• A agricultura regenerativa no agronegócio brasileiro avança integrando ESG, manejo integrado e dados para equilibrar produtividade e resiliência climática.
  • A adoção de modelos produtivos complexos como ILP e ILPF, aliados à agricultura de precisão com dados georreferenciados, aumenta a resiliência e otimiza o manejo sustentável.
  • O principal desafio está na implementação ampla da gestão baseada em dados e na capilarização das práticas regenerativas para pequenas propriedades e agricultura familiar.
Resumo supervisionado por jornalista.

A gestão empresarial contemporânea passa pela percepção da importância da relação entre os desafios empresariais e a integração da organização ao seu meio. No Brasil e, em especial, no agronegócio, não seria diferente. É de longa data o papel do Brasil e suas empresas do setor na construção de um caminho exitoso, que vem transformando o país em referência de eficiência produtiva e competitividade. Nessa perspectiva, mais recentemente, a agricultura regenerativa tem despontado como uma estratégia sobre dois pilares: o planejamento e a operação na produção agropastoril, que têm como premissa o equilíbrio socioambiental, devido à preocupação do setor diante das mudanças climáticas que temos experimentado nos últimos anos.

Também há o entendimento de que a evolução do modelo de gestão do agronegócio requer uma perspectiva ainda mais integrada e integradora. Com isso, busca-se evolução em um conjunto de práticas de manejo e conservação do solo, visando recuperar, manter e ampliar a capacidade produtiva, como resposta para o presente e preparação para o futuro.

E onde se encontram os desafios nessa perspectiva?

Passo 1: integração ao modelo de negócios e de gestão

O primeiro passo é um desenho organizacional e de operação, que alinhe a produção e as entregas aos eixos governança, meio ambiente e responsabilidade social (ESG), para garantir que a empresa gere resultados positivos e relevantes para a sua comunidade de negócios e para a sociedade.

Passo 2: modelo de produção com base na regeneração

O caminho parece ser a migração para um modelo de gestão e produção do agronegócio, que leve em consideração a abundância de recursos naturalmente existentes no planeta, e que se utilize desta fartura para obter mais resiliência e menos vulnerabilidade climática. Essa tese de investimento leva em consideração uma engenharia operacional e financeira que traz mais complexidade aos sistemas produtivos, se afastando das monoculturas em direção a modelos integrados como a integração lavoura-pecuária (ILP) e, em seguida, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). O incremento de complexidade do modelo produtivo lança mão de uma relação simbiótica natural, que acrescenta resiliência e reduz a vulnerabilidade a riscos climáticos à produção, mas exige maior capacidade de gestão.

Passo 3: implementação fundamentada em dados

Aliada à agricultura regenerativa, a agricultura de precisão também desempenha papel fundamental na otimização do manejo agrícola, na medida em que permite diagnósticos detalhados sobre a saúde do solo e as condições da lavoura, a partir de dados georreferenciados. Essa análise direciona as práticas regenerativas e permite uma melhor alocação de insumos agrícolas, reduzindo o impacto ecológico e maximizando a saúde do ecossistema. Dessa forma, o monitoramento permite o acompanhamento da evolução da biodiversidade e da eficiência no uso de água, tangibilizando os resultados das práticas de manejo sustentável.

Assim, o processo de evolução dos modelos de gestão e negócios no agro, rumo ao aumento do profissionalismo, tem demonstrado alguns desafios para além das técnicas de produção. A implementação de rotinas de levantamento de dados com qualidade e em quantidades suficientes para a gestão é um desafio que ainda carece de atenção e investimento, mesmo com o surgimento de várias startups agtechs dedicadas a digitalizar essas rotinas, pois a adoção em campo carece da mudança do sistema de gestão, que ainda não tem sido feita em grande escala. Portanto, monitorar dados no campo e na gestão é essencial para que seja possível melhorar a eficiência de produção, reduzindo o impacto ambiental e maximizando os resultados empresariais.

