- A prática de Near-shore, que prioriza parcerias comerciais com países vizinhos, ganha destaque devido a crises globais que interromperam cadeias de fornecimento longas.
- A instabilidade causada pela Covid-19 e conflitos como o da Ucrânia evidenciam a vulnerabilidade das cadeias globais e impulsionam o Near-shore e Friend-shoring, focados em segurança e estabilidade.
- A América Latina, especialmente o Brasil, pode se beneficiar do Near-shore por sua posição geográfica, avanços democráticos e integração regional, oferecendo alternativas estratégicas para mercados dos EUA e Europa.
As crises globais provocadas pela Covid-19 e pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio acenderam uma luz vermelha na Europa e América do Norte, especialmente nos Estados Unidos. A interrupção das exportações da China, durante a pandemia, e da Ucrânia, com o conflito com a Rússia, são exemplos do perigo de depender de cadeias de fornecimento de longa distância. Esse cenário colocou o conceito de Near-shore em evidência, um movimento que prega a priorização de parceiras com países mais próximos ao mercado consumidor.
No caso dos Estados Unidos, a América Latina ganha com essa mudança. Embora não tenha os baixos custos de produção e de mão de obra dos países orientais, a região tem a segurança da proximidade e de uma relativa estabilidade democrática.
Na Europa, o correspondente da América Latina seria o Leste Europeu, uma questão um pouco mais complexa pela eclosão da guerra na Ucrânia. E aqui vale destacar um subconceito que também faz parte desse jogo, o chamado Friend-Shoring, que é a priorização das relações comerciais com aliados estáveis, abrindo a possibilidade de acordos que reduzem riscos de instabilidade e, portanto, menos ameaça de interrupções na cadeia de fornecimento.
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Os cenários e conceitos descritos acima foram detalhados pelos professores Fabian Salum e Paulo Vicente Alves, ambos da Fundação Dom Cabral, no artigo Near-shore e Near-sharing: oportunidades para a América Latina.

Esse último conceito também é destrinchado pelos dois professores. Eles defendem que o Near-Sharing tem como meta promover uma maior circulação da produção das empresas, pessoas, insumos e matérias-primas para além das margens dos países, integrando o centro desses.
E mais: o movimento é uma oportunidade única para a América Latina. Isso acontece porque a região tem avanços significativos nos processos de democratização, integração (sobretudo o modelo Mercosul), diversidade de empresas, posição geográfica estratégica e idiomas predominantes – português no Brasil e espanhol para grande maioria dos países.