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  • A Serasa Experian atua em soluções financeiras, educação e prevenção a fraudes, com foco em segurança de dados e busca por talentos adaptáveis, segundo seu CEO Valdemir Bertolo.
  • Bertolo defende uma liderança flexível, essencial para enfrentar os desafios de um ambiente em constante mudança, especialmente no Brasil, e destaca a importância da adaptação cultural para engajar equipes e obter resultados.
  • A empresa prioriza a inovação contínua, segurança de dados e um programa social que visa capacitar grupos vulneráveis em tecnologia, além de buscar colaboradores com atitude e vontade de aprender para enfrentar os desafios do mercado.
Resumo supervisionado por jornalista.

A primeira ideia associada ao nome Serasa Experian é a de negativação de nomes. No entanto, a empresa tem uma atuação bem mais ampla, com foco em soluções financeiras, educação e prevenção a fraudes. Na avaliação de seu CEO, Valdemir Bertolo, o trabalho da companhia envolve muita segurança de dados e a busca por talentos com atitude e vontade de aprender.

Bertolo também defende uma visão de liderança adaptável e flexível, que ele considera uma de suas características mais marcantes. Essa defesa não acontece à toa, uma vez que ele tem uma trajetória profissional de negócios “completamente diferentes uns dos outros”,  incluindo passagens por empresas como Pepsi e Hilton.

A experiência em negócios com desafios e culturas próprias resultou em um processo de aprimoramento para Bertolo, não só profissionalmente como em âmbito pessoal. Além disso, as vivências internacionais em locais como Japão, Estados Unidos e América Latina criaram um “mosaico cultural interessante”, na visão do executivo.

Ele observa que cada cultura possui sua peculiaridade e a capacidade de conseguir resultados em cada uma delas é uma característica fundamental para o desenvolvimento da liderança.

“Essa particularidade exige que o líder compreenda que os motivadores são distintos e que as mesmas ferramentas usadas no Brasil muitas vezes não podem ser aplicadas em outros contextos”, destaca. “Essa necessidade de adaptação cultural é vital para engajar pessoas e alcançar um resultado positivo”, completa.

Líder adaptável

	
Representação de liderança adaptável com uma pessoa no centro de uma mira, destacando a importância da flexibilidade na liderança para o sucesso.
Foto: Garun .Prdt/ Shutterstock

Para Bertolo, a adaptação está intimamente ligada às circunstâncias operacionais. O cenário brasileiro, que historicamente é uma “montanha-russa”, por exemplo, muda constantemente e exige que o líder tenha flexibilidade e adaptação.

O líder adaptável, na avaliação do executivo, ajusta-se às circunstâncias e procura extrair o melhor dentro delas. Ele precisa, no entanto, estar à frente das mudanças, o que significa que tem que compreender as tendências. E, finalmente, o líder precisa estar atento para ajustar rapidamente produtos, ofertas, serviços e a empresa às novas circunstâncias.

“Tentar fazer as coisas “da mesma forma, do mesmo jeito” resulta em uma chance muito pequena de ter um resultado positivo no Brasil”, argumenta.

A adaptação é vista não apenas como uma estratégia de gestão, mas como uma condição de sobrevivência, de acordo com o CEO da Serasa Experian. Para ele, quanto mais rápido um líder se adapta às novas circunstâncias, maior é a chance de ter sucesso e sobreviver.

A experiência diversa, especialmente em contextos internacionais e em indústrias variadas, sedimentou a convicção de Bertolo de que a flexibilidade e a adaptação constantes são o DNA necessário para enfrentar desafios, engajar equipes e prosperar em cenários voláteis.

Desafios da Serasa Experian

A inovação é uma condição sine qua non para a Serasa Experian, uma vez que a empresa trabalha com tecnologia que muda diariamente. A busca por inovação é mandatória, pois a empresa que “nasceu digital” não entrega produtos físicos, mas, sim, inteligência, dados e soluções para tomada de decisão.

Na avaliação do CEO, a companhia é diariamente desafiada por startups e novas tecnologias. Uma delas é o boom da inteligência artificial generativa, embora a empresa já trabalhe com inteligência artificial há 15 anos.