Além disso, a gestão dos dados georreferenciados é essencial para impulsionar os resultados da agricultura regenerativa. Ao coletar e analisar informações detalhadas da lavoura e do solo, os agricultores conseguem acompanhar a evolução das práticas com precisão. Isso permite ajustes mais rápidos, sempre que necessários, para garantir o equilíbrio ecológico e a saúde das culturas. Assim, uma gestão baseada em dados viabiliza uma avaliação mais exata dos benefícios econômicos e ambientais, facilitando aos produtores o acesso a mercados que valorizam a sustentabilidade e tomam decisões baseadas em evidências.

É importante salientarmos que as mudanças em busca de um modelo regenerativo já estão começando em corporações, mas ainda muito longe de ganharem vulto em empresas pequenas e na agricultura familiar. A cadeia do agronegócio é altamente interligada; a produção das grandes empresas é muito ligada à das pequenas (por exemplo, grandes empresas compram bezerros de pequenos produtores). A maior parte do setor no país é de pequenas empresas ou agricultura familiar. Portanto, para mudarmos a realidade da agricultura brasileira é essencial que toda a cadeia produtiva adote esse sistema, incluindo os pequenos, e aí talvez resida outro grande desafio rumo à capilarização das técnicas.

Dúvidas mais comuns

A agricultura regenerativa é um sistema de produção que busca evitar a degradação do solo e do meio ambiente, promovendo práticas que mantêm e recuperam a saúde do solo, ampliam a biodiversidade e aumentam a resiliência climática. Ela utiliza técnicas que protegem o solo, estimulam a vida microbiana e promovem um equilíbrio socioambiental, garantindo a sustentabilidade da produção agrícola.

Os pilares da agricultura regenerativa incluem a cobertura permanente do solo para proteção contra erosão, a preservação da umidade e o estímulo à vida microbiana, além da integração de práticas que fortalecem o solo e criam sistemas produtivos mais resilientes. Esses princípios visam recuperar, manter e ampliar a capacidade produtiva do solo de forma sustentável.

Os principais desafios incluem a integração do modelo regenerativo ao negócio e à gestão, a complexidade operacional e financeira dos sistemas produtivos integrados, e a implementação de rotinas de coleta e análise de dados de qualidade para monitorar a saúde do solo e da lavoura. Além disso, há o desafio de expandir essas práticas para pequenas propriedades e agricultura familiar, que compõem a maior parte do setor no Brasil.

A agricultura de precisão complementa a agricultura regenerativa ao fornecer diagnósticos detalhados sobre a saúde do solo e as condições da lavoura por meio de dados georreferenciados. Isso permite uma melhor alocação de insumos, reduzindo impactos ambientais e maximizando a eficiência do manejo agrícola. O monitoramento contínuo facilita ajustes rápidos nas práticas, garantindo o equilíbrio ecológico e a produtividade.

A gestão baseada em dados é essencial para acompanhar a evolução das práticas regenerativas com precisão, permitindo ajustes rápidos e eficazes para manter o equilíbrio ecológico e a saúde das culturas. Além disso, possibilita uma avaliação mais exata dos benefícios econômicos e ambientais, facilitando o acesso a mercados que valorizam a sustentabilidade e apoiam decisões baseadas em evidências.

O ESG (Governança, Meio Ambiente e Responsabilidade Social) é fundamental para alinhar a produção agrícola aos objetivos de sustentabilidade e impacto social positivo. Na agricultura regenerativa, o modelo de gestão deve integrar esses eixos para garantir que a empresa gere resultados relevantes para a comunidade de negócios e para a sociedade, promovendo práticas que respeitam o meio ambiente e fortalecem a governança corporativa.

A ILPF é um modelo produtivo integrado que utiliza a relação simbiótica entre lavoura, pecuária e floresta para aumentar a resiliência do sistema produtivo. Essa integração reduz a vulnerabilidade a riscos climáticos, melhora a biodiversidade e otimiza o uso dos recursos naturais, contribuindo para a sustentabilidade e a produtividade do agronegócio.