A edição 2025 do Ranking Mundial de Competitividade (IMD World Competitiveness Ranking), elaborado pela escola de negócios suíça IMD, em parceria com o Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), trouxe o Brasil para a 58ª posição entre 69 nações analisadas. Com isso, o país sobe quatro posições em relação a 2024 e apresenta o seu melhor índice desde 2021.
Para o professor Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), no entanto, o Brasil poderia ir além. Segundo ele, o país ainda não saiu do bloco inferior, apesar de ter muito mais potencial do que Argentina e África do Sul, para citar dois exemplos próximos no ranking.
Para o especialista, o Brasil deveria mirar no exemplo dos dez primeiros colocados, grupo que também tem se mantido nas primeiras posições nos últimos anos.
O receituário deles inclui abertura para o comércio internacional e investimento estrangeiro, baixa carga tributária e simplificação de impostos, regras claras para fazer negócios, estabilidade legal, forte geração e transferência de conhecimento e, finalmente, um plano estratégico de nação.
“Competitividade é um processo de longo prazo”, destaca Tadeu e, de acordo com ele, o relatório da IMD aponta como o Brasil pode melhorar nos próximos anos. Ele explica que o país precisa alinhar educação, inovação, políticas públicas eficazes e infraestrutura, com foco em capital humano.
Realizado a partir de análises estatísticas e pesquisa com alta liderança corporativa e governamental, a avaliação brasileira no ranking da IMD tem sido organizada há mais de 20 anos pela FDC. Ela segue o padrão da IMD para os 69 países analisados e envolve quatro fatores – performance econômica, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.
É a partir desse quarteto que os especialistas esmiúçam 336 indicadores específicos que, no conjunto, permitem hierarquizar a lista de países escolhidos.
País é 30º colocado em desempenho econômico
Considerando o quarteto de fatores, a melhor posição brasileira é em termos de performance econômica, na qual aparece em 30º lugar. No fator eficiência empresarial, o Brasil ocupa a 56ª posição. Em termos de infraestrutura, é o 58º colocado. O pior índice é o de eficiência governamental, sendo o penúltimo do ranking.
No quadro geral, o desempenho brasileiro é destaque em alguns dos indicadores: ocupa o quinto lugar tanto no fluxo de investimentos estrangeiros quanto no desenvolvimento de energias renováveis. Também aparece positivamente em termos de subsídios governamentais (6º lugar), no crescimento do emprego em longo prazo (7º) e no quesito total de atividade empreendedora (8º).
Investimento estrangeiro e emprego favorecem desempenho
Analisando separadamente o caso brasileiro, o relatório da IMD explica o bom desempenho do fator performance econômica, no qual os indicadores de fluxo de investimento direto estrangeiro e de crescimento de emprego no longo prazo pesaram positivamente na classificação do país.
O Brasil também tem outros índices favoráveis neste fator, entre os quais a formação bruta de capital fixo e o estoque de investimento direto estrangeiro, ocupando a 11ª posição em ambos.
No outro lado da moeda, o país peca na exportação de serviços comerciais (67º), nas receitas de turismo (66º) e na proporção entre comércio e PIB (65º).
Para melhorar o desempenho econômico, o relatório indica que o Brasil precisa implementar reformas que visem a redução das taxas de juros, a desburocratização do acesso ao crédito, além do fortalecimento do mercado de capitais.
O receituário inclui, ainda, o aprimoramento do ambiente regulatório para atrair investimentos estrangeiros diretos e diversificar as fontes de financiamento para as empresas.
A busca por maior estabilidade macroeconômica, com controle da inflação e disciplina fiscal, é outra iniciativa, ao lado das políticas que incentivem a reestruturação de dívidas e a oferta de linhas de crédito específicas para setores estratégicos.
Dívida e crédito pesam nas empresas
Em termos de eficiência empresarial, o salário mínimo (13º) e a remuneração da gestão (14º) estão entre os índices de destaque. Os pontos fracos envolvem os índices relacionados à dívida corporativa, mão de obra qualificada e sistemas de valores. Nos três, o país é o penúltimo colocado do ranking.
Na avaliação do relatório da FDC, esses pontos fracos mostram “desafios significativos no que diz respeito ao custo de capital e à dívida corporativa, fatores que impactam diretamente a competitividade do ambiente de negócios”.
A baixa classificação dos indicadores de dívida corporativa e crédito refletem um cenário de acesso restrito e oneroso a financiamento para as empresas. Esses indicadores apontam também para dificuldades na obtenção de recursos para investimentos, expansão e inovação, o que pode frear o desenvolvimento e a competitividade do setor privado.
Infraestrutura
No fator Infraestrutura, além da presença forte de energias renováveis, o Brasil se destaca pelo menor custo de telefonia móvel, no qual ocupa a 15ª posição no ranking. Outro indicador importante é o que mede as exportações de serviços de TI e comunicação, onde o Brasil é o 21º colocado.
As fraquezas do país na área de infraestrutura, no entanto, continuam se repetindo: o Brasil é o último colocado em habilidades linguísticas e o penúltimo em educação primária e secundária. A educação em gestão e a educação universitária também pesam contra e, em ambas, o país aparece na 67ª posição.
Com tantos pontos fracos, não é de se espantar que o relatório aponte a educação e as habilidades linguísticas como o segundo ponto principal de atenção do país, logo atrás do custo de capital e da dívida corporativa.
Para Tadeu, da FDC, esse ponto de atenção deveria ser o primeiro. O especialista lembra que os primeiros colocados no ranking sempre investiram na educação em todas as frentes e de forma consistente e em longo prazo, entre outras razões para pavimentar a transferência de conhecimento.
Melhoria da educação é estratégica
Para superar os desafios de educação, o Brasil precisa priorizar investimentos em educação básica de qualidade, com foco na melhoria do desempenho em disciplinas como matemática, ciências e português, e na promoção do ensino de inglês desde cedo.
A reformulação dos currículos – para que atendam às necessidades do mercado de trabalho e incorporem habilidades digitais e socioemocionais – é outro desafio.
O documento aponta, ainda, para a necessidade de programas de capacitação e requalificação para adultos, em parceria com empresas e instituições de ensino, considerados essenciais para reduzir o gap de habilidades.
Na área de mão de obra, o cenário atual pode limitar o crescimento das empresas brasileiras e comprometer sua capacidade de inovar. O antídoto envolve a criação de políticas voltadas à educação profissional e tecnológica, com a expansão e modernização dos cursos, priorizando as novas competências exigidas.
Também é fundamental fomentar programas de requalificação (reskilling) e aprendizado contínuo (upskilling), que permitam que os trabalhadores se adaptem às transformações tecnológicas.
No caso da abertura econômica e inserção internacional, a orientação dos especialistas envolve a adoção de medidas estratégicas que fortaleçam a inclusão internacional e promovam a competitividade no longo prazo. A diversificação da pauta exportadora, com foco em produtos e serviços de maior valor agregado, é outro conselho, neste caso focado para superar a dependência de commodities.
A expansão e aprofundamento de acordos comerciais bilaterais e multilaterais e a modernização da infraestrutura de comércio exterior, principalmente dos portos, também devem ser observados.
No fator eficiência governamental, o Brasil amarga vários indicadores ruins, sendo que entre eles os piores são os de protecionismo (68ª) e de finanças públicas (67ª). A colocação espelha, provavelmente, um cenário marcado por alta carga tributária, barreiras comerciais, burocracia excessiva e incerteza fiscal.
Para reverter esse quadro, as melhorias nessa área envolvem desde a simplificação e digitalização de processos regulatórios até a adoção de medidas de maior responsabilidade fiscal, com mais transparência e controle de despesas.
