- Acidentes nas rodovias federais brasileiras aumentaram 9% entre 2018 e 2024, com crescimento de 21% no número de mortes no mesmo período.
- A combinação de infraestrutura com curvas, pistas simples e alta velocidade noturna eleva a gravidade dos acidentes, segundo estudo da Fundação Dom Cabral.
- Rodovias como BR-101, BR-116 e BR-381 concentram maior número de acidentes, impactando a segurança e a logística do transporte no Brasil.
O número de acidentes nas rodovias federais brasileiras vem aumentando significativamente nos últimos anos. Estudo da Fundação Dom Cabral (FDC), por meio da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transporte (PILT/FDC) mostra que, entre 2018 e 2024, houve um avanço de 9% no total de acidentes verificados nestas estradas, subindo de 51.420 para 56.117 neste período.
Os estados com mais trechos críticos são: Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Segundo o pesquisador Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística e Infraestrutura da FDC, apesar de o aumento no número de acidentes ter sido 9% em sete anos, a quantidade de óbitos, no período aumentou 21%. “O tipo de combinação de infraestrutura curva, pista simples e alta velocidade à noite leva aos acidentes, a combinação mais fatal que existe”, disse ele, ao Jornal Nacional.
No período pesquisado, só ocorreu queda importante no número de acidentes em 2020, ano da pandemia da Covid-19, quando a movimentação nas rodovias foi reduzida expressivamente. Em 2024, também se observou o maior número de mortes – 4.995. O número de feridos graves em 2024 – 15.916 – foi 19% maior que o menor patamar registrado no período, de 13.395 em 2020.
A pesquisa utiliza dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) sobre volume de tráfego e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre ocorrências de acidentes, considerando apenas aqueles ocorridos em trechos de rodovias com circulação de pelo menos mil veículos por dia.
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Pesquisa permite vários recortes
O levantamento reúne 72 análises em diferentes blocos e possibilita múltiplos recortes, como tipo e classe do acidente, características do veículo, tipo de traçado viário, horário, dia da semana, fase do dia e condições climáticas. Os acidentes são classificados em três categorias principais: acidentes sem vítimas; acidentes com feridos; e acidentes com mortes.
No detalhamento de resultados, foram 51.420 acidentes em 2018; 51.753 em 2019; e 48.416 em 2020. Após a queda na pandemia, a partir de 2021, o indicador voltou a subir: 49.256 acidentes em 2021; 49.175 em 2022; e 52.080 em 2023, até atingir 56.117 em 2024. A maior parte das colisões ocorreu à luz do dia: ao longo do período, 54,30% dos acidentes aconteceram no perído diurno e 35,32% à noite. Em média, 74,81% dos acidentes envolveram feridos; 17,82% não tiveram vítimas; e 7,37% resultaram em mortes.
BR-101, BR-116 e BR-381 são as recordistas em acidentes

As vias BR-101 (Rodovia Governador Mário Covas, que percorre quase toda a costa brasileira, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul), BR-116 (maior rodovia do país, com 4.660 Km, reunindo trechos como Presidente Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo) e a BR-381 (apelidada de ‘Rodovia da Morte’ no percurso entre Belo Horizonte e Espírito Santo) aparecem como as que concentram o maior número de acidentes no país, refletindo sua relevância logística, elevado fluxo de veículos e infraestrutura.
Engana-se quem pensa que os acidentes são verificados majoritariamente em rodovias com múltiplas pistas. O levantamento apontou que mais da metade das ocorrências (52,38%) aconteceram em rodovias de pistas simples, seguidas pelas colisões em pistas duplas (39,53%) e múltiplas (8,09%). Entre os tipos de colisão, a frontal responde pela maior parcela da taxa de severidade, com 18,33%, seguida pela colisão traseira, com 15,60%.
Para garantir grau de comparação entre trechos rodoviários com diferentes intensidades de tráfego, o estudo utiliza dois indicadores técnicos: a Taxa de Acidentes (TAc), que neutraliza o impacto do volume de tráfego no total de ocorrências, e a Taxa de Severidade de Acidentes (TSAc), que além de considerar o volume pondera os acidentes de acordo com a gravidade. Entre 2018 e 2024 as duas taxas apresentaram tendência geral de crescimento: a TAc variou entre 1,97 e 2,34, enquanto a TSAc oscilou entre 9,02 e 9,88.