Bertolo lembra que a Serasa Experian possui estruturas e processos para estimular a inovação, entre eles um modelo de trabalho que estimula os funcionários a trazerem suas ideias, que são então validadas para verificar a viabilidade econômica e a possibilidade de serem escaladas no mercado.

Outro destaque é o ambiente de suporte, o que significa que o apoio precisa ser constante, proporcionando os recursos para transformar ideias em ações estruturadas. De acordo com ele, os pilares para o estímulo são tecnologia, processos e treinamento.

O executivo lembra, ainda, que é essencial criar um ambiente que favoreça a inovação, inclusive aceitando que o erro faz parte do processo de aprendizado e melhoria constante.

“A inovação deve ser buscada não apenas em novos produtos, mas também nos processos internos da empresa, permitindo que cada pessoa inove em seu dia a dia”, resume.

Segurança de dados

Um teclado de computador com um cadeado de segurança digital sobre a tecla 'Return', simbolizando segurança de dados na internet.
Foto: dencg/ Shutterstock

A segurança de dados é uma área muito crítica para a Serasa Experian, principalmente pelo crescimento da engenharia social como ferramenta de ataque dos hackers e pelo fato de o Brasil ser o segundo país com mais fraudes e ataques no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Bertolo chama a atenção para a emergência da Inteligência Artificial, que adiciona complexidade, pois pode ser usada para produzir vídeos extremamente difíceis de distinguir da realidade, entre outras ações.

As estratégias de defesa da empresa, de acordo com ele, envolvem o uso de tecnologia avançada, mas que, principalmente, depende de engajamento e conscientização dos funcionários.

Não é sem razão que a busca por talentos é um dos grandes desafios da companhia, inclusive pela interação geracional. Com uma população corporativa relativamente jovem (34 anos, na média), a Serasa Experian tem um quadro de colaboradores que inclui pessoas de 18 anos a veteranos do mercado.

“As pessoas devem ter a capacidade de se adaptar rapidamente, pois a tecnologia de hoje não será a mesma de amanhã”, argumenta o CEO, como um dos pontos comuns entre as várias gerações.

Bertolo também defende a priorização de colaboradores com atitude e enfatiza que a empresa busca, principalmente, pessoas que demonstrem a atitude correta e a vontade de aprender. “Se esses elementos existirem, a empresa oferece o ferramental para desenvolver a pessoa, pois a tecnologia é vista como uma ferramenta, e a atitude vem primeiro”, comenta.

A retenção, depois da contratação, também é vista de forma diferenciada. Para o CEO, é necessário engajar cada geração de forma diferente, garantindo que a empresa usufrua do melhor que cada grupo pode oferecer. Essa estratégia tem como meta a diversidade, equidade e inclusão.

Programa social

Os colaboradores também são peça-chave no programa Transforme-se, iniciativa social para canalizar recursos e criar um impacto transformacional na vida de pessoas em situação de vulnerabilidade.

A ambição do programa é transformar a vida de pelo menos 7 mil pessoas, o equivalente a um indivíduo por funcionário. O foco principal é a capacitação em tecnologia para grupos vulneráveis, incluindo meninas e pessoas com deficiência.

Bertolo explica que o sucesso da iniciativa é medido pelo aumento substancial da renda familiar do grupo treinado, indicando se a vida deles foi impactada positivamente e transformada profissionalmente.

“A adaptabilidade e a curiosidade intelectual são fatores-chave para a sobrevivência e o sucesso”, explica. “Assim, como na teoria da evolução, sobrevive quem se adapta mais rapidamente às novas circunstâncias”, finaliza.

Recomendações

Bertolo adianta que lê muitos livros de negócios, mas de forma a se concentrar na ideia-chave defendida pelos autores. Ele aconselha que cada pessoa crie sua própria trilha nesse tipo de material.

Eclético, o executivo tem lido clássicos como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski. No cinema, viu recentemente Ainda Estou Aqui. 

Confira a entrevista completa no YouTube e no Spotify: