• O Brasil deve registrar crescimento econômico moderado em 2026, com projeção de expansão superior a 2%, abaixo da média mundial estimada em 3%.
  • A redução da taxa Selic para 12,25% e a queda gradual da inflação sustentam o crescimento, enquanto desafios fiscais e a necessidade de reformas estruturais persistem.
  • A desaceleração da China e as incertezas globais, incluindo políticas comerciais e inflação, impactam o cenário econômico brasileiro e mundial para 2026.
Resumo supervisionado por jornalista.

A avaliação das perspectivas para o Brasil em 2026 aponta para um quadro de crescimento moderado, impulsionado pela flexibilização esperada da política monetária e pela necessidade de avanços nas reformas, mas ainda cercado por desafios fiscais e incertezas globais. Esse é o resumo do estudo Cenário Macroeconômico – Global e Brasil 2026, publicado pela Fundação Dom Cabral (FDC). 

De acordo com os professores Áurea Ribeiro e Gilmar Mendes, ambos da FDC e responsáveis pelo relatório, a economia brasileira deverá apresentar um crescimento superior a 2% no próximo ano, projeção que indica uma média entre as várias análises disponíveis, do FMI às instituições privadas.  

A projeção do Ministério da Fazenda é considerada a mais otimista, pressupondo uma política monetária flexível a partir do início do ano e o avanço das reformas.

O cenário brasileiro para 2026 é explicado por uma combinação de fatores domésticos (principalmente monetários e fiscais) e influências do ambiente global.

  • Política monetária e inflação em queda: um dos principais fatores que sustentam o crescimento projetado é a tendência de redução da taxa de juros.
  • Redução da Selic: a política monetária adotada, embora prudente, deverá ter efeitos mais positivos sobre a economia. O mercado projeta que a taxa básica de juros recue para 12,25% em 2026, com a flexibilização esperada para começar a partir do início de 2026.
  • Convergência da inflação: as projeções indicam que a inflação e as taxas de juros seguirão uma trajetória declinante em 2026. Embora as expectativas de inflação ainda permaneçam desancoradas, elas recuaram em 2025 e, em menor medida, devem seguir a mesma tendência para 2026.
  • Crédito: a flexibilização da política monetária também é esperada para gerar uma melhoria nas condições gerais de concessão de crédito.

Necessidade de investimentos e reformas

De acordo com o relatório, o Brasil precisa adotar um receituário para alcançar o crescimento previsto, o qual envolve o foco maior nos investimentos, além do desempenho da balança comercial.

A reforma tributária também deve fazer parte da receita e deve ser acelerada “de forma clara e equilibrada entre os setores econômicos”. Para os autores do documento, o desafio é evitar que a carga tributária final sobre o consumo seja excessiva.

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Eles, igualmente, destacam a necessidade de avanço das reformas constitucionais e infraconstitucionais para criar marcos legais compatíveis com o aproveitamento das oportunidades de investimento. 

Já o equilíbrio fiscal continua a ser uma área de atenção e incerteza, sendo um dos fatores monitorados de perto pelo Banco Central.

Outro ponto de atenção são os debates sobre a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais. O resultado primário do governo central acumulado em 12 meses (até agosto de 2025) apresentou um déficit de R$ 26,6 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB.

O controle das despesas é o principal desafio. O orçamento brasileiro é altamente rígido, com cerca de 94% decorrentes de despesas obrigatórias. “As decisões alocativas são limitadas e futuras reduções devem ocorrer na parte obrigatória, o que remete à urgência da aprovação da reforma administrativa”, destaca o documento.

Ainda sobre o quadro brasileiro, a dívida bruta do governo central segue uma trajetória ascendente, projetada em 79% do PIB em 2025, com previsão de atingir 84,3% do PIB em 2028, alerta o relatório. 

China desacelerada no cenário econômico

Foto: katjen/ Shutterstock

A desaceleração da economia chinesa (com crescimento projetado de 4% em 2026 pelo FMI, ante 5% em 2025) preocupa o Brasil, uma vez que o país asiático é o principal destino das exportações nacionais (31,3% do total). 

No entanto, os especialistas indicam que essa desaceleração, no curto prazo, não deve afetar significativamente as exportações brasileiras, pois o aumento da renda per capita chinesa sustentará a forte demanda por alimentos e commodities brasileiras, como o minério de ferro.

Entre os problemas que explicam a desaceleração, destacam-se a continuidade da crise no mercado imobiliário, que já representou mais de 25% do PIB e cerca de 30% do investimento no país. Os preços dos imóveis residenciais novos caíram no ritmo mais rápido dos últimos nove anos.

