (87,6%) trabalham nesse setor. Mas outras áreas aparecem em números menores:
- Produto: 41 pessoas (2,9%)
- Sucesso do Cliente: 38 pessoas (2,7%)
- Design: 37 pessoas (2,6%)
- Marketing: 20 pessoas (1,4%)
- Operações: 14 pessoas (1%)
- Recursos Humanos: 13 pessoas (0,9%)
“Embora a área de tecnologia realmente concentre uma grande demanda global, empresas que estão expandindo suas operações para o Brasil, por exemplo, precisam montar times completos. Isso inclui áreas como vendas, RH, atendimento ao cliente, entre outras. Não há uma limitação por formação”, explicou Gustavo Sèngès, especialista em carreiras globais e diretor da HireRight no Brasil, empresa global de triagem de candidatos.
Outro ponto destacado por Sèngès é que o mercado internacional não é exclusivo para profissionais mais jovens. Segundo o especialista, o mais importante é a capacidade de entrega e adaptação ao modelo de trabalho remoto global.
Inglês forte é importante, mas não é preciso ter fluência de nativo
O inglês continua sendo uma das habilidades mais valorizadas para quem busca uma carreira internacional, mas não é necessário ter a fluência de um nativo. O chamado “inglês funcional”, que serve para se comunicar com clareza, participar de reuniões e expressar ideias de forma eficaz já pode abrir portas.
“Em termos de carreira e retorno salarial, aprender inglês pode ser um dos melhores investimentos. Cada vez mais, plataformas de AI gratuitas oferecem a possibilidade de aprender e praticar inglês, como uma porta de entrada para o aprendizado”, afirmou o CEO da TechFX, Eduardo Garay, ao G1.
LinkedIn é a principal vitrine para os brasileiros

De modo geral, os profissionais que conseguem vagas em empresas estrangeiras atendem a dois requisitos básicos: dominar a comunicação em inglês e ter pelo menos três anos de experiência na área. O LinkedIn aparece como a principal vitrine para os brasileiros, sendo responsável por quase 60% das contratações. De acordo Gustavo Sèngès, ha três caminhos principais para ingressar no mercado internacional.
- Recrutadores estrangeiros: manter um perfil atualizado e bem posicionado em plataformas como o LinkedIn aumenta as chances de ser encontrado.
- Networking: cultivar relações de forma genuína, ajudando e sendo ajudado, amplia as possibilidades. Muitas vezes, a oportunidade surge dentro do próprio círculo de contatos.
- Busca ativa por vagas: aplicar constantemente, ajustar estratégias e aprender com os processos seletivos. Estar presente em plataformas especializadas e treinar entrevistas são passos fundamentais.
É preciso investigar a empresa contratante e ter um advogado
As oportunidades são muitas, mas é preciso adotar cautela na hora de aceitar uma vaga de trabalho remoto para o exterior. Antonio Vasconcellos Junior, sócio fundador do AVJ Advogados Associados, destacou a importância de investigar bem a empresa e ter clareza sobre direitos e obrigações.
“O que parece um sonho pode virar um pesadelo sem os devidos cuidados. É importante manter-se informado sobre os direitos trabalhistas e regras tributárias/previdenciárias em um contexto global. Consultar um advogado especializado pode ser fundamental para garantir que seja cumprido o que foi prometido”, alertou o advogado trabalhista ao G1.