Ásia e Europa mantém liderança

De forma resumida, o ranking reforça a forte presença de países da Ásia e Europa nas primeiras colocações, refletindo estratégias bem-sucedidas de longo prazo em educação, inovação e governança. A Suíça assumiu a liderança do Ranking Mundial de Competitividade do IMD em 2025, subindo da 2ª posição no ano anterior.
Segundo o documento, o país europeu manteve um desempenho estável, disputando as primeiras posições principalmente devido à forte base em inovação, educação de excelência e um ambiente propício aos negócios, sustentado por políticas consistentes e estabilidade institucional.
Na sequência do ranking aparecem Singapura (2º), que manteve a liderança em performance econômica, e Hong Kong (3º), com avanços em eficiência empresarial e institucional. Dinamarca (4º) e Emirados Árabes Unidos (5º) completam o top 5.
Singapura e Hong Kong também permaneceram no topo ao longo da década, com destaque para o ambiente de negócios eficiente, os investimentos em infraestrutura digital e políticas públicas voltadas à inovação.
Já a Dinamarca apresentou um crescimento consistente, subindo da 8ª posição em 2015 para a 4ª em 2025, impulsionada pela digitalização do setor público e pela consolidação de ecossistemas colaborativos de inovação. Os Emirados Árabes Unidos e Taiwan foram dois dos países que mais subiram no ranking, resultado de estratégias de diversificação econômica e investimentos robustos em tecnologia e educação.
Irlanda, Suécia e Qatar, por sua vez, demonstraram avanços relevantes, principalmente em políticas voltadas à atração de empresas e à modernização tecnológica. Os Países Baixos conseguiram consolidar sua posição entre os dez primeiros nos últimos anos, especialmente por logística e infraestrutura de ponta, além de ambiente de negócios eficiente e altamente digitalizado, com um grande ecossistema de startups.
Por outro lado, economias da América do Sul e África continuam predominantemente nas posições mais baixas, evidenciando a necessidade de reformas estruturais profundas para avançar em competitividade global.
Nas últimas posições estão Venezuela (69º), Namíbia (68º), Nigéria (67º), Turquia (66º), Mongólia (65º) e África do Sul (64º). Esses países continuam enfrentando questões como instabilidade institucional, baixa integração econômica e infraestrutura precária.
Entre os países europeus com pior desempenho, está a Eslováquia (63º), que continua enfrentando entraves regulatórios e institucionais.
Dúvidas mais comuns
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O Brasil ocupa a 58ª posição no Ranking Mundial de Competitividade do IMD em 2025, subindo quatro posições em relação a 2024 e alcançando seu melhor índice desde 2021.
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O ranking avalia quatro fatores principais: performance econômica, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura, que são analisados por meio de 336 indicadores específicos.
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O Brasil se destaca no fluxo de investimentos estrangeiros (5º lugar), desenvolvimento de energias renováveis (5º lugar), subsídios governamentais (6º lugar), crescimento do emprego em longo prazo (7º lugar) e total de atividade empreendedora (8º lugar).
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Os principais desafios incluem a baixa eficiência governamental, alta carga tributária, burocracia, instabilidade fiscal, dificuldades no acesso a crédito e financiamento para empresas, além de deficiências na educação básica, habilidades linguísticas e educação universitária.
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A educação é um ponto crítico para o Brasil, que ocupa posições muito baixas em habilidades linguísticas e educação básica e superior. Investir em educação de qualidade, reformular currículos para atender às demandas do mercado e promover capacitação contínua são essenciais para melhorar a competitividade.
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O relatório recomenda reformas para reduzir taxas de juros, desburocratizar o acesso ao crédito, fortalecer o mercado de capitais, aprimorar o ambiente regulatório para atrair investimentos estrangeiros e diversificar as fontes de financiamento, além de buscar maior estabilidade macroeconômica.
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A Suíça lidera o ranking, seguida por Singapura e Hong Kong, devido a estratégias de longo prazo focadas em inovação, educação de excelência, ambiente favorável aos negócios, estabilidade institucional e investimentos em infraestrutura digital.