A China também enfrenta desafios estruturais após registrar crescimento superior a 10% ao ano nas duas décadas entre 1991 e 2010. O ritmo de expansão diminuiu, o que se justifica pelo tamanho da economia (projetada em US$ 19,5 trilhões para 2025). 

Na avaliação do documento, o peso dos investimentos é muito elevado no crescimento chinês (41,4% do PIB), enquanto o consumo é relativamente baixo (cerca de 40% do PIB), impondo ao governo o desafio de readequar a economia.

Nos Estados Unidos, outro país de interesse especial do Brasil, há um cenário de incerteza quanto às tarifas e às condições restritivas de crédito. Segundo o FMI, as projeções de crescimento são de 1,7% para 2026, com uma inflação que tem se acelerado nos últimos meses.

Outro ponto de atenção é a possiblidade de imposição de novas medidas comerciais, o que pode distorcer os fluxos de comércio e de capitais, provocar choques de oferta e preços e, em casos extremos, desorganizar as cadeias produtivas globais.

Mundo em velocidade lenta 

Além do destaque especial para a China – e a avaliação do mercado dos Estados Unidos – o relatório da FDC também traça um cenário mundial da economia global para 2026.

Em primeiro lugar, os especialistas lembram que a dinâmica econômica global ainda está sob o impacto de fatores como a inflação, os conflitos na Europa e no Oriente Médio, e os efeitos de políticas comerciais que ainda não estão totalmente compreendidas.

A atividade econômica global demonstra resiliência, mas alguns indicadores apontam para uma desaceleração gradual. Essa desaceleração é, em grande parte, uma consequência do reposicionamento das políticas comerciais globais.

Apesar de ter ocorrido uma retomada do crescimento, o ritmo mundial ainda se mostra lento. Isso se deve aos efeitos das altas taxas de juros adotadas pelos bancos centrais em suas políticas monetárias, combinadas com os impactos das políticas comerciais globais.

A inflação global, por sua vez, continua a apontar para uma convergência. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados a promover a convergência da inflação para suas metas. As expectativas de inflação para 2026 são, em geral, inferiores às de 2025, indicando que a política monetária tem surtido efeito.

Para finalizar, o crescimento projetado para a economia mundial em 2026 é de 3% ao ano. Para efeito de comparação, os especialistas lembram que, no primeiro trimestre de 2024, o crescimento foi um pouco acima de 3%, mas houve uma desaceleração no segundo trimestre de 2025.

Dúvidas mais comuns

A economia brasileira deve apresentar um crescimento moderado, superior a 2% em 2026, segundo o relatório da Fundação Dom Cabral. Essa projeção está alinhada com análises do FMI e instituições privadas, refletindo uma média das expectativas para o país.

Os principais fatores domésticos que influenciam o crescimento incluem a flexibilização da política monetária com redução da taxa Selic para cerca de 12,25%, a convergência da inflação para níveis mais baixos, a necessidade de avanços nas reformas tributária e administrativa, além do controle das despesas públicas diante de um orçamento rígido.

A política monetária deve ser mais flexível a partir do início de 2026, com a redução da taxa básica de juros (Selic) e a consequente melhora nas condições de concessão de crédito. Isso deve estimular o investimento e o consumo, contribuindo para o crescimento econômico.

O Brasil enfrenta desafios fiscais como o controle das despesas obrigatórias, que representam cerca de 94% do orçamento, o déficit primário acumulado e a trajetória ascendente da dívida bruta do governo central, projetada para atingir 84,3% do PIB em 2028. A aprovação da reforma administrativa é vista como urgente para melhorar o equilíbrio fiscal.

Apesar da desaceleração da China, principal destino das exportações brasileiras, o impacto no curto prazo deve ser limitado. O aumento da renda per capita chinesa deve manter a demanda por alimentos e commodities brasileiras, como minério de ferro, sustentando as exportações brasileiras.

O crescimento econômico mundial está projetado para cerca de 3% ao ano em 2026. A economia global enfrenta uma desaceleração gradual devido a fatores como inflação, conflitos geopolíticos e políticas comerciais restritivas, mas mantém resiliência com expectativas de inflação convergindo para as metas dos bancos centrais.

Em 2025, a economia brasileira cresceu aproximadamente 2,2% em relação a 2024, conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. Esse crescimento reflete uma recuperação gradual após os impactos da pandemia e ajustes econômicos recentes.